Foi uma semana em pleno, para o Sport Clube de Vila Real, somando só vitórias. Depois da vitória, em Parada do Pinhão, nova vitória, a meio da semana, em casa, frente ao Montalegre, por uma bola a zero. Assim, assegurou o seu lugar na final da Taça de Honra da Associação de Futebol. E, no domingo, mais um jogo, a contar para o campeonato e novo triunfo. Desta vez, a impor a goleada da jornada, ao penúltimo classificado, o Pegarinhos. Esperava-se algo mais desta equipa que colocou muitas dificuldades, aos vila-realenses, no jogo da 1.ª volta. Neste encontro, tudo foi diferente e a supremacia “alvi-negra” foi arrasadora, não dando qualquer hipótese ao adversário de sonhar com a conquista de um ponto que fosse, no Monte da Forca.
O Vila Real continua, assim, a sua caminhada vitoriosa e tranquila, rumo à subida de divisão. Numa tarde solarenga, os homens da casa assumiram o jogo, desde o primeiro minuto, desde muito cedo se adivinhando o golo, para os vila-realenses. Depois de duas ameaças sérias, o tento acabou por surgir, ao minuto 14, por intermédio de Nuno Meia. Castanha, na esquerda, fez o cruzamento atrasado para a entrada fulgurante do médio ofensivo, a “encher o pé” e a “fuzilar”, completamente, o guarda-redes Carlos. O Pegarinhos tentou ripostar, mas o remate de Michael saiu ao lado da baliza de Vieira.
Os forasteiros defendiam, em bloco, e, muitas vezes, eram apanhados de surpresa, pelas desmarcações muito rápidas, ou de Meia ou de Palhares, sempre muito velozes, na exploração do contra-ataque. Por diversas vezes, apareciam em frente do guarda-redes que ficava agastado com as marcações da sua defesa. Perante algumas perdidas incríveis, finalmente Pedro Alves encontrou o caminho do golo. Norberto isolou o avançado, este, perante a saída de Carlos, rodopiou à sua volta e atirou, para a baliza deserta. Decorria o minuto 27. Dois minutos volvidos, novo golo surgiu, desta vez com Nuno Meia a facturar, mais uma vez. Tudo fácil, mais uma desmarcação rápida de Pedro Alves e espera pela chegada de Meia que só teve que encostar o pé.
Ultrapassada a meia hora de jogo, Nuno Meia fez a cobrança de um livre, levantou para o interior da área, onde apareceu Fredy, a cabecear, para o fundo das redes. Estava feito o quarto golo do desafio.
Totalmente desconcertado com a superioridade demonstrada pelo adversário, o Pegarinhos não conseguia explanar o seu futebol. Com medo de sofrer mais golos, a equipa visitante pouco ou nada arriscava, no ataque. Mas a defesa também não conseguia fazer melhor. Os erros defensivos foram-se sucedendo, como aconteceu, aos 41 minutos, altura em que surgiu o quinto golo da tarde. Nuno Meia apareceu, sozinho, “na cara” do guarda-redes e não foi egoísta, oferecendo o golo a Palhares que só teve que rematar, para a baliza deserta. O lance mereceu muitos protestos do banco do Pegarinhos e o jogador suplente Fernando acabou por ver o cartão vermelho directo.
O técnico Carlos Oliveira aguardava, ansiosamente, pelo intervalo, para rectificar posições e delinear uma nova estratégia, perante o desnorte completo da sua equipa.
No segundo tempo, o Vila Real “tirou o pé do acelerador” e limitou-se a gerir o resultado volumoso. Mesmo a meio gás, foram os vila-realenses os mais perigosos e os que tiveram as melhores oportunidades.
Foi com naturalidade que apareceu o sexto golo, aos 66 minutos. O seu autor foi Nuno Meia que fez “hat-tric”, nesta partida. Carlos ainda conseguiu o primeiro desvio, mas a bola ficou na posse do médio ofensivo que atirou, para a baliza. Carlos ainda agarrou a bola, mas esta já tinha ultrapassado a linha final.
