Existem dois tipos principais: a Leucemia Linfoblástica Aguda, que envolve células linfóides imaturas, e a Leucemia Mieloide Aguda, caracterizada por alterações genéticas que bloqueiam a produção normal de células sanguíneas (Liga Portuguesa Contra o Cancro [LPCC], 2026).
Como toda a doença grave, o cancro tem impacto a nível bio-psico-social. O choque inicial, originado pelo medo da palavra “cancro”, despoleta reação psicoemocional por parte do doente/família. No caso da leucemia infantil, o impacto é ainda mais dramático, devido à vulnerabilidade desenvolvimental da criança. A interrupção da rotina escolar, o afastamento dos amigos e a limitação das atividades próprias da infância podem gerar sentimentos de isolamento, medo e dificuldades de adaptação, comprometendo o seu bem-estar psicológico, frequentemente invisível (Bates et al., 2025).
Os pais, enquanto cuidadores informais, vivem a experiência de doença do filho sob tensão emocional intensa, marcada pela divisão de papéis e separação física durante os internamentos, bem como a constante preocupação com a evolução da doença, os cuidados ao/s outro/s filho/s, o que torna este processo particularmente exigente, aumentando o risco de sofrimento psicológico dos cuidadores informais familiares (Kuylenstierna et al., 2025).
É precisamente neste contexto que a contribuição da Psicologia Oncológica e da Psico-Oncologia assume um papel fundamental. A intervenção psico-oncológica faz parte integral dos cuidados oncológicos oferecidos pelas instituições de saúde competentes ao doente/família. Receber estes cuidados é um direto do doente/família. Estas promovem recursos e competências pessoais (estratégias de coping) para lidar com os desafios e dificuldades impostos pela doença e tratamentos, que atendem à qualidade da saúde mental de todos os envolvidos.
Informar é também uma forma de cuidar. A informação insuficiente ou incompreendida aumenta o sofrimento emocional e o estigma associado ao cancro. Assim, a promoção da literacia sobre a Leucemia permite compreender melhor a doença, desconstruir mitos, preconceitos e estigma, além de incrementar a esperança realista de que, apesar dos desafios, as taxas de sobrevivência do cancro infantil são elevadas e o apoio psicológico marca a diferença em todo o processo oncológico nas famílias.
No caminho da aposta na promoção da literacia sobre a leucemia, apelar à consciência social é imperativo. Todos podemos contribuir para aliviar o sofrimento das crianças com cancro e família, designadamente ao nível do incentivo à doação de sangue, visto que um gesto simples pode fazer toda a diferença: oferecer uma oportunidade de esperança e, até mesmo, oferecer a possibilidade de salvar vida!




