Em FocoEncontros e desencontros num mundo intranquilo

Encontros e desencontros num mundo intranquilo

Acontecimentos nacionais e internacionais, por ordem alfabetica: 

 ACIDENTES 

 

A maior parte dos acidentes registados neste ano foi de natureza rodoviária. Estatísticas da Prevenção Rodoviária Portuguesa apontam para um aumento considerável em relação a anos anteriores no número de mortos e feridos graves, na ordem dos 17%. Dados para confirmar apontam para 504 mortos, no nosso país (média de 42 mortos por mês, 1,4 por dia). A série dos mais trágicos acidentes deste tipo foi iniciada em janeiro, com dois portugueses a morrer numa estrada de Espanha, após choque de uma carrinha em que seguiam com mais seis trabalhadores e um camião. Em junho, morreram seis pessoas no IC1, perto de Palmela, no choque de duas carrinhas.

Em agosto, houve cinco mortos e sete feridos em dois acidentes no mesmo dia: um no Montijo outro na Mealhada, este na A1, após um camião se ter despistado e embatido em quatro viaturas ligeiras. Em setembro, no IC8, em Pombal, morreram seis jovens trabalhadores, num choque frontal entre duas viaturas. Nos transportes ferroviários, a situação foi diferente, já que houve apenas um descarrilamento na linha do Douro, em março, sem vítimas, após uma enxurrada. Já a meio de dezembro, descarrilou um carro elétrico da Carris, em Lisboa, acidente que causou 28 feridos.

Na praia da Ursa (Sintra), no mês de março, morreu um casal de namorados apanhado por uma derrocada. Houve muitas derrocadas e enxurradas fatais um pouco por todo o mundo: em Moçambique, em fevereiro, o desabamento de uma lixeira causou 17 mortos e, no Quénia, o colapso de uma barragem causou centenas de mortos, em julho. Nos Estados Unidos, uma passagem de peões caiu sobre uma autoestrada, em março, na Florida, matando 30 pessoas.

Em agosto, caiu uma ponte em Génova (Itália) – 13 mortos – e em Vigo a queda de um passadiço, em agosto, causou mais de três centenas de feridos entre os milhares de espectadores de um festival de música. Em Luanda, num estádio de futebol, morreram cinco pessoas espezinhadas contra um muro, em setembro.

Numa barragem de Ourique, também no mês de agosto, um magnata inglês morreu, por se ter virado um barco em que seguia com uma dezena de amigos. Também morreram três austríacos, em Sesimbra, em abril, na queda de um parapente. No mês seguinte, em Paços de Ferreira, numa ação de formação, uma guarda prisional morreu atingida a tiro, acidentalmente, pelo seu formador. Para além dos incêndios em território nacional, houve dezenas de mortes no incêndio de um centro comercial na Sibéria (março) e, na Califórnia, morreram oito dezenas de pessoas nos fogos ali registados, em outubro e novembro.

Em setembro, na cidade do Rio de Janeiro, ardeu o Museu Nacional do Brasil que ficou reduzido a escombros, na totalidade. Já em novembro, em Borba, o colapso do rebordo de uma pedreira arrastou uma estrada, causando cinco mortos. No mês de dezembro, um comboio de alta velocidade descarrilou na Turquia, registando-se nove mortos e meia centena de feridos.

No dia 15 de dezembro, na queda de um helicóptero do INEM, em Valongo, morreram quatro pessoas: dois pilotos, um médico e uma enfermeira.

 

 AMBIENTE 

 

Sucedem-se os problemas ambientais, com relevo para a poluição do mar e as descargas nos rios. Neste caso, em Portugal, as preocupações maiores vão para o Tejo, onde se fizeram sentir despejos de resíduos industriais que mereceram ao Ministro do Ambiente a designação de “cenário dantesco e inqualificável”.

Sem culpados apontados, ainda assim as empresas de papel viram-se confrontadas com restrições, após a “Celtejo” ter sido acusada como responsável pelos maiores prejuízos ambientais deste rio. Também mereceu contestação a deposição de resíduos poluentes (lamas) numa área protegida. Preocupações com o uso excessivo de plástico têm vindo a crescer.

No Pacífico, foi descoberta uma “ilha de plástico” com dezassete vezes o tamanho de Portugal (1,6 milhões de quilómetros quadrados). No Cachão, começaram a ser retiradas quatro mil toneladas de lixo do antigo complexo. Já no final do ano (início de novembro), foi apresentado o “Plano da Orla Costeira” entre Caminha e Espinho (demolição de habitações junto às dunas costeiras). Entretanto, a Galp desistiu do furo petrolífero de Aljezur.

 

 ATENTADOS 

 

Não têm conta os atentados cometidos no mundo, neste ano, com especial incidência em alguns países de África e da Ásia (Egito, República Centro-Africana, Nigéria, Iémen, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Paquistão, Somália, Moçambique, Mali, Iraque, Afeganistão, Tunísia, Irão, Israel, Palestina, Síria), causando milhares de mortos. Os ataques suicidas são os mais mortíferos.

O número de atropelamentos e ataques a tiro e com armas brancas subiu este ano. Refiramos apenas os que foram mais mediáticos, no ano que agora chega ao fim: Em França, no mês de março, um marroquino atacou um supermercado e matou três pessoas, sendo abatido pela polícia. Em fevereiro, o mundo conheceu o desfecho do caso da menina lusodescendente Maelys de Araújo, raptada durante uma festa familiar e morta por um ex-militar francês. Na Alemanha, em abril, um homem alemão entrou com uma carrinha numa zona pedonal, avançou sobre esplanadas, matou duas pessoas e suicidou-se. Em maio, um cadastrado que estava em licença de saída precária, matou duas agentes da polícia e um jovem estudante, na cidade belga de Liège. Na faixa de Gaza, os mortos sucederam-se no conflito israelo-árabe.

No dia da abertura da embaixada norte-americana em Jerusalém, em maio, morreu meia centena de manifestantes e ficaram feridas mil e quinhentas pessoas. Nos Estados Unidos, repetiram-se ações de tiroteio e ataques com facas. Em abril, uma mulher pôs fim à existência, depois de ter ferido a tiro quatro pessoas no interior da sede do “YouTube”. No mês seguinte, um aluno de 17 anos matou dez pessoas, a tiro, num liceu de Santa Fé (Texas). Outra situação semelhante aconteceu na Crimeia (Rússia), com um jovem de 18 anos a matar 19 colegas, a tiro e à bomba, ferindo meia centena de outros e suicidando-se logo após.

Em outubro, um militante republicano foi preso após ter enviado encomendas com bombas a diversas personalidades norte-americanas.

Num bar de Los Angeles, em novembro, um ex-fuzileiro matou doze pessoas a tiro. Depois, suicidou-se. Em Melburne, no mesmo mês, um homem esfaqueou três pessoas e também se matou. Em Fortaleza, Brasil, homens armados irromperam numa discoteca e mataram 14 pessoas. Saliência para quatro assassinatos de caráter político.

