Grijó, 1 | Vila Real, 0

Tarde com muito sol em Grijó, onde o Vila Real procurava a primeira vitória na prova para fugir ao último lugar da tabela. No entanto, os locais foram bafejados pela sorte, já que marcaram mesmo em cima do final da partida, num pontapé bem colocado de Dany, sem qualquer hipótese para Cabreca. Mais uma vez, os vila-realenses mostraram bom futebol, mas também voltaram a falhar no capítulo da finalização, apesar de ter entrado no jogo o mais recente reforço, Rafael, um avançado jovem e possante, que ainda não conseguiu fazer a diferença. Um jogo bem conseguido por parte dos transmontanos, que não mereciam sair na condição de derrotados por tudo aquilo que mostraram em campo, mas os golos é que contam e eles teimam em aparecer.

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Os primeiros minutos do encontrou foram pautados pelo equilíbrio, com sinal mais para os forasteiros. Aos 15’, numa boa jogada de entendimento, Schuster abre o caminho a Azevedo, que entra na área e remata cruzado ao poste. No entanto, o árbitro assistente invalidou a jogada, por suposta posição irregular do avançado vila- -realense. A resposta dos locais chegou aos 24’, na sequência de um pontapé de canto, com Dany a rematar e Abreu a tirar em cima da linha de golo. Logo de imediato, Rudi gorou mais uma ocasião, ao cabecear por cima do travessão. O jogo estava bem vivo, numa toada de parada e resposta, com as duas balizas em constante sobressalto. Aos 28’, Cabreca evitou o golo de Volta, ao suster o remate forte do defesa da casa. Em cima da meia hora de jogo, Filipe tem uma excelente arrancada, parte completamente a defensiva local, entra na área e oferece o golo a Diogo, que falhou escandalosamente, com a baliza aberta. Uma perdida incrível dos transmontanos. Perto do final da primeira parte, mais uma ocasião para Azevedo, no entanto, o avançado chegou atrasado ao desvio ao primeiro poste de Kobe. Ao intervalo, o resultado espelhava novamente a falta de eficácia dos vila-realenses, que não souberam aproveitar as muitas oportunidades criadas.

Na segunda parte, o Vila Real voltou a entrar melhor e esteve perto de inaugurar o marcador. André Azevedo ultrapassa dois adversários, entra na área, mas o remate saiu fraco, quando já só tinha o guarda-redes pela frente. O Grijó respondeu, com uma boa arrancada pela lateral de Maté, que rematou para o desvio de Cabreca. O Vila Real acreditava que era possível sair de Gaia com os três pontos e foi à procura da vitória, com o técnico Abel Ferreira a refrescar o sector mais avançado, dando a oportunidade a Rafael de se estrear e mostrar o seu potencial. No entanto, foi dos pés de Castanha que saiu mais um lance de perigo, com o remate a ser desviado por Isac pela linha de fundo. Aos 77’, Peixoto vê o segundo cartão amarelo, numa jogada infantil e acaba expulso. Apesar de estar com menos um elemento em campo, os transmontanos dispuseram de mais duas excelentes ocasiões para marcar. A primeira, numa grande trabalho de Schuster, a oferecer o golo a Rafael que rematou a rasar o poste, quando já se gritava golo nas bancadas. Mais uma perdida inacreditável dos forasteiros. Poucos minutos volvidos, tenta Schuster a sua sorte, mas a bola bateu com estrondo na barra. Mais um grande lance do médio criativo que merecia melhor sorte. Algo surpreendidos com este ímpeto final dos forasteiros, o Grijó tentou responder e teve a felicidade de concretizar no último minuto do tempo de compensação. Numa jogada algo confusa à entrada da área, a bola é endossada para Dany, que enche o pé e remata colocado, fazendo o único golo do encontro, que deu os três pontos à sua equipa.

O Vila Real fez uma boa exibição, mas não conseguiu concretizar as inúmeras situações que construiu, num jogo em que claramente não merecia sair na condição de derrotado. Agora, o campeonato vai parar para dar lugar aos jogos da Taça de Portugal e o Vila Real só volta a jogar no próximo dia 23, no Monte da Forca, frente ao Cesarense.

 

As reações dos treinadores

 

Nuno Pereira, treinador-adjunto do Vila Real

“Esta derrota tem um sabor a uma injustiça tremenda”

Visivelmente agastado com o resultado, o técnico-adjunto vila-realense referiu que os jogadores não mereciam perder este jogo, pois demonstraram grande qualidade e atitude competitiva.

