Segundo a edição de ontem do jornal “Público”, a investigação consistiu em medições detalhadas da qualidade do ar em 58 salas de 25 creches, jardins-de-infância e escolas primárias da Área Metropolitana do Porto e do distrito de Bragança. Os resultados constataram que o ar estava mais poluído do que é admissível na maioria dos casos, o que não é uma novidade.
Contudo, o resultado mais inesperado foi a identificação de níveis elevados de radão nos estabelecimentos de Bragança. Este gás é reconhecido como a segunda causa de cancro do pulmão e os efeitos na saúde dependem do nível de exposição. A legislação nacional descreve como sendo obrigatória a realização de análises em grandes edifícios comerciais e de serviços nos distritos de Braga, Vila Real, Porto, Guarda, Viseu e Castelo Branco, não constando Bragança na lista.
Desta forma, as análises efetuadas constatam “valores preocupantes”, segundo revelou ao “Público”, Sofia Sousa, investigadora principal do projeto “Inairchild”, liderado pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e envolvendo também a Faculdade de Medicina da mesma instituição e o hospital de São João, no Porto.
Os dados apontam valores que chegam a cerca de 800 becquerels por metro cúbico, duas vezes o limite máximo previsto na legislação nacional e quatro vezes o adotado em países como a Irlanda, Reino Unido, Espanha e Suécia. Das salas avaliadas no distrito de Bragança, 65% tinham radão a mais, o que Sofia Sousa considera que “pode ter a ver com os materiais de construção”.
“O que vamos fazer é tentar que os resultados cheguem aos legisladores e a outras pessoas que possam mudar esse panorama”, afirmou a investigadora.