No Rio de Janeiro, em março, a vereadora Marielle Franco foi executada a tiro. Na Bulgária, em outubro, foi assassinada a jornalista Viktoria Marinova. O jornalista turco Jamal Kashoggi foi morto no consulado da Arábia Saudita na Turquia, após ter sido torturado. Também um ex-espião russo, Sergei Skripal, foi alvo de um ataque com envenenamento, no Reino Unido, onde estava exilado.

Em prisões do Brasil e da Venezuela houve motins que se saldaram em 68 mortos (em Valência/ Venezuela) e em 19 mortos (em Goiás/Brasil). Em Estrasburgo, já no mês de dezembro, um homem atacou um mercado e matou quatro pessoas, ferindo dez outras. Foi abatido pela polícia francesa, depois de forte perseguição. Em São Paulo, um homem matou quatro pessoas numa missa, suicidando-se de seguida.          

 

 

AVIÕES

Ano conturbado, com acidentes, greves, paralisações, cancelamento de voos, eliminação de linhas, ações judiciais, indemnizações. Em particular destaque, pela negativa, esteve a “Ryanair”, companhia de voos “low-cost” irlandesa, a viver dias de turbulência. A TAP manteve as expectativas, sendo certo que necessita de mais injeção de dinheiros públicos, para poder manter os seus compromissos.

O Aeroporto de Beja esteve em destaque, em duas ocasiões. Na primeira, viu aterrar na sua pista um A380, o maior avião do mundo, uma semana antes do voo inaugural deste aparelho da “Hy Fly” portuguesa. Na segunda, viu ser resolvida uma aterragem problemática num avião da “Air Astana” (que ficara descontrolado), com a ajuda de dois caças F16 da Força Aérea que também acudiram com êxito a uma chamada de emergência de um avião da “Transavia”, proveniente da Madeira, que viria a aterrar com sucesso em Faro. Situação incomum aconteceu nos Estados Unidos: um mecânico da “Horizon Airlines” roubou um avião, sentou-se aos comandos, descolou e acabou por precipitar-se numa ilha de um estuário, dessa forma se suicidando.

 

BITCOINS

 

Uma realidade nova no mundo virtual, destacando-se ao lado da evolução “hacker” (espionagem, roubo de informações), fazendo levantar questões de cibersegurança. A moeda virtual (criptomoeda) vem alargando o seu âmbito de intervenção, atingindo recordes de valorização. Em Portugal, duas ocorrências neste ano: a venda e compra de casas acentuaram-se através da utilização da moeda virtual e, em outubro, a Polícia Judiciária apreendeu 130 mil euros da moeda virtual, com alerta sobre a possibilidade de crimes e fraudes através da comercialização dos “bitcoins”.

 

BREXIT

Um dos grandes acontecimentos do ano, apesar de ainda não ter tido lugar. As dúvidas e a confusão assolam a Inglaterra e os restantes estados do Reino Unido. Há quem defenda outro referendo para atender ao desejo de muitos que votaram “sim” e agora pretendem dizer “não”. Dificuldades para Theresa May que trava luta intensa contra tudo e todos para levar a bom porto a saída da União Europeia (“Brexit”). Talvez isso aconteça em 2019. Sujeita a uma moção de censura no seu partido conservador, Theresa May saiu reforçada após essa moção ter sido reprovada, já em dezembro.

 

 

 

 

CANÁBIS

Depois de aprovado o quadro legal para a utilização de canábis para a preparação de medicamentos, o Bloco de Esquerda prepara outro diploma que permita a produção, comercialização e utilização dessa planta com caráter “recreativo”.

 

COLETES AMARELOS

 

Reuniram-se nas ruas de Paris para contestar as medidas económicas do Governo Macron (subida do preço dos combustíveis, subida de impostos e congelamento de salários). Nos finais de novembro, tomaram de assalto as artérias em redor do Arco do Triunfo, num cenário de guerrilha urbana que causou mais de cem feridos e mais de duzentos detidos pela polícia que chegou a envolver-se nos desacatos com os manifestantes. Já em dezembro, o governo francês recuou e suspendeu as medidas por seis meses para que o assunto possa ser debatido por todas as partes. Isso não impediu que, no dia 13 de dezembro, os “coletes amarelos” voltassem aos protestos nas ruas da capital francesa.

 

CIÊNCIA

 

Dois grandes acontecimentos sobrepuseram-se aos demais: na Florida foi lançada a sonda solar “Parker” com o objetivo de “tocar o Sol”, indo até onde nunca se foi até agora. Outra sonda, a “InSight” também subiu, para investigar a estrutura interior de Marte e compreender processos ocorridos há cerca de 4.500 milhões de anos. Entretanto, foram descobertas camadas de gelo junto ao Polo Sul de Marte e também na Lua. Outros factos: a NASA descobriu uma estrela a nove biliões de anos-luz da Terra, a mais distante jamais observada; uma estação espacial chinesa (“Tiangong – I” reentrou na atmosfera terrestre depois da missão cumprida no espaço e despenhou-se em fogo no Pacífico. 

 

CORRUPÇÃO

 

As atitudes de corrupção em Portugal cresceram desmesuradamente e os tribunais entopem-se com processos atrás de processos, envolvendo governantes, empresários, agentes económicos, elementos da justiça, do desporto, dos serviços públicos. Praticamente, aparecem novos casos nos mais variadíssimos setores. Entre os mais mediatizados, “Operação Marquês” envolvendo o ex-primeiro-ministro José Sócrates, Grupo Espírito Santo (Ricardo Salgado), “Monte Branco”,  “Face Oculta” (Armando Vara), “Vistos Gold”, BPN, Rendas da EDP (Manuel Pinho), “Operação Fizz” (Orlando Figueira), Fundação “O Século” (Emanuel Martins), BPP (João Rendeiro), Universidade Fernando Pessoa (Salvato Trigo), BPN (Oliveira Costa), “Raríssimas” (Paula Brito e Costa), Turismo do Porto e Norte (Melchior Moreira). No desporto: “Mala Ciao”(fraude nas apostas desportivas), “Operação Lex” (Rui Rangel), “Vouchers”, “E-mails”, “E- Toupeiras” (Paulo Gonçalves) “Cashball” (Francisco Geraldes), “Jogo Duplo” (aliciamento a jogadores e manipulação de resultados), entre outros.

 

CRISTIANO RONALDO

 

Depois de ter sido o melhor jogador de futebol do mundo, deixou de o ser em 2018, trocado que foi nos prémios pelo croata Modric, seu antigo companheiro no Real Madrid, clube que deixou em troca da Juventus, onde continua a ser suporte fundamental para o sucesso do clube italiano. Provavelmente, a recessão terá sido motivada extrafutebol pelo caso que envolveu o jogador português com a norte-americana Kathryn Mayorga, num suposto caso de violação e pelo processo fiscal que o envolveu em Espanha.