“Esta derrota tem um sabor a uma injustiça tremenda. O Vila Real fez aqui um dos melhores jogos da época, com uma grande atitude competitiva, grande qualidade de jogo, com muitas situações claras de golo, mas não conseguimos nem sequer um resultado positivo. Os jogadores do Vila Real estão de parabéns pelo trabalho que realizaram e já mereciam um prémio por tudo o que têm lutado. Tem faltado a estrelinha da sorte nestes jogos já realizados, mas nós vamos continuar a trabalhar com a mesma dignidade e com o mesmo profissionalismo. Quem joga como nós jogamos, mais tarde ou mais cedo, irá ultrapassar esta fase menos boa que estamos a atravessar. Eu acredito que a jogar assim, as vitórias irão aparecer. Temos falhado realmente no momento da finalização, fruto da inexperiência de alguns jogadores, que, com o trabalho, iremos colmatar. Não podemos ter tanto azar em momentos cruciais do jogo, pois não me lembro de ver uma equipa a criar tantas oportunidades e não marcar nenhuma, isto vai ter de mudar radicalmente”.

Falamos também com o presidente da direcção, Artur Ribeiro, que reiterou a sua confiança na equipa técnica. “A equipa está desanimada com esta nova derrota, que não mereciam. De qualquer forma, a direcção continua a confiar nesta equipa técnica e nestes jogadores, que irão dar a volta por cima e colocar o Vila Real num patamar que merece. Já evidenciaram muita qualidade e as vitórias irão aparecer com naturalidade. Esperamos que os adeptos continuem a comparecer nos jogos e a ajudar esta equipa, que muito tem lutado por outros resultados”.

 

ÓScar Nogueira, treinador do Grijó

“O resultado mais justo seria o empate”

O técnico local sublinhou que o resultado mais justo seria o empate e não compreende como uma equipa que joga como o Vila Real esteja no último lugar.

“Foi um jogo bem disputado, intenso, em que ganhamos numa altura em que eu próprio já não acreditava que isso fosse possível. Por tudo aquilo que se passou, o resultado mais justo seria o empate. Hoje fomos bafejados pela sorte, que nos tem faltado em outros jogos. Mesmo assim, quero dar os parabéns aos meus jogadores que acreditaram até ao fim. Numa altura em que tínhamos mais um elemento em campo, o carácter dos meus jogadores foi preponderante para chegarmos à vitória. O Vila Real não merecia perder, mas com a expulsão acabaram por não ter a mesma organização e nós tiramos proveito disso mesmo, explorando mais as laterais e ganhamos mais lances no meio-campo. No entanto, tudo isto não tira mérito ao excelente trabalho que fez aqui o Vila Real. Quero endereçar os parabéns ao Vila Real, pela exibição que fez, que em nada condiz com a posição que ocupa na tabela”.

O objectivo do Grijó passa pela manutenção, como nos confirmou o técnico. “Pretendemos alcançar a manutenção o mais cedo possível, de preferência ficar já nos primeiros seis lugares, que nos garantem desde logo a tranquilidade total. Sabemos que não é uma tarefa fácil, pois esta Série B é muito competitiva e as equipas são muito niveladas, no entanto, estamos a trabalhar com esse propósito”.

 

Ficha Técnica

 

Jogo disputado no Estádio Municipal de Grijó.

Árbitro: João Costa

Auxiliares: Fernando Cunha e Jorge Fernandes

GRIJÓ – Isac, Maté, Viana, Volta, Artur, Dany, Chaves, Bruno Carvalho (Couto, 80’), Pedro Gabriel (Vando, 74’), Loureiro e Bruno Faria.

Suplentes não utilizados: Hélder, João, Vitinha e Diogo Leite.

Treinador: Óscar Nogueira.

VILA REAL – Cabreca, Filipe, Kobe, Abreu, Peixoto, Castanha, Diogo (Rafael, 67’), Schuster, André Azevedo, Rudi (Ivo, 57’, depois Fred, 79’) e Francis.

Suplentes não utilizados: Jonas, Nuno Fredy, Mica, e Luís Carlos.

Treinador: Abel Ferreira.

Ao intervalo: 0 – 0

Cartões amarelos: Chaves (49’), Ivo (70’), Peixoto (75’ e 77’), Dany (77’), Couto (80’), Bruno Faria (86’).

Cartão Vermelho: Peixoto (77’).

Marcador: Dany (92’)

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