Quais são as duas grandes prioridades que defendem para o distrito?
É difícil definir apenas duas prioridades, numa região com tantas carências e problemas e com tantas potencialidades por desenvolver. Urge combater o despovoamento e o envelhecimento da população com incentivos ao empreendedorismo jovem e à agricultura, apoios ao investimento e à fixação de empresas que criem emprego e riqueza neste território e permitam aos jovens desenvolver aqui os seus projetos de vida e constituir família. É preciso também dotar este território de serviços públicos de qualidade e proximidade que garantam qualidade de vida à população e reforcem a atratividade da região.
O setor da saúde atravessa uma fase conturbada. Na região, o que poderá ser feito para ultrapassar esses desafios?
Tem de ser repensada a organização dos serviços ou mudada a perspetiva de gestão. Não podemos continuar com uma lógica de gestão centralizada e centralizadora dos recursos, esvaziando progressivamente as unidades hospitalares da periferia, deixando a descoberto uma extensa área do território, onde a população está mais envelhecida, tem dificuldade de mobilidade e necessita, por isso, de cuidados de proximidade que muitas vezes não tem. Um Centro Hospitalar ou uma ULS podem e devem adaptar a organização das suas valências e respostas às necessidades da população que servem. O Estado pode também promover uma melhor articulação entre respostas dos serviços públicos, privados e sociais, colocando todos ao serviço da proteção da saúde dos cidadãos.
Quanto à ferrovia. Qual a melhor solução?
É fundamental voltarmos a ter acesso à ferrovia e a ligações diretas com o Porto e a vizinha Espanha, que nos liguem à alta velocidade das redes europeia e transeuropeia. A nossa região praticamente não disponibiliza aos cidadãos oferta de serviços públicos de transporte. Estamos condenados à rodovia e o custo da mobilidade no território diminui a sua atratividade. Não tem havido autarcas capazes de exigir dos governantes um investimento público nas acessibilidades ferroviárias, o que lamento. Falta aos autarcas de hoje a fibra dos transmontanos: o “antes quebrar que torcer” que traduz uma firmeza que hoje não existe. Falta-nos rasgo, ambição e determinação!
Relativamente aos impostos das barragens, qual a vossa posição?
Que devem ser cobrados e reverter para o território, naturalmente! Temos muitos recursos naturais que são explorados e pouco ou nada revertem para a região que acaba por sofrer o impacto dessa exploração. É preciso calcular tudo o que damos ao país e as contrapartidas que recebemos e esta é uma conta com saldo negativo para a nossa região há muitos anos. E a promiscuidade entre os governantes e as grandes empresas não estará isenta de culpas.
A perda de população continua a ser um grave problema do interior do país. Que medidas defendem para combater este flagelo?
Dotar a região de uma boa rede de serviços públicos de qualidade e proximidade, incluindo itinerâncias que aproximem os serviços dos cidadãos. Diversificar a oferta ao nível da mobilidade, da cultura em rede, reforçar a cobertura de Internet de forma a tornar mais atrativo este território para os jovens. Mas não há fixação de jovens sem emprego que lhes proporcione uma vida digna! É preciso, por isso, criar incentivos à fixação de empresas nestes territórios e apoiar as atividades tradicionais ligadas à agricultura, à criação de gado, à floresta, à produção e transformação daquilo que nos tem distinguido como o azeite, o vinho, frutos, legumes, fumeiro, etc., fundamentais para a economia e a identidade do território. É preciso desenvolver potencialidades que têm sido menosprezadas ou subaproveitadas. Hoje a nossa região não consegue fixar ou atrair os seus jovens e este é um desafio importante, pois as novas gerações são o garante do futuro e o suporte das gerações mais velhas. É preciso um olhar mais humano sobre o território!