 

DESASTRES

Mais uma vez, o ano revelou-se trágico em desastres de vários tipos, alguns de grandes proporções que roubaram vidas e bens. Retirando deste lote os desastres provenientes de acidentes rodoviários, afogamentos e a praga dos incêndios florestais, atentemos em meia dúzia deles que impressionaram fortemente a sociedade portuguesa.

Em janeiro, o sobreaquecimento da chaminé de uma salamandra originou um incêndio numa associação de Vila Nova da Rainha. Morreram oito pessoas (sete homens e uma mulher), além de ter havido vários feridos que foram hospitalizados.  Em abril, em Penacova, material pirotécnico explodiu antes do fim da missa e de uma procissão, matando um homem de 30 anos de idade e fazendo cinco feridos graves.

Em novembro, os gases de um gerador mataram uma família de cinco pessoas (três adultos e duas crianças) que dormiam. Aconteceu em Fermentões (Sabrosa). No mesmo mês, abateu uma parte de uma pedreira, em Borba, arrastando uma estrada (EN 255) em que circulavam duas viaturas. Morreram cinco pessoas. Já em dezembro, três pescadores desportivos foram apanhados por uma onda no molhe de São Jacinto (Aveiro), tendo morrido os três. 

 

DEMISSÕES

 

Foram muitas, em vários setores, mesmo na composição do Governo, em ministros e secretários de Estado. João Soares que se demitira no início da legislatura do atual governo foi substituído por Luís Castro Mendes como ministro da Cultura, em abril, mas, já neste ano, em outubro, nova mudança aconteceu nesse domínio, com a indigitação de Graça Fonseca.

Na sequência dos mortíferos incêndios do final de 2017, demitiram-se a ministra da Administração Interna, Constança de Sousa e o comandante operacional da Autoridade Nacional da Proteção Civil. Eduardo Cabrita substituiu Constança. O caso das viagens ao “Euro 2017” pagas pela Galp redundou na saída de três secretários de Estado.

Em outubro, no seguimento dos problemas relacionados com as armas de Tancos, foi demitido também o ministro da Defesa, Azeredo Lopes (entrou João Gomes Cravinho para o seu lugar). O primeiro-ministro António Costa aproveitou esta substituição para proceder a uma remodelação no seu executivo, com saliência para a mudança do ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes que deu lugar a Marta Temido.

 

ETA

 

Esta organização armada basca chegou ao fim, neste ano, depois de ter declarado cessar-fogo em 2011 e de ter feito a entrega das suas armas no ano passado. Em maio, foi anunciada a sua dissolução, num dia em que os seus elementos pediram perdão às suas vítimas pelo “sofrimento desmedido” causado à sociedade em 50 anos de luta em nome da independência do País Basco.

 

EUROVISÃO

 

Realizado desta vez em Portugal, no “Altice Arena”, em Lisboa, por força da vitória de Salvador Sobral no festival eurovisivo da canção no ano anterior, as esperanças de ver ainda mais elevado o prestígio da música e das canções portuguesas depressa se esfumaram, atendendo a que a canção “O jardim”, interpretada por Isaura e Cláudia Pascoal, se situou na última posição de um certame que reuniu cantores e autores de 42 países. 

 

EXTREMA-DIREITA

 

Antes eram passos tímidos. Agora, os passos das forças da extrema-direita são mais seguros, conduzindo-a já aos parlamentos e às presidências. Depois dos receios que a vitória de Donald Trump causou, na sua eleição para a presidência dos Estados Unidos, este ano foi a vez de Jair Bolsonaro, no Brasil. Entretanto, na Europa, tem havido sinais da ascensão da preferência dos eleitores de vários países pela ideologia da extrema-direita.

Na vizinha Espanha, a formação “Vox” já alcançou os primeiros triunfos nas eleições regionais da Andaluzia. Na Alemanha, repetem-se incidentes com neonazis anti migrantes e o “AfD / Alternativa para a Alemanha” ocupa lugares de destaque em todos os parlamentos regionais.. Na Suécia, um partido de extrema-direita alcançou o segundo lugar nas suas legislativas.

O final deste ano ficou marcado pelo movimento dos coletes amarelos de que uma grande parte (o movimento “ACAB”) foi acusada pelo presidente Emmanuel Macron de ser constituída por “terroristas da extrema-direita”.

 

FRANCISCO

Este ano, como sempre, foi uma das mais evidentes figuras do ano em todo o mundo. Os abusos sexuais e a visão reformadora da Igreja têm originado ataques à sua pessoa e ao seu papado, tendo sido particularmente violenta uma carta do arcebispo Carlo Maria Vigano, ex-núncio apostólico nos Estados Unidos.

Em Portugal, Frei Bento Domingos, teólogo da Ordem Dominicana, defende que o Papa não deve renunciar, enquanto Eduardo Almeida, da “Fraternidade Sacerdotal São Pio X” defende o contrário. Sendo certo que o Papa Francisco enfrenta a maior contestação de sempre, também é verdade que em todo o mundo, ora nas comunidades cristãs ou não-cristãs, crescem apoios à figura do Sumo Pontífice.

Depois da sua presença em Fátima, em 2017, foi anunciada a vinda de Francisco, de novo, ao nosso país, por ocasião das “Jornadas Mundiais da Juventude” de 2022 que irão ter lugar em Lisboa.

 

FRANCO

 

Saiu do “Vale dos Caídos” para ser exumado desse panteão nacional espanhol dedicado aos vencedores da Guerra Civil de1936/39, deixando de ter um túmulo de Estado.

Entre manifestações de apoio a Franco, o governo de Pedro Sanchez mantém-se determinado em proceder à transferência dos restos mortais do antigo generalíssimo, o que deve acontecer no início do ano, sem que se saiba se se mantém a proposta de colocá-los na catedral madrilena de Almudena.

 

FURACÕES

 

Houve muitos, em 2018, todos dramáticos, causando vítimas humanas e muitos prejuízos de vária ordem, alterando a vida de muitos milhões de pessoas. Catástrofes múltiplas, cada vez mais frequentes e vulgares. Em janeiro, o ciclone “Ava” fez meia centena de mortos, mais uma incontável quantidade de desaparecidos, em Madagáscar. No início de março, dois tornados atingiram o sotavento algarvio e a tempestade “Félix” causou muitos prejuízos na generalidade do país.

Em Porto Rico, o furacão “Maria” matou 4.600 pessoas. Na Índia, foram tempestades de areia a causar mais de uma centena de mortos. No Havai, foi a erupção de um vulcão (Kilauea), a desalojar dez mil pessoas. Na Guatemala, outro vulcão (Monte de Fogo) deixou dezenas de mortos e feridos, mais de mil pessoas deslocadas. No Vietname, um tufão causou inundações e desabamento de terras, Mais de 15 mil casas foram destruídas. Em agosto, um furação abateu-se sobre a Índia e matou 774 pessoas.

