Terça-feira, 18 de Janeiro de 2022
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“Falta” a Linha do Douro no 20.º aniversário do Património Mundial da UNESCO

A Associação Vale d’Ouro reivindicou hoje como “prenda” pelo 20.º aniversário do Douro Património Mundial da UNESCO a reativação do troço internacional da linha ferroviária para posterior ligação a Espanha.

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“Havia condições para que hoje estivesse a iniciar-se a obra da reabertura até Barca d’Alva. Infelizmente continuamos à espera de uma comissão de trabalho, continuamos à espera que a obra da eletrificação entre o Marco e a Régua comece e que o projeto da eletrificação entre a Régua e o Pocinho seja lançado”, lamentou o presidente da direção da Vale d’Ouro, Luís Almeida, citado num comunicado divulgado pela associação.

Sediada no Pinhão, no concelho de Alijó, distrito de Vila Real, a associação tem estado na linha da frente da defesa da linha ferroviária do Douro e da sua reativação até Espanha.

Para o dirigente associativo, a “prenda perfeita” dos 20 anos da inscrição do Alto Douro Vinhateiro (ADV) na lista da UNESCO como paisagem cultural, evolutiva e viva “era a reabertura” deste troço.

E, para assinalar o aniversário, que se celebra hoje, a associação lançou um vídeo de cerca de quatro minutos em que recorda os marcos históricos da linha, mas também algumas das características e perspetivas para o futuro da mesma”.

Com foco na reabertura do troço Pocinho – Barca d’Alva, a Associação Vale d’Ouro avança com uma “estimativa na ordem dos 50 milhões de euros para que os comboios comecem a circular a curto prazo até à fronteira”.

De acordo com a instituição, “o investimento na linha do Douro revolucionará a mobilidade na região reaproximando os territórios transfronteiriços do litoral, aproximando o Douro e devolvendo ao país um dos seus tesouros mais bem guardados”.

Luís Almeida lamentou que o dia de aniversário “não seja o de lançar a primeira pedra, ou no caso a primeira travessa da reabertura” e referiu que “este é o grande assunto na agenda na região” e, por isso, “num dia tão importante é imperativo que a Linha do Douro seja tema central”.

“Estamos a falar de um investimento muito reduzido, já validado pela Assembleia da República e com capacidade de gerar um retorno capaz de amortizar rapidamente o investimento”, salientou.

A Assembleia da República aprovou em março, por unanimidade, os projetos de resolução do BE, PAN, PSD, PCP e PEV que defendem a requalificação da Linha do Douro, a reabertura do troço Pocinho – Barca d´Alva e a reativação da ligação a Espanha.

Em maio de 2021 foi formalizado o grupo de trabalho que está a estudar e definir o modelo de reabertura do troço ferroviário de 28 quilómetros, entre o Pocinho e Barca d’Alva que foi encerrado em 1988, estando prevista a apresentação das conclusões até ao verão.

A Linha do Douro desenvolve-se ao longo de 191 quilómetros, de Ermesinde (Porto) a Barca d´Alva (Guarda).

Depois de 20 anos da classificação do ADV, Luís Almeida diz que “o balanço é positivo”.

“Cresci num território antes da classificação e vê-lo evoluir neste período foi muito interessante, ainda falta fazer muito e corrigir muito, há uma sensação no território que pouco mudou mas penso que na globalidade estamos melhor”, referiu.

Sobre a região, acrescentou que “ainda falta uma entidade que possa defender os interesses do Douro e integrar todas as dimensões que concorrem para o desenvolvimento do território”.

“A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Douro, desde há quatro anos, começou a fazer muito desse trabalho, mas faltam mais competências para que possa assumir totalmente esse papel”, apontou.

A cerimónia evocativa dos 20 anos do ADV decorre esta tarde, em Lamego, no distrito de Viseu, e conta com participação da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa.

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