Os autarcas do distrito de Bragança que assumiram protocolos com o Ministério da Saúde que garantiam um conjunto de meios do socorro e emergência, em contrapartida ao encerramento e concentração de alguns serviços de saúde brigantinos, já manifestaram a sua incredibilidade, perante a possibilidade do prometido helicóptero, afinal, não vir a servir os transmontanos.
A Direcção do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) encomendou um estudo, para avaliar a necessidade de sediar, em Macedo de Cavaleiros, um helicóptero de emergência, um equipamento prometido, à região, aquando da reestruturação dos Serviços de Saúde.
Segundo o Presidente do INEM, Abílio Gomes, os três helicópteros em causa, previstos, para além de Macedo de Cavaleiros, ainda para Ourique e Aguiar da Beira, “foram perspectivados no pressuposto de uma determinada óptica da rede de pontos de referenciação de urgência”. No entanto, segundo o mesmo responsável, “houve uma nova adaptação desses pontos, pelo que os pressupostos que levaram à expectativa de novos meios aéreos não se verificam, actualmente, já que alguns encerramentos de urgências médico-cirúrgicas não foram efectivados”.
No programa radiofónico, transmitido pela Antena 1, Abílio Gomes revelou ainda que o estudo vai apresentar um plano de sustentabilidade financeira para o INEM que “teve um crescimento muito grande, num curto espaço de tempo”.
De recordar que, nos protocolos assinados entre o Ministério da Saúde e vários Municípios do distrito de Bragança, estaria garantida a manutenção das urgências médico-cirúrgicas, em Bragança e Mirandela, duas urgências básicas, em Macedo de Cavaleiros e Mogadouro, e a implementação de meios de socorro e emergência, como o helicóptero, duas ambulâncias de Suporte Básico de Vida (SBV) e outras duas de Suporte Imediato de Vida (uma das quais, a de Macedo de Cavaleiros, continua a ser, apenas, uma promessa).
Os autarcas da região já demonstraram, publicamente, sentimentos de incredibilidade, indignação e estranheza, perante as declarações do Presidente do INEM e defendem que, caso o helicóptero não venha a servir, de facto, os transmontanos, que sejam anulados os acordos antes estabelecidos com o Ministério da Saúde e que se reponha a rede de serviços, de modo a que não seja necessário fazer evacuações de helicóptero.
Segundo dados divulgados no “site” do INEM, existem, a nível nacional, apenas dois helicópteros de emergência médica “para o transporte de doentes graves, entre unidades de saúde ou entre o local da ocorrência e a unidade de saúde”, sediados no aeródromo de Tires (em Lisboa) e no Hospital Pedro Hispano (no Porto), sendo que o Instituto assegura, também, a equipa médica do helicóptero do Serviço Nacional de Bombeiros, situado em Santa Comba Dão, o qual funciona no período nocturno” e “sempre que necessário, pode recorrer à utilização dos helicópteros da Força Aérea Portuguesa”.
Só no ano passado, foram efectuados 653 transportes de doentes, com recurso aos dois helicópteros, o que representa um acréscimo de mais de uma centena e meia de serviços, em relação ao ano de 2006.
MM