Outro furacão (Michael) surgiu nos Estados Unidos, na Florida e na Geórgia. Um “tsunami” nas Ilhas Celebes causou 384 mortos, centenas de feridos, dezenas de desaparecidos e ainda mais de mil edifícios destruídos. Em setembro, o furacão “Mangkhut” deixou 69 mortos nas Filipinas e na China. Outro tufão, o “Florence”, atacou a costa atlântica dos Estados Unidos, matando 13 pessoas. Em outubro, Portugal sentiu os efeitos devastadores do “Leslie”.

 

 

GREVES

 

O ano de 2018 teve um movimento grevista generalizado, fora do normal. As greves que mais influenciaram a sociedade portuguesa foram as dos professores, enfermeiros, médicos, estivadores, juízes e guardas prisionais. Outros protestos envolveram os bombeiros, os transportes, função pública e até os agentes policiais que foram travados, na escadaria do Palácio de S. Bento, por outros polícias.

 

GRUTA

 

Foi na Tailândia que ocorreu um dos factos do ano. Jovens de uma equipa de futebol (Javalis Selvagens) e o seu treinador ficaram isolados no interior de uma gruta (Tham Luang Nang Non) entretanto inundada, quando ali procuraram refúgio face ao mau tempo que os atingiu. Ao fim de 18 dias, todos foram resgatados, num dos mais eficientes atos de salvamento desse tipo, com recurso a mergulhadores.

Ainda assim, uma morte aconteceu: um fuzileiro (Samarn Kunan) que acorreu à operação: faltou-lhe oxigênio quando se encontrava de baixo da água da galeria.

 

HELL´S ANGELS

 

Luta de gangues rivais de motards, em Loures, chamou a atenção para a profusão de atos de violência urbana, assim como os cada vez mais frequentes incidentes em bares e discotecas e suas imediações. Os “Hell´s Angels” e os “Red & Gold” (estes ligados a Mário Machado e à extrema-direita portuguesa)  motivaram intervenções das autoridades policiais em Lisboa, no Porto e outras cidades, detendo pessoas e apreendendo armamento. 60 motards dos “Hell´s Angels” foram detidos e aguardam julgamento.

 

 

INCÊNDIOS

Mais um ano em que grandes incêndios florestais grassaram em Portugal, atingindo especialmente as regiões de Sintra e Monchique, entre muitas dúvidas, discussões, acusações, denúncias em relação ao que se passara no ano anterior em Pedrógão Grande.

Florestas mal tratadas, reflorestação, indemnizações, reconstrução de casas e burlas associadas, desvio de fundos, Força Aérea, Bombeiros, SIRESP, helicópteros, GNR, relatórios, arguidos, aviões “Kamov”, INEM, auditorias, reuniões, inquéritos parlamentares, a que Inês Cardoso, subdiretora do Jornal de Notícias, considerou ser uma “vergonha coletiva”. De permeio ficaram os afetos de um inquieto Presidente da República.

Em agosto, foi Monchique, no Algarve, a ser fustigado pelas chamas. Sete dias de horrores. Casas queimadas e pessoas retiradas do seu habitat, de aldeias inteiras, algumas algemadas por não quererem sair das suas moradas, temendo assaltos e roubos. Animais carbonizados. E o Guincho acordou rodeado de negro, em outubro, entre Sintra e Cascais.

No estrangeiro, o inferno chegou à Califórnia, à Austrália e à Grécia. Aqui, as chamas avançaram até ao mar. 77 pessoas morreram no primeiro dia, 26 delas abraçadas a metros da costa, na estância de férias de Mati. 187 ficaram feridas.

 

INFARMED

 

O assunto “Infarmed” foi, como referiu Manuel Serrão, no “Jornal de Notícias”, “uma novela”. Tudo começou quando o Governo candidatou a cidade do Porto a ser sede da “Agência Europeia do Medicamento” que, afinal, acabou por ficar em Amesterdão. Como compensação para a ultrapassagem a que o Governo foi sujeito (especialmente Adalberto Campos Fernandes, ex-ministro da Saúde), surgiu outro anúncio: com armas e bagagens, o “Infarmed” iria para o Porto, deixando Lisboa.

A contestação subiu de tom com a recusa dos trabalhadores dessa estrutura em aceitar a mudança para o Porto. Até que peritos do grupo de trabalho constituído para estudar a viabilidade dessa transferência, após serem confrontados com inúmeras dificuldades para levarem a cabo tal tarefa, pensaram desistir desse estudo, mas, ainda assim, redigiram um relatório que apontou para uma melhoria na eficiência da “Autoridade Nacional para o Medicamento” se esta fosse deslocalizada. Já o seu presidente referiu que “a deslocalização do “Infarmed” seria “ameaça à saúde pública mundial”. António Costa, em julho, acabou por não confirmar a “Infarmed” no Porto.

Em setembro, o ministro da Saúde decidiu que a mudança, afinal, era descartada, perante as críticas de personalidades do norte, o que levou António Costa a referir, no mês de setembro, que “Infarmed no Porto depende do próximo governo”.

 

JAMAL KHASHOGGI

 

Jornalista saudita morto numa dependência da Embaixada saudita na Turquia, com requintes de malvadez: violência, tortura, desmembramento enquanto vivo. As acusações continuam a pender sobre o príncipe saudita Mohammed bin Salman que o acusava de ser espião. 

 

JAIR BOLSONARO

Foram indesmentíveis os resultados eleitorais que colocaram na presidência do Brasil um homem conotado com a extrema-direita (elemento do PSL / Partido Social Liberal).

Pelejando com o principal adversário (ideologicamente inimigo) – o PT / Partido dos Trabalhadores – Bolsonaro satisfez com as suas propostas os que estão cansados de corrupção, ardis económicos, violência nas ruas, aquilo que Jair considera serem os grandes inimigos da terra brasileira e no resto do mundo: o comunismo, os movimentos gay, o fundamentalismo religioso e a degradação dos valores cristãos.

Depois de Lula da Silva (antigo presidente) ter sido preso e estar a cumprir longa pena de prisão – foi condenado a 12 anos – a que foi sentenciado pelo juiz Sérgio Moro (entretanto  nomeado como ministro da Justiça), no âmbito do fenómeno “Lava Jato”, agora é a vez de Fernando Haddad (substituto de Lula) ser acusado de corrupção, arriscando, também, a cadeia.

 

 

KERCH

 

O estreito que faz fronteira entre a Ucrânia e a Rússia, ligando o Mar Negro ao Mar de Azov, teve ações agitadas, em 2018, Em novembro, ocorreu um incidente, com o aprisionamento, pela Rússia, de barcos ucranianos e respetivas tripulações, o que motivou a imposição da lei marcial pelo parlamento da Ucrânia, com o aval do nacionalista Petro Poroshenko, seu presidente.

 

KIM JONG-UN

 

Um dos grandes nomes do ano. Temido pelo nuclear e pela imposição de um regime férreo na Coreia do Norte, foi, em 2018, um líder aberto, tendo encetado viagens (uma delas, em segredo, à China) e promovido encontros até então impensáveis. Em abril, encontrou-se com o líder da Coreia do Sul, Moon Iae-in, com o mundo a assistir, na sequência das propostas de participação conjunta em acontecimentos desportivos (ambos os países pensam numa candidatura única à organização dos Jogos Olímpicos de 2032).

