Sexta-feira, 10 de Abril de 2026
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Ontem & Hoje150 anos após o primeiro: Postais de boas festas, um hábito que se perdeu

150 anos após o primeiro: Postais de boas festas, um hábito que se perdeu

Nos dias de hoje já não há o hábito de enviar postais ilustrados pelo correio às pessoas amigas.

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Como os de boas-festas. Por várias razões, a mais importante das quais será o aparecimento das redes sociais que os substituem com evidente comodidade. Basta fazer um clique e, no mesmo momento, a pessoa a quem nos dirigimos recebe-os no telemóvel.

Uma legenda que se mantém

O envio dos postais de natal e ano novo já era, mas uma frase se mantém, porque se continua a desejar bom natal e um feliz ano novo sem ser necessário escrevê-la. É a velha frase “A merry christmas and a happy new year” que, em Portugal, traduzimos para “Feliz natal e próspero ano novo”.

“Ninguém ignora que o Natal é a festa do nascimento de Jesus Cristo. Mas poucos sabem como nasceu a festividade do Natal. Não nos ocupamos aqui dos costumes e tradições ligadas ao Natal, mas da própria festividade, de como ela aparece na Igreja primitiva e se propaga. Teria o nascimento de Cristo sido data importante para os cristãos primitivos? Teria Jesus Cristo nascido a 25 de Dezembro? Desde quando a celebração nesta data e porquê? Os primeiros cristãos ignoraram a festa de Natal celebrada a 25 de Dezembro. Só após algum tempo de reflexão teológica e foi chegando ao nascimento de Cristo. O mistério mais importante que desde sempre chamou a atenção e concitou interesse foi a morte e a ressurreição de Cristo. O nascimento começou por ser secundário”

Eloy A. Pinho, sacerdote, no jornal “Defesa de Espinho”, de 22 de dezembro de 1988

Primeiro postal de natal quando foi?

Se quanto ao hábito de fazer um presépio (esta palavra, na sua origem, significa “estábulo”, “curral”) – um elemento figurativo abundante nos cartões de boas festas – as primícias apontam para São Francisco de Assis (1223), a questão dos postais de natal é mais suscetível de confusão. A opinião dominante aponta para um inglês rico, diretor de um museu, que tinha uma vida social muito intensa, e que não gostava do natal no sentido em que tinha a obrigação de receber muitas pessoas que lhe iam desejar o usufruto de boas festas (natal e ano novo).

Também há quem aponte para a criação e expansão desse hábito a um rei nórdico, Frederick de seu nome, que, na véspera de um natal, no século XVII, enviou um mensageiro com uma carta de caráter político ao chefe do exército do seu país, acompanhando o texto da missiva com um desenho despretensioso, com estrelas e velas acesas, de sua autoria, feito a bico de pena. Essa inovação causou profunda admiração nos súbditos de sua majestade.

Outros dados têm sido referidos sobre a invenção dos cartões coloridos (até Leonardo da Vinci é apontado como autor do primeiro!), sendo que a rainha Vitória de Inglaterra terá contratado um naipe significativo de ilustradores para levarem a cabo a tarefa de desenhar velas, bolas, fios, paisagens e bonecos de neve com uma cenoura no lugar do nariz, flores, elementos ligados à natureza (ainda sem a Sagrada Família num casebre, nem o Pai Natal).

Sobre este, também há quem afirme ter sido uma descoberta da Coca Cola norte-americana, o que costuma dizer-se de tudo quanto aparece de novo (“Made in USA), mas que não é verdade. A empresa que utiliza a imagem do velho barrigudo de barbas brancas em abundância já o desmentiu.

O papel essencial dos correios

A opinião mais dominante (provavelmente a mais credível) aponta, com efeito, para o tal ricaço britânico Henry Cole que, tendo tantas vezes desejado boas festas oralmente, estendendo tantas vezes a mão a tantas pessoas que a ele se dirigiam para, com ar amável e amigável, lhe desejar boas festas, se lembrou de utilizar os correios para que estes fizessem entrega, na casa de cada um dos seus muitos amigos, de um singelo cartão com a tal frase “Merry christmas and a happy year”.

Para personalizar e enfatizar essa mensagem natalícia, o senhor Cole (diretor do South Kenswood Museum) entrou em contacto com um ilustrador profissional (chamado Hosley) para que arranjasse forma de ilustrar cartões com motivos diferentes, a fim de os mandar para diversas personalidades e entidades (para estas com prioridade absoluta, atendendo aos fins convenientes) por se tornar impossível continuar a desejar presencialmente boas festas a todos.

Assim se fez. O primeiro cartão de boas festas terá sido enviado, então, no ano de 1875. Começou a expandir-se há 150 anos, com a ajuda dos correios.

Postais. O que eram?

Os bilhetes postais do correio eram cartões com selo já impresso e cujas duas faces tinham diferentes objetivos. A face frontal era destinada à identificação e morada do destinatário e do remetente. Na outra face (branca, sem inscrições de qualquer tipo) escrevia-se o que se pretendia, de forma simples e rápida. A mensagem era aberta, qualquer pessoa poderia lê-la. Não era usado envelope.

Mas postal de boas festas era diferente. Podia ter duas faces mas também poderia ser dobrado a meio, gerando quatro. Os correios, vendo nesse hábito uma forma de capitalizar os seus produtos dedicou-se, durante alguns anos a editar postais de natal com gravuras artísticas e com as mensagens natalícias já escritas ou não. Quem o adquirisse só teria que colocar numa das faces o seu nome, se possível escrito por sua mão. Era cómodo fazê-lo.

Não era a mesma coisa expedir cartões de boas festas. Eram enviados em sobrescritos que deveriam ser selados e fechados com cola. Por isso, esse tipo de mensagem tinha um caráter mais afetivo, mais pessoal, com alguma intimidade. E, obviamente, quem o recebesse deveria (o que era feito quase sempre) responder, desejando o mesmo, sob a fórmula “agradeço e retribuo os amáveis votos de boas festas”.

Votos de boas festas num “click”

Nos tempos atuais, as coisas são ainda mais simples e rápidas: um dedo no teclado e os desejos de boas festas aí vão, sem grandes delongas, iguais para todos, muito democraticamente, mas de forma menos criativa.

Por falar em criação, pode referir-se também os belos cartões que reproduzem pinturas de grandes autores que não deixaram de dar o seu contributo para a divulgação mundial do nascimento de Jesus. Afinal, é esse menino o “culpado” de se celebrar o natal, em termos religiosos ou pagãos, também entre lendas e tradições.[/block]


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