A Câmara Municipal de Mondim de Basto vai liderar o processo de apresentação da candidatura das Fisgas de Ermelo a Património da Humanidade, tendo sido criada uma comissão técnica que vai avançar com o projeto.
No dia 22 foi já assinado um protocolo entre a autarquia e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que estará representada na comissão técnica, assim como responsáveis do Instituto Nacional de Conservação da natureza e Florestas.
“É um acidente geológico com 480 milhões de anos de rara beleza e que merece ser classificado”, defendeu Humberto Cerqueira, presidente da Câmara Municipal de Mondim de Basto e impulsionador da candidatura.
Segundo o autarca, o potencial reconhecimento atribuído pela Unesco tem dois grandes objetivos, um dos quais “conservar e perpetuar” um bem que se encontra em pleno Parque Natural. Por outro lado, a classificação teria um impacto importante no desenvolvimento económico e social local, tendo em conta a experiência de outros locais património da humanidade que viram o “turismo crescer”.
Luís Sousa, docente e investigador da UTAD, explicou que as Fisgas de Ermelo têm “valores didáticos, científicos e naturais” que permitem “sonhar” com o título de Património da Humanidade. “Temos um longo trabalho a percorrer. É importante a criação de um bom plano de gestão de visitação, porque não podemos pôr em risco as características naturais” que sustentam o título.
Durante o próximo ano vários técnicos da autarquia, da UTAD e do ICNF irão preparar a candidatura, que depois será entregue à Comissão da Unesco em Portugal e deverá integrar uma lista nacional de propostas. “Em 2017 ou 2018 a proposta deverá ser apreciada” pela Comissão da Unesco sedeada em paris, explicou Humberto Cerqueira.
“As Fisgas de Ermelo são uma das maiores quedas de água da Europa, com um desnível de cerca de 400 metros, assentes em rochas quartzíticas com aproximadamente 480 milhões de anos. Foi a fraturação destas rochas duras que permitiu que o Rio Olo nelas se tenha ‘enfisgado’, dando origem ao nome popular pelo qual é conhecida a mais bela cascata do território continental português”, defende a autarquia mondinese.
Mais, “a presença de marcas fósseis nestas rochas, deixadas por organismos marinhos já extintos, podem também ser vistas como uma espécie de ‘ilustração’ de tempos distantes, em que a vida só existia no mar, por contraponto à biodiversidade excecional conhecida atualmente na área protegida” do Alvão.
Humberto Cerqueira lembrou que Portugal tem 19 locais classificados como Património da Humanidade, desses só quatro são patrimónios naturais.