Em junho, recebeu Donald Trump, em Singapura. Em agosto, houve uma ação simbólica de proximidade entre os dois países asiáticos: sessenta e cinco anos após a “Guerra das Coreias”, centenas de coreanos do norte e do sul da península encontraram-se na estância norte-coreana de esqui, no monte Kumgang.

 

 

LOURENÇO, João

 O novo líder angolano está a processar significativas transformações no seu país, tentando reconstruir a economia e combater a corrupção, Depois de ter criticado Portugal e a justiça portuguesa por via do processo a Manuel Vicente (o irritante), acabou por visitar o nosso país no final deste ano, com cordialidade e cortesia.

 

 

 

 

 

 

LUKA MODRIC

 

O jogador croata do Real Madrid foi distinguido com os principais prémios individuais da FIFA (The Best), da UEFA (Jogador do ano) e do “France Football” (Bola de Ouro), ultrapassando os insistentes Messi e Ronaldo de dez anos anteriores.

 

MACEDÓNIA

 

A confusão de um nome. Macedónia é uma região da Grécia, Macedónia é um estado independente. Para não haver confusões, o novo país fica a ser designado por Macedónia do Norte. Uma decisão que acaba com vinte e seis anos de uma das mais bizarras disputas internacionais.

 

MAPPLETHORPE

 

A exposição dos seus trabalhos fotográficos na Casa de Serralves levantou polémica. “Artista maldito” e, como tal, controverso, levantou a questão do acesso a imagens sexualmente explícitas e das limitações inerentes a essa condição. Uma área restrita na exposição de Robert Mapplethorpe levou à demissão de João Ribas da direção artística do “Museu de Arte Contemporânea” do Porto e a muitas discussões sobre a liberdade de expressão e a censura.

 

MARCELO

 

Ano pouco propício para o Presidente da República. Muita confusão nas arbitrariedades, na corrupção, nos incidentes, nas greves, nas discórdias políticas, nos julgamentos e nas sentenças dos tribunais causaram um abrandamento do seu protagonismo, com a Esquerda a baixar o nível da sua relacionação com Marcelo Rebelo de Sousa que indicou Cavaco Silva como representante do Estado português no funeral de Bush, nos Estados Unidos, e anunciou a sua própria presença no ato de posse de Jair Bolsonaro como presidente da República do Brasil.

Quanto à Direita, mantém as críticas à sua complacência com as forças de esquerda que constituem a “Geringonça”. Num ano contraditório, Marcelo vetou propostas de lei e continuou a distribuir afetos. Entretanto, completou 70 anos de idade.

 

MERKEL, Angela

 

Ao fim de 18 anos na liderança da CDU, deixou o cargo de Secretária-geral desse partido. Annegret Kramp-Karrenbauer substitui a ainda chanceler alemã nesse cargo, com a CDU a perder influência e a ter de se defrontar com a AfD, partido assente na extrema-direita que tem vindo a aumentar o seu leque de apoiantes.

 

NAUFRÁGIOS

 

Uma realidade que se repete em cada ano que passa. Neste, um grande naufrágio aconteceu em janeiro, no Mar da China, com o afundamento de um petroleiro e a perda da vida dos seus 32 tripulantes, depois de uma semana a arder e de várias explosões. Também no Iémen, no mesmo mês, 30 refugiados africanos morreram no afundamento de um barco, junto à costa. Levava 152 pessoas somalis e etíopes.

Em março, uma embarcação virou no Rio Cávado, mas os dois pescadores que o ocupavam conseguiram salvar-se, resgatados pelos bombeiros. No Tejo, em março, o navio espanhol “Betanzos” encalhou num banco de areia, não tendo havido vítimas. Em junho, em Sagres, cinco homens da Póvoa e Vila do Conde e dois estrangeiros andaram uma hora à deriva, Uma avaria na hélice fez afundar o barco. Eram pescadores que andavam na faina e que sobreviveram numa balsa salva-vidas. Neste mês, um naufrágio matou 136 turistas na Tailândia.

Em julho, uma embarcação de migrantes, ao largo de Chipre, afundou, morrendo 46 pessoas. Também em julho, quinze homens das Caxinas foram resgatados com vida, após uma traineira ter afundado. Neste mês, em Faro, morreu um homem. Na Torreira (Murtosa) o navio “Cristo é Companheiro” afundou. Os seus quinze tripulantes foram salvos por outro barco (Vitória Coentrão) que navegava perto.

Em agosto, um naufrágio matou 22 crianças no Rio Nilo, quando iam para a escola. Outro naufrágio, num “ferryboat”, na Indonésia, em setembro, causou 13 mortos e dois desaparecidos. No mesmo mês, na Praia da Aguda, pai e filho que regressavam da pesca, foram atingidos pela rebentação do mar que fez virar o barco em que seguiam, junto ao quebra-mar, sendo salvos pelos bombeiros.

Em outubro, em Esmoriz, morreu um pescador e desapareceram nas águas mais três, dois deles indonésios que trabalhavam no barco “Mestre Silva”, da Póvoa de Varzim. O mestre conseguiu salvar-se, sendo resgatado pela Força Aérea.

 

NAZARÉ

 

Uma evidência mundial pelas ondas gigantes que a têm transformado num roteiro que abrange o lazer dos surfistas, as grandes competições dessa modalidade e os turistas em geral. Em novembro, na praia do Norte, conhecida por ter as maiores ondas do planeta, juntaram-se 20 mil pessoas para assistir a uma prova do circuito mundial de “surf”.

 

NOBEL

 

O mundo segue sempre com expectativa as nomeações e atribuições do Prémio Nobel, nas suas vertentes: Física, Química, Economia, Medicina, Literatura e Paz. Neste caso, as expectativas são ainda maiores, por ser entregue, em geral, a figuras mundiais mais conhecidas. O Prémio Nobel da Paz contemplou, em 2018, o médico congolês Denis Mukwege e a ativista yazidi Nadia Murad pelo trabalho que têm vindo a fazer para que se acabe a violência sexual como arma de guerra e conflito armado.

 

OBITUÁRIO

Nas artes, registou-se a morte do mais antigo palhaço português, Emílio Mariani e do dançarino britânico Lindsey Kamp. Nas artes plásticas, morreram Júlio Pomar e Helena Almeida.

Na arquitetura e engenharia, os desaparecidos este ano foram Joaquim Sarmento, Amândio Secca, Manuel Dias, Vasco Morais Soares, Rui Lacerda e António Santa-Rita.

Na ciência, a morte mais mediática foi a do físico britânico Stephen Hawking, tendo morrido também a investigadora portuguesa Odette Ferreira.

