Segunda-feira, 4 de Julho de 2022

Feira do Linho “abre as portas” ao Centro Interpretativo

A IX edição da Feira do Linho de Ribeira de Pena que começa amanhã e decorre até domingo, ficará marcada pela inauguração do Núcleo Museológico da Venda Nova. Este espaço, único no país, acolherá a memória viva de uma actividade ancestral do concelho, ligada ao cultivo, produção e transformação do linho. O certame, organizado pela […]

A IX edição da Feira do Linho de Ribeira de Pena que começa amanhã e decorre até domingo, ficará marcada pela inauguração do Núcleo Museológico da Venda Nova. Este espaço, único no país, acolherá a memória viva de uma actividade ancestral do concelho, ligada ao cultivo, produção e transformação do linho. O certame, organizado pela Câmara Municipal de Ribeira de Pena, está orçado em cerca de cinquenta mil euros.

 

Este ano, são esperados cerca de dez mil visitantes, na Feira do Linho de Ribeira de Pena.

O Presidente da Câmara Municipal de Ribeira de Pena, Agostinho Pinto, considera esta mostra de produtos locais como “um evento importante, para o concelho, em termos da divulgação e promoção de produtos endógenos”. Acredita o autarca que “a Feira é o maior acontecimento turístico da região, é um evento que tem trazido a Ribeira de Pena diversas pessoas, para verem e apreciarem as peças de linho”. O edil considera que o certame é a montra do verdadeiro e autêntico artesanato do concelho e uma mais-valia para as populações”.

 

No concelho, funcionam duas Cooperativas do Linho, esperando-se a formação de mais duas

 

“As nossas populações, infelizmente, não vivem do linho, mas podem ter, neste evento, a promoção dos seus produtos” – referiu Agostinho Pinto. O autarca aproveitou para fazer o ponto da situação do sector do linho, no concelho, avançando com uma novidade: “espero que surjam mais duas cooperativas a funcionar, em pleno, em Ribeira de Pena. Neste momento, já existe uma, em Limões, e outra em Cerva”.

A qualidade do artesanato do linho já ultrapassou as fronteiras: ”Já temos alguma divulgação, ao nível de Espanha. Temos uma cooperativa a trabalhar muito bem, para este país. A outra, infelizmente, devido ao número de pessoas que trabalham na cooperativa, não tem capacidade de resposta”. Agostinho Pinto aproveita para fazer um apelo: “Faço um convite às camadas jovens que se dediquem a esta actividade. Provavelmente, no futuro, poderá ser algo rentável”.

Neste momento, existem cerca de 30 artesãos a trabalhar no linho, no concelho de Ribeira de Pena. Este ano, a data da Feira do Linho foi alterada. Uma mudança que representou uma promessa do autarca.

“Prometi, no ano passado, deslocar a Feira do Linho das Festas do Concelho. O evento é algo que já tem importância, a viver por si só e, provavelmente, no dia 13, vamos dizer que valeu a aposta. Noto que havia uma duplicação de eventos. Muitas pessoas vinham às Festas do Concelho e não à Feira do Linho. Eu já o tinha prometido e, este ano, cumpri. O objectivo é avaliar, na íntegra, a dimensão deste acontecimento. Eu estou convencido de que será um sucesso. Além da exposição, vamos ter espaços e actividades de lazer, culturais e recreativas, para que as pessoas se possam divertir”.

 

“Confraria dos Milhos” anunciada para o próximo ano

 

Segundo Agostinho Pinto, estarão presentes cento e onze expositores.

“Vamos ter uma feira que não fica atrás de nenhuma outra, em número de artesãos” – salientou.

A animação da feira vai ser feita, essencialmente, com a “prata da casa”.

“É uma aposta que fizemos, para divulgar, prioritariamente, os nossos grupos, ranchos folclóricos e grupos musicais” – referiu o autarca. Este fez questão de vincar a “genuinidade local“ da Feira do Linho. “Houve, sem dúvida, uma preocupação em não aceitar algo que não estivesse de acordo com as características do evento. O linho é o mote, mas temos outros tipos de artesanato, no nosso concelho, representados. Nomeadamente a madeira e a pedra, mas, de qualquer forma, houve situações em que nós, por uma questão de espaço em si, por uma questão de procura que houve para esta feira, tivemos que dizer que não a algumas pessoas”.

A componente gastronómica tradicional está salvaguardada. Os pratos regionais, como os milhos, couves com feijão e os nacos da vitela maronesa farão as delícias dos visitantes. Para o próximo ano e nesta área, deverá ser apresentada, oficialmente, a “Confraria dos Milhos”.

O autarca aludiu ainda ao espaço museológico da Venda Nova.

“Tudo começou, há seis anos, após uma visita. Reparei que esta área reunia condições, depois de restaurada, para acolher um local que pudesse funcionar como Centro Interpretativo do Linho ou Museu, relativo ao seu Ciclo. A sua recuperação foi concluída e esta é a 1ª fase. Para o futuro, a Câmara está na disposição de adquirir algumas peças. A primeira etapa já está ganha e temos aqui algumas peças que farão parte do espólio da Câmara Municipal, depois de adquiridas, junto dos seus donos.

 

Exposição “anuncia” Centro Interpretativo do Linho e Museu de Ribeira de Pena

 

Francisco Botelho foi o grande dinamizador e impulsionador do Centro de Interpretação do Linho e da exposição que inaugura este espaço.

“Há muitas exposições sobre o linho, mas nós tivemos a preocupação de a fazer, essencialmente, ligada à tradição do linho, em Ribeira de Pena. Aqui, temos dois grandes grupos de produção de linho, um em Cerva e outro em Limões e o material que aqui está diz respeito a estas instituições. O Centro Interpretativo acolhe peças muito características. Esta exposição do ciclo do linho pode funcionar como o primeiro passo para a criação de uma unidade museológica. O imóvel onde está instalado é um espaço patrimonial importante, na medida em que foram Paços do Concelho, até 1932. Porém, em 1918, arderam muitos documentos, devido a um incêndio, inclusivamente o nosso arquivo foral afonsino. O imóvel foi recuperado, mas não servia, minimamente, as funções de Paços do Concelho, pelo acabou abandonado. Até que, recentemente, foi recuperado, para um Centro Interpretivo que, no fundo, procura cultivar a memória de Ribeira de Pena. A exposição do ciclo do linho vai estar presente, ali, até ao final do ano. De Setembro a Dezembro, iremos trabalhá-lo, intensamente, com as escolas do concelho. Queremos que todos os alunos saibam como se tratava o linho e ficará em depósito da Câmara Municipal, constituindo um núcleo de um futuro museu, a instalar” – acrescentou.

Segundo Francisco Botelho, a ideia é a constituição de um espólio para o futuro Museu de Ribeira de Pena.

De referir, no cardápio festivo e com o intuito de dar a conhecer o ciclo do linho, a Cooperativa de Tecelagem de Limões vai fazer a demonstração de uma espadelada. No último dia, a estilista Liliana organiza um desfile de moda, com peças em linho, comprovando que é possível fazer trabalhos de moda inovadores, acrescentando uma mais-valia significativa ao produto.

 

José Manuel Cardoso

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