Depois de ter passado por clubes como GD Chaves, SC Vila Real, SC Régua, Vítor Gamito deixou os relvados cedo, aos 27 anos, porque decidiu que pretendia seguir a carreira de treinador, quando foi estudar para a universidade, onde se licenciou em desporto. Foi aí que sentiu que tinha aptidão para ser treinador e foi tirar um mestrado em alto rendimento. “Como treinador, o objetivo é atingir o nível que não conseguiu enquanto jogador”.
Depois de ter treinado em Espanha, como adjunto na formação do Levante, onde fez o estágio do ISMAI, seguiu-se o GD Vilar de Perdizes, juniores do GD Chaves, Vidago e novamente Vilar de Perdizes, sempre em campeonatos nacionais.
Na temporada passada alcançou a manutenção do Vilar de Perdizes no Campeonato de Portugal (CP), um feito histórico para um clube de uma aldeia do Barroso. Esta época, Vítor Gamito coloca a fasquia ainda mais alta. “Queremos ficar nos cinco primeiros lugares do campeonato”.
O Vilar esteve três meses sem perder para o campeonato, mas o treinador assume que tem qualidade para fazer mais. “Temos capacidade para fazer mais e melhor e não nos contentamos com aquilo que temos vindo a fazer, apesar de termos um plantel e uma equipa técnica muito jovem, mas todos temos a ambição de chegar ao profissionalismo. E, para isso, temos de nos destacar no nosso campeonato e, por isso, queremos atingir a excelência e espero fazer uma segunda volta muito melhor”.
Com a casa às costas, uma vez que não podem jogar no campo da Laje, Vítor Gamito refere que o mais fácil seria “atirar a toalha ao chão”, no entanto, “desde o primeiro dia que vivemos o projeto com muita paixão, e é isso que faz que uma equipa de uma aldeia possa competir no CP. Serve para ganharmos escala e tudo o que é adversidade faz-nos crescer”.
O treinador reconhece que este campeonato “é muito competitivo”, onde se pode ganhar ou perder com qualquer equipa.
Com constantes alterações dos quadros competitivos, o técnico critica o atual modelo, que termina para a maioria das equipas em abril. “Não se compreende este modelo. Descem cinco equipas, é uma percentagem muito elevada, pelo que o mais justo seria uma prova com 18 e 20 equipas, todos contra todos e menos séries, como aconteceu no passado. Acho que devem olhar para o CP como o verdadeiro campeonato das oportunidades. Mais tarde ou mais cedo, isso vai acabar por acontecer”.
Gamito diz que “tenho o plantel que queria dentro das possibilidades, porque temos um orçamento que é para cumprir. Os jogadores têm todas as condições para a prática desportiva, num plantel jovem que quer chegar ao profissionalismo”, sublinha Vítor Gamito, que também quer chegar mais longe no competitivo mundo do futebol. “Já vou para a terceira época em campeonatos nacionais e espero alcançar os campeonatos profissionais”, confessa, sublinhando que se identifica muito com o treinador espanhol Unai Emerry. “Gosto de vários (José Mourinho, Jorge Jesus, Jürgen Klopp), mas Unai Emerry veio do nada e tem feito uma carreira fantástica”.
O programa “Bola ao Centro” pode ser visto todas as quartas-feiras, às 21h00, em direto no Facebook do jornal.
Veja o vídeo em AQUI