No cinema, faleceram os atores Seridev Kapoor, Burt Reynolds e Heather Menzies; os realizadores Nicholas Roeg, Ermanno Olmi, Vittorio Taviani, Milos Forman, Nelson Pereira dos Santos, Bernardo Bertolucci e o português Artur Correia. Da arte de cozinhar, desapareceram Anthony Bourdain e Joel Robuchon.

No desporto, Davide Astori, Henri Michel, João Sobrinho, Carlos Garrancho, Alves Barbosa, Sérgio Leitão, André Campos, Daniel Freitas, Esquerdinha e Joaquim Leão.

No empresariado, faleceram Ingvar Kamprad (Ikea), Fernando Marques (FPF), Manuel Reis (Frágil), Fernando Guedes (Sogrape), Pedro Queiroz Pereitra (Pequepê / Portucel), Francisco Almeida e Sousa (AEP), Fernando Fernandes (Livraria  Leitura) e o vila-realense Taveira da Mota.

No ensino, o relevo vai para os falecimentos de Rui Alarcão e Fernando Belo. Na Igreja, desapareceu D. António Rafael. No jornalismo, Rui Osório, Nuno Silva e Hermano Lambers (Padre Dâmaso).

Na literatura, ocorreram as mortes de Albano Dias Martins, Natália Nunes, Eimuntas Nekrosius, V. S. Naipaul, Júlio Ribera, Neil Simon e Stan Lee. Na moda, desapareceram Hubert de Givenchy e Nara Almeida. Na música, Madalena Iglésias, Dolores O´Riordan (Cranberries), Cecil Taylor, Danny Kirwan (Fleetwood Mac), France Gall, Tim Bergling (DJ Avicii), Joe Jackson, Aretha Franklin, Deolinda Rodrigues, Montserrat Caballé, Charles Aznavour, Maria Guinot e Álvaro Malta. Na política, John Young, Barbara Bush, Winnie Mandela, Afonso Dhelakama, Frank Carlucci, Kofi Annan, John McCain e George H. W. Bush.

Em Portugal, ocorreram as mortes de Rui Pena, Rosado Fernandes, Edmundo Pedro, José Tengarrinha, António Arnaut, João Semedo e os militares Tomaz Ferreira, Varela Gomes e Loureiro dos Santos. No teatro, Guida Maria, Laura Soveral e Mariema Campos. Na televisão, Maria Teresa Ramalho (Tareka), Eloisa Mafalda, Beatriz Segall e Helena Ramos.

 

OPERAÇÃO MARQUÊS

 

O caso mais mediático do fenómeno da corrupção portuguesa envolve o político José Sócrates e um conjunto de nomes da política, da economia, do empresariado: Henrique Granadeiro, Zeinal Bava, Bárbara Vara, Joaquim Barroca, Hélder Bataglia, Ricardo Salgado, entre outros e empresas dos grupos Lena, Vale do Lobo e Oceano Clube, o processo tem 14 anos de duração no Ministério Público.

É o maior processo de fraude fiscal em Portugal, tendo envolvido quatro bancos. Depois da mudança do juiz Carlos Alexandre (substituído por Ivo Rosa) e da Procuradora Geral da República, Joana Marques Vidal, o julgamento prossegue no seu extenso e demorado caminho.

 

OSCARS

 

A cerimónia da entrega dos “Oscars” do cinema, ficou marcada pela afirmação das mulheres em protesto pelos abusos sexuais e pela divulgação de obras em que imperam os monstros. O filme “Três cartazes à beira da estrada” foi o distinguido, pertencendo a Guilhermo Del Toro a estatueta dedicada ao melhor realizador, por “A forma da água”. Gary Oldman, Frances MacDormand, Allison Janney, James Franco, Saoirse Renan e Sam Rockwell foram outros nomes galardoados.

 

PORTUGAL FASHION

 

Uma das boas iniciativas do ano, trouxe ao nosso país um lote celebrado de estilistas, modelos, costureiros, empresário do setor e marcas. Decorreu na Alfândega do Porto, em outubro. Foi a 43ª edição do certame que aliou moda à arte.

 

PRISÕES

Muitos problemas, durante 2018. Greve dos guardas prisionais, queixas e motins dos presidiários, com relevo para a revolta encetada por estes, em dezembro, em Lisboa, com pretexto no cancelamento de ceia de natal onde deveriam estar presentes os seus familiares, movimento que alastrou ao Porto e outras unidades do país (Santa Cruz do Bispo, Custóias, Paços de Ferreira).

Referência para um acontecimento registado em outubro, com a fuga de três indivíduos cadastrados quando tinham sido levados para o Tribunal de Instrução Criminal do Porto, saltando por uma janela. Acabaram por ser recapturados dois dias depois, num parque de campismo, em Medas (Gondomar), Aspetos positivos, os cursos de formação e plataformas de ensino para os presos, iniciativas de trabalho dos reclusos para a comunidade, atividades de integração (com destaque para a prática desportiva) e estabelecimento de regime de prisão domiciliária em crimes de pequena dimensão.

 

 

PROCURADORA

 

Por entre conflitos, ameaças, suspeitas e queixas que envolveram o Governo, os partidos políticos e o Presidente da República, Joana Marques Vidal deixou de ser Procuradora-geral da República, em outubro, sendo substituída por Lucília Gago.

 

PUTIN, Vladimir

 

Reeleito com 74% dos votos, para um quarto mandato, Putin continua dono e senhor da Rússia. Desde então (março de 2018) fomentou encontros e cimeiras (uma delas com Donald Trump, em Helsínquia) e marcou posição política e militar em quase todos os conflitos mundiais, de Israel à Síria, da Ucrânia à Turquia. O ano ficou também marcado pelo caso Skripal decorrido em Londres, com um ataque por envenenamento a um ex-espião russo e à filha deste. Na sequência, registou-se a expulsão de um diplomata russo do Reino Unido, a que se seguiu a expulsão, pela Rússia, de 142 diplomatas de 27 países do seu território, 60 deles do “staff” norte-americano.

 

QUEDA DE AVIÕES

 

Acontecem todos os anos as quedas de aviões. No entanto, em 2018, o número de desastres aéreos diminuiu em relação a anos anteriores. Mesmo assim, foram centenas as vítimas mortais de acidentes deste tipo.

Em janeiro, despenharam-se dois helicópteros do exército francês, causando cinco mortos entre as seis pessoas que estavam a bordo. Em fevereiro, despenhou-se um avião em Moscovo. Transportava 71 pessoas. Não houve sobreviventes.

Em março, despenhou-se um avião quando aterrava no aeroporto de Katmandou, no Nepal. Morreram 49 pessoas e ficaram feridas mais vinte e duas. Maior número de mortes aconteceu num acidente na Argélia, em abril, com um avião militar. Morreram 257 pessoas no que foi considerado o maior acidente aéreo da história daquele país africano.

Em maio, terá sido abatido um avião da “Malasya Airlines”, quando sobrevoava a Ucrânia. Ainda neste mês, a queda de um avião nos Estados Unidos originou a morte de nove pessoas.

