RegiãoFilho da terra homenageado no Espaço Miguel Torga

Filho da terra homenageado no Espaço Miguel Torga

No dia em que faria 70 anos, o Espaço Miguel Torga prestou homenagem ao filho da terra, Manuel Hermínio Monteiro, que faleceu aos 48 anos, vítima de cancro.

Licenciado em história, pela Faculdade de Letras de Lisboa, Manuel Hermínio foi um empreendedor que salvou a editora Assírio & Alvim da falência quando assumiu a direção. Mas foi ainda um poeta, um ativista, que organizava encontros, debates e espetáculos musicais. Em 1986 lançou a revista mensal ‘A Phala’, concebida para veicular o espírito muito próprio da editora e criou a “Assírio Líquida”, o primeiro bar-livraria no Bairro Alto, em Lisboa.

‘Esta homenagem é o reconhecimento de que ele era granito, era terra, era Trás-os- Montes”
Manuela Correia 

Em dia de homenagem, Manuela Correia, mulher do Hermínio, estava visivelmente emocionada e lembrou como era o marido. “Esta homenagem representa a ligação granítica, telúrica à terra. É ainda o reconhecimento de que ele era granito, era a terra, era Trás-os-Montes”.

Manuela Correia lembrou ainda a sua forma de ser, uma pessoa que “adorava abraçar e reunir os amigos, não só à volta do afeto e da amizade, mas também de projetos, era um congregador. Fazia tudo com muito trabalho, rigor e uma profunda alegria”. 

De Parada do Pinhão vieram alguns amigos, irmãs e familiares, que se mostraram também emocionados com a homenagem, que teve início com uma romagem ao cemitério da aldeia. 

A mãe, Maria Celeste, de 88 anos, gostou muito da homenagem feita ao filho, que partiu demasiado cedo. “Quando era pequeno gostava de armar andores, era certinho e era muito inteligente. Dizia que queria ir para o Seminário e foi até aos 14 anos. Depois foi estudar para o Porto e mais tarde entrou na universidade em Lisboa”.

‘Quando era pequeno gostava de armar andores, era certinho e inteligente”
Maria Celeste

Apesar de se ter ficado por Lisboa, Manuel Hermínio nunca esqueceu a ligação às suas origens e sempre que podia vinha a Parada do Pinhão, sempre acompanhado por amigos. “Vinha sempre que podia e trazia os amigos, em que lhe fazia as comidas típicas transmontanas e ele gostava muito”, conta a mãe, que se lembra de terem estado lá em casa amigos do Hermínio, como o Mário Cesariny ou o Rodrigo Leão. “Ele ligava-me a dizer que queria vir cá, mas tinha de fugir de noite, porque os amigos queriam vir também. Mas eu dizia para vir e trazer os amigos, que lá se arranjava espaço para todos, apesar de a casa ser pequena”.

A presidente da Câmara de Sabrosa recordou-o como um “agregador” e, por isso, “na memória dos vivos continua tão presente. Não poderemos esquecer pessoas como o Hermínio, que nunca mudou as nossas raízes, pelo contrário, elevou-as, deu-lhes estatuto e, desta forma, valorizou o território”.    

A homenagem foi concluída com um concerto e houve ainda uma tertúlia, onde participou Manuela Correia, Fernando Pinto do Amaral e Paulo Alves Guerra.

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