Aliás, a palavra “escanhoar” praticamente desapareceu do nosso vocabulário. Já nem os barbeiros (hoje designados como “cabeleireiros de homens”) a usam. Preferem dizer “desfazer a barba”.
Mas a ideia dominante, nos dias de hoje, é não desfazer a barba, antes mantê-la forte, eriçada, selvagem ou tratada com tesoura em cortes mais ou menos originais.
Ou seja, tal como a barba cresce, naturalmente, a Natureza também oferece a renovação constante das paisagens dos sítios onde viceje e cresça o tapete vegetal arbustivo.
Poderemos cortar os matos, por agora, mas decerto eles voltarão a crescer dentro de pouco tempo, exigindo que se volte a cortar. Como a barba de alguns. A alternativa é deixá-la crescer, como a barba de outros.
Na prevenção dos incêndios florestais isto é uma complicação. Limpar as matas, a massa combustível que aflora dos solos, fazer aceiros e criar acessibilidades tem sido feito, felizmente, neste ano que se seguiu às tragédias como a de Pedrógão Grande. Mas urge que a limpeza se volte a fazer, depois, impedindo que o que hoje foi cortado amanhã reapareça e o perigo da combustão também.
O que se vê nas bermas das estradas nacionais é bem exemplificativo. Uma vez ou outra (muito raramente) as beiras das estradas, as condutas de água, a visibilidade das sinalizações são devidamente “escanhoadas”. Mas depois volta tudo ao mesmo. Mete impressão percorrer a Estrada Nacional 2, por exemplo, na nossa região.
(Toda a gente se recorda, ao percorrê-la, dos antigos competentes cantoneiros da JAE).