Em agosto, caiu um avião no México, não se tendo verificado a morte de nenhum dos 97 passageiros e quatro tripulantes. Os ocupantes saíram do avião antes de este se ter incendiado, após aterragem de emergência no aeroporto de Durango.

Na Indonésia, em outubro, um acidente matou 189 pessoas após a descolagem de um avião da “Lion Air”, em Jacarta. No mesmo mês, o helicóptero do dono da equipa de futebol do Leicester caiu nas imediações do estádio, morrendo o tailandês Vichai Srivaddhanaprabha (dono do clube) e mais quatro pessoas da sua família, assim como o piloto.

Em Portugal, registou-se uma ocorrência que vitimou mortalmente o piloto de um “Cessna”, de nacionalidade paquistanesa, durante um voo noturno de formação, em Ponte de Sor. Já em dezembro, a queda de um helicóptero do INEM, em Valongo, teve como consequência a morte de quatro pessoas.

 

QUIM TORRA

 

Na sequência do processo independentista da Catalunha que levou à saída de Carles Puigdemont de Espanha, após eleições para o parlamento catalão, tomou posse como presidente do Governo Regional daquela região autónoma Quim Torra que concorrera pelo setor independentista, obtendo votos a favor do movimento “Junts per Catalunya” e da “Esquerda Republicana” que superaram os votos contra do partido “Ciudadanos”, do Partido Socialista Catalão, “Podemos” e Partido Popular, num ato em que se absteve a “Candidatura de Unidade Popular”.

 

RAJOY, Mariano

 

Trajeto de Rajoy como primeiro-ministro espanhol foi sempre alvo de atribulações. Em 2018, na sequência dos movimentos independentistas da Catalunha, viu-se a braços com uma moção de censura movida pelo PSOE em razão das acusações de corrupção dirigidas ao PP, o partido de Mariano. A moção venceu, Rajoy deixou o governo e deixou também a liderança do seu partido, após 15 anos nesse cargo.

 

REFUGIADOS

O acontecido com o barco “Aquarius” é o exemplo das grandes dificuldades que o mundo sente com a marcha dos refugiados que deixam os seus sítios, por causa da guerra, da violência, das perseguições, da pobreza e da fome, à procura de um nível melhor das condições de vida. Barco de uma organização não-governamental recolheu migrantes de duas embarcações ilegais, mas viu o desembarque recusado pelo recém-formado governo italiano.

O mesmo aconteceu com outro barco não-governamental, o “Lifeline”, entre muitas mais, abrindo brechas no mundo, nomeadamente na Europa. Desde o dia 1 de janeiro de 2018, morreram dois mil refugiados e migrantes no Mediterrâneo. 150 mil requerentes de asilo conseguiram chegar à Europa, neste ano.

 

 

 

RIO, Rui

O novo presidente do PSD tem lutado contra o “établishment” do seu partido (começando pelo grupo parlamentar social-democrata), procurando adaptar-se à nova situação emergente da formação do governo de António Costa e da saída de Pedro Passos Coelho da cena política e tentando um novo estilo de atuação para ser alternativa. As dificuldades de Rio têm sido evidentes, mas a sua persistência em conseguir ser alternativa também.

 

ROBLES, Ricardo

 

Uma das figuras do Bloco de Esquerda esteve em foco, neste ano, mas pelas piores razões. Ricardo Robles adquiriu um prédio em Lisboa e colocou-o à venda por preço exorbitante, revelando especulação imobiliária. No seguimento de tal caso, demitiu-se da Assembleia Municipal de Lisboa e do lugar que ocupava na Assembleia da República.

 

SILVANO, José

Não foi só ele, mas foi este deputado da Assembleia da República que despoletou o caso das presenças falsas no Parlamento. Apoiante de Rui Rio no PSD, foi sujeito a inquérito, pelo Ministério Público. Outras situações como esta surgiram depois do eclodir deste caso, como o de Feliciano Barreiras Duarte, levando Ferro Rodrigues a repudiar tal comportamento e a propor penalizações para os seus autores.

 

 

 

 

 

SISMOS

 

Uma sucessão de sismos fora do habitual, em Portugal, assustou muita gente e ocasionou mesmo alguns prejuízos. Só em fevereiro, nos Açores, trezentas ocorrências em menos de 24 horas assustaram os seus habitantes que chegaram a sair para as ruas. No mês anterior, houve um outro sismo com epicentro em Arraiolos, fazendo-se sentir em meio país, especialmente no Algarve e na região de Coimbra. Em novembro, foi Peniche a conhecer o mais forte sismo do ano.

A sua magnitude atingiu 5,2 na escala de Richter. No final do mesmo mês, outro tremor de terra de 3,5 de magnitude foi sentido no norte do país. Não houve vítimas pessoais. No estrangeiro, os principais sismos tiveram lugar na Indonésia, fazendo ativar o vulcão “Mayon”; no Peru (três mortos e dezenas de desaparecido), fazendo desabar as galerias de uma mina; na ilha de Taiwan (magnitude 6,4, fazendo derrubar edifícios) houve um número indeterminado de mortos, para além de centenas de feridos e dezenas de pessoas presas nos escombros de um hotel que ruiu. Em agosto, nas ilhas Gili da Indonésia, um sismo de 7,2 de magnitude matou 127 pessoas.

  

SUPERNANNY

 

Deu polémica um programa televisivo na SIC que contava com a presença de crianças e com uma psicóloga clínica na sua condução. Depois de generalizados protestos e da intervenção da Entidade Reguladora da Comunicação Social o programa deixou de ser apresentado, após duas sessões.

 

TANCOS

A mais intrincada situação política de Portugal a partir de acontecimentos nas forças armadas. Depois de terem desaparecido armas dos paióis da Base Aérea de Tancos, a confusão imperou, registando-se mesmo o reaparecimento de algumas delas numa situação considerada encenação de altos responsáveis.

Ocorreu a demissão do Ministro da Defesa, Azeredo Lopes e foi detido Vasco Brazão, da Polícia Judiciária Militar. Foram constituídos nove arguidos, entre eles o coronel Luís Vieira, líder desta força de segurança militar que foi exonerado e substituído pelo capitão-de-mar-e-guerra Paulo Isabel.

Despoletado em 2017, o “caso Tancos” vai ver prosseguir as investigações no próximo ano.

 

 

 

TOURADA

 

A polémica rebentou com o anúncio da descida do valor do IVA nas touradas e outros tipos de espetáculos. Aficionados da Tauromaquia e defensores dos direitos dos animais fizeram ouvir as suas razões relativamente à lide dos toiros, estendendo-se a políticos, deputados e até a ministros, merecendo razões tornadas públicas por Manuel Alegre (a favor das lides) e da ministra da Cultura.

Entre manifestações e quezílias, a Inspeção Geral das Atividades Culturais e a Federação Portuguesa de Tauromaquia garantem que há cada vez mais gente a ir às touradas.

