O SINTAB, em comunicado, admite que esta sentença “representa o culminar de um longo processo de má gestão, marcado por opções de endividamento cuja finalidade nunca se traduziu na melhoria das condições de trabalho, nem no reforço da capacidade produtiva da unidade”, apontando o dedo às “autarquias de Mirandela e Vila Flor, entidades que detêm a quase totalidade do capital desta infraestrutura”, pelo caminho tomado para esta infraestrutura.
Afirmando que os 20 trabalhadores só souberam da decisão do tribunal quando o edital foi afixado, o que para o sindicato representa “um total desrespeito” pelos funcionários, a estrutura sindical alerta para o empurrar dos “trabalhadores e as suas famílias para uma situação de incerteza, sofrimento e carência económica, agravando ainda mais as dificuldades sociais existentes”.
O SINTAB considera que “a decisão é ainda mais grave”, porque a região do nordeste transmontano deixa de ter uma resposta para as suas “necessidades”, uma vez que “não existe, neste momento, qualquer infraestrutura com capacidade equivalente de abate em funcionamento”, uma vez que o matadouro de Bragança encontra-se encerrado para obras, prevendo-se que assim permaneça durante todo o verão, “o de Mogadouro continua em construção, com sucessivos atrasos que apontam a sua conclusão para uma data nunca antes de outubro e o de Miranda do Douro está igualmente em obras, por falta de condições, estando mesmo prevista a sua relocalização”.
Considera, por isso, que a decisão só pode “ser compreendida apenas numa lógica estritamente contabilística” e que a estrutura é importante para a região, “prova disso é que o próprio complexo continua a laborar em pleno, mesmo após a declaração de insolvência”, diz o documento do sindicato.
Recordamos que, ainda no início do ano passado, o Matadouro Industrial do Cachão esteve com a atividade suspensa para a realização de obras impostas pela Direção-Geral da Alimentação e Veterinária.
Sobre o eventual encerramento desta unidade, o SINTAB destaca que “representará uma machadada absurda num dos principais pilares da economia agroindustrial de Trás-os-Montes, agravando as dificuldades já existentes, pela perda de infraestruturas essenciais e de capacidade produtiva”.
Em resposta ao comunicado, o administrador do matadouro assume que infraestrutura está “em pleno funcionamento” e o comunicado do SINTAB foi emitido numa altura em que os municípios estão “concentrados num plano de recuperação para a empresa”. Por isso, Michel Monteiro considera que o comunicado vem piorar a situação e não ajuda a empresa e os seus trabalhadores.
Atualizado com a resposta da administração da empresa