Nesta altura, o técnico Luís Pimentel colocou em campo alguns dos juniores do Vila Real, para, assim, começarem a integrar a equipa senior.
Até ao final, houve mais duas ocasiões, para chegar ao golo. Uma para cada lado. A primeira, para o Pegarinhos, mas Eduardo, isolado, não conseguiu desfeitear Vieira. Já muito perto do final, o jovem André teve um potente remate, ao poste da baliza.
O resultado final demonstra a clara superioridade dos visitados, perante um Pegarinhos que entrou muito receoso e que nunca se encontrou, como equipa. É uma formação que atravessa algumas dificuldades de liderança e isso ficou bem patente, no terreno de jogo.
Luís Pimentel, treinador do Vila Real
“O grupo de trabalho está de parabéns”
Satisfeito com a exibição e com o resultado, Luís Pimentel salientou a superioridade evidente da sua equipa, numa semana intensa e vitoriosa.
“Tivemos um jogo desgastante, na Quarta-feira, frente ao Montalegre, para a Taça. Sabíamos que tínhamos que entrar fortes, para resolver o jogo, rapidamente. Tivemos uma boa dinâmica, durante toda a primeira parte. Construímos, com facilidade, o resultado, com bom futebol e um bom índice de finalização. Na segunda parte, limitámo-nos a gerir o resultado e a dar mais minutos aos juniores que têm estado connosco, para se irem adaptando à nossa forma de jogar. O grupo de trabalho está de parabéns, uma vez que, em três jogos numa semana, conseguiu três vitórias e três boas exibições”.
Para o próximo jogo, em Boticas, o técnico vila-realense já vai contar com alguns jogadores que estão em recuperação, os quais já poderão integrar os treinos, durante a semana.
Carlos Oliveira, treinador do Pegarinhos
“Temos sido prejudicados, ao longo época”
Conformado com a derrota da sua equipa, Carlos Oliveira referiu que o resultado é enganador, pois o fiscal de linha esteve mal, ao cometer inúmeros erros, na lei de fora-de-jogo, tendo isso condicionado a sua estratégia.
“O Vila Real não precisava que o fiscal de linha estivesse tão mal, nas marcações de fora-de jogo. Não está em causa a vitória do Vila Real. Sabíamos que não tínhamos uma tarefa difícil, mas o árbitro não podia prejudicar o Pegarinhos. Tem sido uma constante, ao longo da época. A vitória acaba por ser justa, mas não merecíamos este desnível, no resultado. Hoje, não jogámos ao nosso nível, temos capacidade para muito mais e vamos conseguir a manutenção que é o nosso grande objectivo”.
Márcia Fernandes
FICHA TÉCNICA
Jogo disputado no Complexo Desportivo do Monte da Forca, em Vila Real.
Árbitro: Luís Vicente.
Auxiliares: Fábio Araújo e Carlos Costa.
VILA REAL – Vieira; Filipe, Fredy, Miguel e Peixoto; Norberto (André, 68’), Leirós, Palhares e Pedro Alves; Nuno Meia e Castanha.
Suplentes não utilizados: Carlos, Nuno, Gabriel e Conceição.
Treinador: Luís Pimentel.
PEGARINHOS – Carlos; Paulo, Miguel, Hugo e Teixeira; Rui Pegarinhos, José Luís, Gomes (Eduardo, 49’) e Michael; Luís (Guilherme, 71’) e Fraga.
Suplentes não utilizados: Oliveira, Marcelo e Fernando.
Treinador: Carlos Oliveira.
Cartões amarelos: Teixeira (73’), Michael (85’), Hugo (88’) e José Luís (90+2’).
Cartão vermelho: Fernando (42’).
Ao intervalo: 5-0.
Marcadores – Nuno Meia (14’, 29’ e 66’), Pedro Alves (27’), Nuno Fredy (31’) e Palhares (41’).

