Nesta edição os visitantes vão ser surpreendidos com produtos inovadores como o salpicão de cereja, que será uma das grandes novidades deste ano. Uma conjugação de um enchido característico do concelho, com aquela que é a imagem de marca de Alfândega da Fé, a cereja. Trata-se de um produto desenvolvido pelo Chef António Mauritti, que lançou o desafio a uma produtora local de fumeiro, designada D’ Avó Maria. Para os apreciadores de doces, a Festa vai oferecer o nitrogelado de cereja, produzido com leite de cabra ou ovelha de Alfândega da Fé, a partir de gelo seco. As compotas, os licores, os bolos completam os sabores à base de cereja e não vai faltar aquela que já é uma presença assídua nesta Festa: a Cerveja de Cereja.
Estas são formas apelativas e inovadoras de acrescentar valor a produtos tradicionais fazendo de conjugações improváveis, como é o caso do salpicão e da cereja, forma de afirmação, projeção do concelho e de dinamização da economia local. Para além disso, mostra-se que a cereja para além de ser deliciosa quando consumida em fresco, associada a outros produtos torna-os ainda mais apetecíveis e pode ser presença assídua, ao longo de todo ano, na mesa dos portugueses.
Agora só tem de pegar em todos estes produtos e fazer deles ingredientes principais de um piquenique com sabor a cereja. Na festa vão estar cestos de piquenique recheados com o que de melhor tem o concelho, um cesto que pode servir de pretexto para uma visita mais demorada pela região. A ideia passa por reunir num “farnel” produtos característicos de Alfândega e convidar os visitantes a fazer uma viagem pelos sabores deste território. Uma edição limitada que pode ser adquirida no recinto da Festa e que contém o azeite, a cerveja , o salpicão de cereja, queijo, a merenda de alfândega, que pode ser completada com outros produtos como é o caso do pão ou dos bolos típicos. Depois é só partir à descoberta destas terras alfandeguenses, deslumbrar-se com as paisagens, depenicar uma outra cereja nos pomares e saborear os produtos criteriosamente selecionados para este piquenique, ou então reservar estas iguarias para aquela ocasião mais especial.
No sábado, a Loja de Turismo de Vila Real recebeu uma pequena mostra daquilo que poderá encontrar na Festa da Cereja, onde foi possível provar os novos produtos à base deste fruto e outros produtos típicos do concelho. Segundo a presidente da Câmara de Alfândega da Fé, Berta Nunes, este tipo de promoção está focada nas principais cidades do Norte, de onde é originário o grande número de visitantes, mas também vêm pessoas de Lisboa, Leiria, Santarém, Espanha. “Nos três dias são esperados mais de 12 mil visitantes, vindos sobretudo da região Norte, que têm maior facilidade em se deslocar, sobretudo através do IC5, que veio dar outras condições de acessibilidade a quem visita o nosso concelho”.
O programa contempla ainda atividades desportivas e culturais, com destaque para o encontro de pastores, para o primeiro concurso de ovinos e caprinos, para a prova desportiva, 1º subida da Serra de Bornes – 4ª etapa do Circuito nacional de montanha, para a apresentação do livro de João Pedro Mésseder, “Variações em Forma de Cereja”. O espetáculo com os GNR, a 6 de junho, de Manecas Costa, no dia 5 e as atuações de DJ’s na tenda multiusos complementam a oferta destes três dias de festa.
Cooperativa oferece terrenos para quem quiser produzir cereja
Em breve, a Cooperativa Agrícola de Alfândega da Fé (CAAF) irá ceder terrenos, por um período de 20 anos e de forma gratuita, a jovens que se queiram instalar no concelho e dinamizar projetos ligados à produção de cereja. Em declarações à Voz de Trás-os-Montes, Berta Nunes disse que o objetivo é aumentar a produção, uma vez que se tem verificado um abandono das terras nos últimos anos. “Como são terrenos que ficam junto à barragem de Esteivinha, poderão ser regados todo o ano. Esta é uma forma de atrair jovens e promover o desenvolvimento a partir de um produto local que tem vindo a ter cada vez mais visibilidade e por isso precisamos de aumentar a produção”. A supervisão ficará a cargo da cooperativa, de forma a melhorar as práticas produtivas, para além disso se algum jovem quiser investir nessa área terá a ajuda dos técnicos da CAAF.
Anualmente são produzidas 80 toneladas de cereja no concelho, que traz um retorno financeiro de meio milhão de euros. A autarquia já está a trabalhar no processo de certificação do produto, com vista à obtenção de denominação geográfica protegida, baseada nas características organoléticas.





