A bordo de um comboio, na Linha do Douro, onde fez uma viagem entre o Pinhão e o Pocinho, na segunda-feira à tarde, António José Seguro afirmou: “O Douro não para de me surpreender”.
“Aquilo que me parece neste momento importante é dizer aos portugueses e apelar: venham conhecer o Douro, venham fazer esta viagem de comboio, é extraordinário. O nosso país, com a dimensão que tem, tem coisas maravilhosas, únicas e esta é, de facto, única no mundo”, salientou.
Durante o percurso, o Presidente da República praticamente não se sentou e foi espreitando o Douro pela janela do comboio: o rio, as vinhas em socalcos e as encostas.
“O interior tem um potencial enorme, é uma terra de oportunidades. Eu deixo um apelo muito claro, um apelo a que deem uma oportunidade ao interior de Portugal e uma oportunidade ao Douro”, frisou.
A viagem de comboio do Presidente da República de comboio liga dois patrimónios mundiais da UNESCO – o Alto Douro Vinhateiro, que este ano assinala os 25 anos da classificação, e o Vale do Côa, que celebra 28 anos.
Questionado sobre a necessidade de m ais investimento neste território e na ferrovia, António José Seguro defendeu que o “investimento tem que ser um investimento estratégico, integrado, não pode ser um somatório de investimentos por mais relevantes que eles sejam”.
“Tem que haver aqui uma gestão integrada, que junte o Estado, autarquias, privados, e que possa resultar num benefício económico e emprego de qualidade designadamente através do turismo”, sublinhou.
Porque aqui, disse, há o que não existe em outras zonas do mundo, “são estas encostas fantásticas do Douro, este rio lindíssimo que ora estreita, ora alarga nas duas margens”.
Concretamente sobre a ferrovia, disse que “todos os investimentos devem ser considerados, mas deve haver um plano estratégico para que os investimentos alavanquem outros investimentos” e exemplificou com o Alqueva.
“Durante anos e anos reivindicava-se a construção da barragem do Alqueva, muita gente duvidava que fosse rentável, vejam o que o Alentejo beneficiou com a construção da barragem que é uma barragem multifunções: para a agricultura, o turismo, entre outras e isso é bastante relevante”, realçou.
Acrescentou que “é isso que deve ser feito em todos os territórios e também nos territórios do interior”.
“Não há territórios dispensáveis no nosso país, todos podem dar um contributo para a criação de emprego, para a fixação de população, sobretudo dos jovens, e para atrair riqueza através do turismo”, realçou.
A Linha do Douro liga atualmente o Porto ao Pocinho e a reativação até Barca d’Alva é reivindicada há vários anos.
“Já tive oportunidade de falar sobre como vejo a gestão deste investimento e a necessidade de gerirmos o território com inteligência”, acrescentou sobre este assunto.
Depois da viagem de comboio, António José Seguro participou na celebração do 30.º aniversário do Parque Arqueológico do Vale do Côa.


