Domingo, 24 de Outubro de 2021

Em tempo de pandemia, bombeiros repartem esforços entre incêndios e neve

Numa altura em que as atenções estão centradas na covid-19, os bombeiros de Salto e Montalegre têm repartido os esforços no combate aos incêndios e hoje também na limpeza da neve que está a cair neste território.

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David Teixeira, vereador da Proteção Civil e comandante dos bombeiros de Montalegre, distrito de Vila Real, disse à agência Lusa que esta manhã a queda de neve ajudou os voluntários a apagar um fogo que estava a iniciar-se junto a uma área de pinhal.

Hernâni Carvalho, comandante dos bombeiros de Salto, no concelho de Montalegre, salientou à Lusa que 44 operacionais estiveram, durante a noite, no combate a um incêndio com “grande intensidade” e que, já esta manhã, os voluntários estão em operações de limpeza de vias, por causa da queda de neve, e a ajudar a levar refeições ao serviço domiciliário das instituições particulares de solidariedade social (IPSS).

Nas últimas duas semanas, segundo David Teixeira, registaram-se vários incêndios no concelho de Montalegre, contabilizando-se “cerca de 50 hectares de área ardida”.

“Tudo isto põe em causa os planos de contingência. Estamos a tentar criar grupos diferentes para combate a incêndios, transporte de doentes e socorro e, na semana passada, já tivemos um incêndio com 50 bombeiros”, afirmou.

Em Salto, Hernâni Carvalho referiu que a “diminuição abrupta da temperatura ajudou a apagar o incêndio” durante a madrugada.

Para a localidade de Fonte de Curral, foram mobilizados 44 operacionais entre os bombeiros de Salto e ainda de Montalegre, Boticas, Ribeira de Pena e Vidago.

“Nesta altura, como é já hábito, infelizmente, no concelho de Montalegre há ocorrências de incêndios rurais todos os dias, com maior ou menor dimensão. O que é certo é que, em função daquilo que é o muito vento que se faz sentir e da disponibilidade dos combustíveis, temos registado incêndios com grande intensidade e velocidades de propagação muito altas, o que nos tem causado alguma preocupação e alguns problemas”, referiu o comandante de Salto.

Hernâni Carvalho fez questão de salientar “que, quem responde na linha da frente, são equipas de bombeiros voluntários”.

“O dispositivo nesta altura está no seu nível mais baixo de empenhamento e tem sido, de facto, o voluntariado dos bombeiros que respondem em grande escala e que continuam a suportar este problema a somar a todos aqueles que temos, em especial, esta questão da covid-19”, apontou.

O responsável lamentou que as “ocorrências de maior dimensão, como a que se verificou na noite passada fazem cair por terra toda a organização dos planos de contingência”, nomeadamente “de pôr as equipas a trabalhar por turnos, em espelho, para tentar reduzir o contacto entre os operacionais ao mínimo possível”.

“Mas, com a necessidade de reforçar os teatros de operações com o maior número de operacionais, toda essa gestão cai por terra”, sustentou.

Hernâni Carvalho referiu que, durante a manhã, os bombeiros de Salto foram acionados para a limpeza de vias devido à neve e, também, para levar as refeições a idosos e carenciado das aldeias mais altas e isoladas, apoiando o serviço domiciliário das IPSS.

Este apoio é prestado sempre que neva e se verificam constrangimentos nas estradas.

Para além disso, os bombeiros de Salto implementaram, a propósito da covid-19, um serviço de apoio aos idosos, levando compras e medicamentos para que eles não tenham de sair de casa.

A neve caiu esta manhã em vários concelhos do distrito de Vila Real, levando os serviços de Proteção Civil e os bombeiros para o terreno em operações de limpeza de estradas e de espalhamento de sal.

A GNR de Vila Real disse que as principais vias do distrito estão transitáveis e que, em pontos mais altos das autoestradas 24, 4 e 7, as concessionárias colocaram no terreno os veículos limpa-neve e estão a espalhar sal, aconselhando, no entanto, precaução aos automobilistas.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 791 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 38 mil.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 160 mortes, mais 20 do que na véspera (+14,3%), e 7.443 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 1.035 em relação a segunda-feira (+16,1%).

Dos infetados, 627 estão internados, 188 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 43 doentes que já recuperaram.

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