InícioMondim de BastoFeira de Ano superou expectativas e promete regressar com edição alargada

Feira de Ano superou expectativas e promete regressar com edição alargada

Autarca faz um balanço “muito positivo” desta promoção do mundo rural, que está cada vez mais vivo, e é importante para a dinâmica de um concelho como Mondim de Basto

A Feira de Ano de Mondim de Basto, que se realizou no dia 22 de outubro, recuperou a tradição e a importância que outrora a caracterizavam. Pelas ruas da vila, a azáfama de um dia de feira e festa foi visível, com muitas pessoas a comprar no Mercadinho Rural, a assistir ao concurso pecuário, e de tarde a Av. Dr. Augusto Brito encheu-se de espectadores, atentos e entusiastas, para ver a Corrida de Cavalos – Passo Travado. A prova foi disputada por 31 exemplares da espécie equina e um da espécie asinina.

Um dos agricultores presentes no evento, Manuel Ferreira Gonçalves, residente em Campos, a meio da manhã já tinha a banca praticamente vazia, o mesmo será dizer que o negócio correu “muito bem”. Vende produtos que o próprio colhe nos seus terrenos, como cebolas, grelos, alface, salsa, feijão, couves, entre outros, mas às 11h00 já pouco tinha para vender. “Já costumo fazer as feiras bimensais, mas vi aqui também uma nova oportunidade das pessoas comprarem estes produtos que trago das minhas hortas”, disse este produtor, que garantiu a qualidade da sua produção, que “não tem químicos”. É “tudo biológico”.

A seu lado estava o apicultor António Lemos, que tinha para vender o “famoso mel de Mondim de Basto”. Entre a conversa e mais um pote de mel vendido, este funcionário público reformado encontrou nas abelhas uma forma de “passar melhor o tempo” ao cuidar das suas 150 colmeias. No entanto, o negócio já teve melhores dias, pois agora as despesas “são muitas” e os apoios “poucos”. “As colmeias dão trabalho e muitas despesas, sobretudo os tratamentos das doenças. Além disso, este ano não correu nada bem devido às condições climatéricas e aos incêndios”. Apesar de todas estas contrariedades, o mel “é mais escuro e muito bom”, derivado a ter 90 a 95 por cento de urze, aqui da serra do Alvão”.

Visivelmente satisfeito com este regresso vinte anos depois da última edição da Feira de Ano, o presidente da Câmara de Mondim de Basto, Humberto Cerqueira, sublinhou que a adesão das pessoas e dos criadores foi “bastante boa” e promete que no próximo ano, como a data coincide com um sábado, a ideia passa por lhe dar outra dimensão”, ao integrá-la no “fim de semana”.

Num concelho com oito mil habitantes, quase 300 pessoas dedicam-se à criação de gado, sobretudo na parte mais alta do território, onde o destaque vai para a raça maronesa, uma carne de qualidade reconhecida em qualquer ponto do país. Por isso, o autarca destaca a importância destes eventos que servem como “ponto de encontro” entre produtores de vários concelhos, como Vila Real, Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar e Mondim de Basto. “A pecuária tem um peso importante na paisagem do território e no desenvolvimento do turismo. É também importante a nível social e económico, uma vez que se tem registado um regresso ao setor e não o contrário, nestes tempos de crise”, revela Humberto Cerqueira, que agradeceu o empenho de todas as entidades que apoiaram esta iniciativa.

O Concurso Pecuário contou com 51 inscrições e premiou os melhores animais de sete secções, premiou também o melhor animal do concelho e atribuiu ainda prémios de participação. Um dos vencedores veio de Vila Pouca de Aguiar, Mário Sousa de Jesus, sendo já um hábito participar neste tipo de concursos. Os animais que concorrem para os prémios têm um tratamento especial, como nos explicou este criador. “A alimentação é diferente, é mais rica, baseada em batatas com farinha especial para o pêlo ser mais macio. São ainda animais que ficam mais tempo fechados na corte por causa do lustro”, diz este agricultor, que se queixa do negócio de venda de carne. “Isto já teve dias bons, agora está muito mau”.

Falamos ainda com outro criador, Domingos Mendes, que veio de Ribeira de Pena, onde tem uma exploração com 15 cabeças de gado, sendo que também tem cuidados especiais e redobrados com os animais que apresenta nos concursos. “Estão quase sempre fechados. Comem tudo à base de feno, farinha, centeio e batatas”. Apresentou seis animais a concurso e ganhou alguns prémios, em que o mais valorizado pelo júri passa pela beleza e a robustez do animal. No próximo fim de semana vai estar na Feira dos Santos, em Chaves, também a mostrar os seus belos exemplares de raça bovina.

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