Sexta-feira, 1 de Maio de 2026
EnsinoInteligência artificial “é uma ferramenta poderosa que deve ser usada para aprender e ensinar”

Inteligência artificial “é uma ferramenta poderosa que deve ser usada para aprender e ensinar”

O ensino enfrenta muitos desafios e a Inteligência Artificial chegou em força e pode mudar a forma como se ensina e também como se aprende

-PUB-

Num mundo em constate transformação, a Inteligência Artificial (IA) veio para ficar e está a gerar mudanças significativas na educação, transformando a forma como se aprende e como se ensina. 

Os desafios para a comunidade escolar são muitos, que se tem vindo a adaptar às novas tecnologias e agora estamos a lidar com uma ferramenta “poderosa” que tem vindo a crescer nas salas de aula de toda a Europa.

“Temos de ser cada vez mais criativos na forma como pedimos os trabalhos aos alunos, incentivá-los a usarem a Inteligência Artificial”
TIAGO PINTO
PROFESSOR NA UTAD
 

Tiago Pinto, professor na Universidade de Trás-os-Montes, refere que a IA não tem limite e que os perigos na sua utilização “não são tão grandes como às vezes possa parecer”.

“Nós temos uma perspetiva que a IA é capaz de fazer tudo e mais alguma coisa. Mas isso não é verdade, ainda estamos muito longe de termos uma IA que seja capaz de nos controlar, que seja uma espécie de exterminador implacável, como no filme Matrix”, explica o professor, adiantando que ainda estamos muito longe disso. Muitas vezes, a perspetiva que nos dá “é que nós pedimos algo ao ChatGPT ou a outro modelo qualquer, e ele é capaz de nos dar uma resposta quase instantaneamente para aquilo que nós queremos. Ou seja, passa uma perspetiva de que ele é capaz de fazer tudo”.

Será que poderemos acreditar em tudo o que o ChatGPT nos diz? A resposta de Tiago Pinto é taxativa. “Nunca devemos acreditar em tudo. O que nós devemos fazer é aproveitar as indicações que ele nos dá, as sugestões para depois validarmos. Pode funcionar como uma base, que nos aponta na direção certa”. 

Para o docente, a utilização destas ferramentas de IA na escola faz todo o sentido. “Faz sentido utilizar em todo o lado, tanto na universidade como nas escolas do 1º ciclo, no secundário. Já que temos as ferramentas disponíveis, devemos fazer uso delas, mas com juízo. E esse juízo é a vários níveis, tanto os alunos como os professores, de forma a melhorarmos os nossos objetivos”.

Por exemplo, o objetivo dos professores é ensinar, o dos alunos é aprender, e é com base nisso que podemos fazer muito uso da IA, sem idade mínima para a usar. “Eu tenho três filhos pequenos, um de 5 anos, outro de 10 e outro de 11 e todos eles usam a IA. Não digo que usem da maneira mais correta, mas acho que conseguem tirar muito proveito da IA, pois eles não olham para aquilo como algo novo, é algo natural e que para eles sempre existiu”.

MODELO DE ENSINO 

Tiago Pinto diz que temos que fazer uso das ferramentas que existem. “Temos que adaptar o modelo de ensino, de aprendizagem, de maneira a usarmos estas ferramentas de forma útil para toda a gente”, no entanto, a avaliação dos alunos tem de mudar, porque “nós não conseguimos avaliar da mesma maneira. Quando pedimos um trabalho a um aluno, não sabemos de onde é que o trabalho surgiu. Se recorreu à IA ou se foi ele que fez”. 

Mas, o mais importante é que o aluno aprenda e perceba o assunto. “Se ele recorrer à IA, que vai gerar o trabalho e ele conseguir aprender com isso, eu fico todo contente e prefiro que ele faça isso do que me apresente um trabalho copiado de um colega”. Ou seja, “nós temos que arranjar formas de avaliar se realmente alguma coisa entrou ou não no aluno, se ele aprendeu, se foi procurar informação”.

A IA traz muitos desafios aos professores. “Temos de ser cada vez mais criativos na forma como pedimos os trabalhos aos alunos, incentivá-los a usarem a IA, pois há conteúdos que podem ficar mais apelativos para os motivar”. 

No entanto, o facilitismo em ter tudo à distância de um ‘click’, pode levar os alunos a ficarem mais preguiçosos. “É o principal desafio dos professores. Enquanto tivermos uma avaliação, datas para entregar os trabalhos, vamos continuar a ter os alunos mais preguiçosos e vão recorrer à IA como uma muleta para conseguir cumprir esses prazos e essas expectativas, em vez de a usarem para aprender”.

Sobre o futuro da IA no ensino, Tiago Pinto vê ainda “bastante resistência”. “Haverá mudanças, mas, daqui a cinco anos, não vejo o ensino muito diferente do que é hoje. Ainda vamos andar na luta para perceber como lidar com isto, até porque as pessoas têm medo. Ao longo da história, sempre que aparece algo novo, sobretudo algo que nós não conseguimos perceber bem, temos sempre medo”.


APOIE O NOSSO TRABALHO.
APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências, nunca paramos um único dia.

Contribua com um donativo!

VÍDEO

Mais lidas

PRÉMIO

ÚLTIMAS NOTÍCIAS