 

TRUMP, Donald

 Depois de um ano de rompante, em 2017, o ano seguinte foi de algum significativo abrandamento. Manteve-se irredutível em relação a alguns factos (a entrada de imigrantes ilegais nos EUA) e cedeu em outros (separação dos filhos e dos pais dos imigrantes ilegais). Fez ameaças mas encontrou-se com outros líderes mundiais com os quais o sistema político americano mantém fortes reservas. Chamou “animal” ao presidente da Síria, defendeu que os professores tivessem armas nas escolas, fez com que os Estados Unidos abandonassem o Conselho dos Direitos Humanos da ONU, insultou países africanos, Haiti, Montenegro, El Salvador, foi criticado por ex-colaboradores seus e ficou embaraçado com as condenações de alguns deles, saiu do Acordo de Paris sobre ambiente, colocou a embaixada dos Estados Unidos de Israel em Jerusalém, abandonou o acordo nuclear com Irão, mandou prender uma atriz porno que denunciou ligações proibidas com Trump, criticou a NATO e a ONU, entre outras. O mais evidente encontro que manteve neste ano foi o que levou a cabo com o líder norte-coreano Kim-Jong Un.

 

UBER

 

Os ânimos entre “uberistas” e taxistas terão refreado, mas as discórdias permanecem. Mesmo o Presidente da República vetou a lei de regulação dos operadores como a UBER, TAXIFY e a CABIFY devolvendo-a à Assembleia da República que a retificou para ser finalmente aprovada e publicada em Diário da República, marcada por taxas extra (5%) para as plataformas, incentivos especiais para taxistas, como na aquisição de viaturas elétricas. Os taxistas participaram em manifestações em todo o país e ficaram parados alguns dias, como protesto pelas concessões garantidas às plataformas.

 

URÂNIO

 

Portugueses e espanhóis juntaram-se em protesto contra um projeto de instalação de mina de Urânio a menos de 40 quilómetros da fronteira com Portugal, ameaçando rios (entre eles o Douro) e outros cursos de água e através de poeiras radioativas.

Em resultado de uma reunião entre os ministros do Ambiente de ambos os países, o projeto foi abandonado.

 

VACINAS

 

Há quem critique a obrigatoriedade de vacinar e quem tema que a sua falta provoque danos incalculáveis na saúde. Em 2018, multiplicaram-se casos de sarampo, fazendo 110 mil mortos em todo o mundo. Entretanto, a aprovação de propostas para incluir três novas vacinas no Programa Nacional (Meningite B, Rotavirus e Vírus do papiloma humano) está a ser muito contestada, desde novembro.

Em causa, a aprovação pelos partidos do Parlamento sem que as autoridades de Saúde fossem ouvidas, naquilo que a Diretora Geral da Saúde, Graça Freitas, considerou um “grave precedente”.

 

VARA, Armando

 

Esgotou todos os recursos e reclamações pela condenação de que foi alvo no caso “Face Oculta”. Irá cumprir na cadeia os cinco anos de detenção a que foi condenado, por crimes de tráfico de influências. Segundo o ex-político, “estou à espera que me convoquem para a prisão”.

 

VENEZUELA

 

Decrepitude na grave crise que faz sair torrentes de pessoas do país de Chavez e de Maduro. Não obstante a mudança da moeda e a atualização do ordenado mínimo para níveis mais aceitáveis, ainda assim a crise parece não ter fim ou, pelo menos, não ter resolução nos anos mais próximos.

Preços mantêm-se altos, prateleiras dos supermercados continuam vazias, não há alimentos nem medicamentos disponíveis e suficientes. Acentua-se o isolamento político do país.

Milhares de portugueses já regressaram.

 

VISITAS

 

Para além de outras visitas, como as de Barack Obama (em julho) e dos reis da Bélgica, Matilde e Filipe (em outubro) tiveram muito impacto as visitas que foram feitas ao nosso país por João Lourenço (presidente de Angola), em novembro: e por Xi Jimping (presidente da China), no início de dezembro.

 

WEB SUMMIT

 

Nova edição deste certame decorreu em Portugal, com muito sucesso, na linha do que acontecera no ano anterior. O governo português garantiu apoio de 3,9 milhões de euros a Paddy Cosgrave, CEO da “Web Summit”, divididos por três anos da estadia desta grande cimeira tecnológica que reuniu, em 2018, 70 mil visitantes, entre 5 e 8 de novembro. O facto mais polémico deste certame foi o convite que a organização dirigiu a Marine Le Pen para ser oradora. Após grande celeuma, com milhares de protestos nas redes sociais e as objeções dos partidos de esquerda, o convite à líder da extrema-direita francesa foi retirado, sobrando para a organização o rótulo de aplicação de censura.

 

WILLIAMS, Serena

 

Pertenceu a esta tenista a maior bronca desportiva do ano, quando se envolveu em discussão sonora e enraivecida com o árbitro português Carlos Ramos, na final do “Open” dos Estados Unidos que perdeu. Após esta situação, anunciou não jogar mais nesta temporada. Ao invés, o árbitro português de topo do ténis internacional voltou ao trabalho na “Taça Davis” seguinte.

 

XANANA GUSMÃO

As eleições legislativas de Timor-Leste deram a vitória ao partido “Aliança para o Progresso”, de Xanana Gusmão, que assim volta a liderar o país, após a saída como utente do mesmo cargo em 2015.

 

 

 

 

 

 

 

XI JIMPING

 

Em março de 2018, viu a Assembleia Nacional do Povo terminar com o limite de mandatos presidenciais, pelo que tudo indica que o atual presidente se perpetue no poder, como aconteceu com Mao Tsé-Tung. Abre-se uma nova era na China.

 

Y FATOR

 

Manipulação genética. No fim do ano, chegou o alarme. Um cientista chinês assegurou ter conseguido modificar o DNA de um embrião humano. Só o futuro poderá determinar a importância ou a desgraça deste feito. Para já, He Jiankui (o cientista) está desaparecido e as críticas mundiais sucedem-se, em vários campos.

 

ZIMBABUÉ

 

Em eleições polémicas, Mnangagwa sucedeu a Mnangagwa como presidente deste país. Depois da queda de Robert Mugabe, Mnangagwa ocupou o trono provisoriamente, até ao ato eleitoral que foi denunciado por toda a oposição como “fraudulento”, com graves tumultos e confrontos que causaram treze mortos em Harare, capital zimbabueana.

 

ZUMA, Jacob

Acusado de corrupção, o presidente da África do Sul escapou à destituição, em 2018, pelo facto de o Tribunal Constitucional daquele país ter considerado não ter poderes para tal, na inexistência de regras próprias para esse efeito. Todavia, por pressão do Partido ANC (Congresso Nacional Africano), Zuma demitiu-se de seguida, cedendo o seu lugar ao vice-presidente Cyril Ramaphosa.

 

 

 

 

 

 

 

NOTA – Esta retrospetiva refere factos registados até ao dia 15 de dezembro de 2018. Em apêndice, numa das próximas edições, será completada e publicada a lista de outros acontecimentos especiais que possam ocorrer até ao último dia do ano.

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