E o não saber estar pouco ou nada tem que ver com etiqueta, mas sim com a ausência de coerência e imparcialidade que minam toda a análise política que realizam. Em Vila Real, quando o poder local atua, as mais recentes reações das estruturas e militâncias de oposição limitam-se a dois cenários: crítica desmesurada ou silêncio.
A primeira materializa-se numa indignação rápida, sendo frequentemente revestida de seletividade. O recente debate em torno da nova identidade visual de Vila Real é o exemplo perfeito de como o alarido da crítica consegue distorcer a realidade dos factos, ignorando o contexto de mercado e levando os munícipes a pensar que estamos perante uma situação excecional, quando esta é comum a diversos municípios.
O ruído que se tentou provocar, que tem como bandeira o investimento acumulado de € 58.000,00 (cinquenta e oito mil euros), consubstancia-se numa sugestão de excessos que apresentada isoladamente e sem contexto pode parecer um grande argumento, que facilmente se desmorona com uma breve consulta ao mercado. Conferindo o portal dos contratos públicos, sem grande esforço se encontram vários municípios –grande parte deles sem a ónus de serem capital de distrito – que gastaram entre € 63.000,00 (sessenta e três mil euros) e € 75.000,00 (setenta e cinco mil euros), mais IVA, para trabalhos semelhantes aos que foram executados para o concelho.
Mas a cegueira política impede de observar tal coisa. Prefere proclamar que o valor pago é absurdo e desmerecer o trabalho contratado, querendo colocar um preço no trabalho de terceiros e colocar em causa a respectiva utilidade, sem se considerar que a gestão autárquica exige modernização e posicionamento, não sendo uma marca municipal meramente um desenho, mas sim uma ferramenta de atracação de investimento, turismo e afirmação territorial.
Apresentarmo-nos contra uma nova imagem – com fundamento nas cores escolhidas ou no preço (sem se analisar o restante mercado) – não é defender os interesses de Vila Real. É deixar Vila Real para segundo plano, hierarquizando a agenda partidária em detrimento do desenvolvimento municipal, circunstância que igualmente já se havia confirmado quando se permitiu e votou em alguém que nunca cá tinha vindo, para representar as gentes do nosso distrito na Assembleia da República.
Não sendo o retratado novidade, o que se releva para o caso é a assimetria da atenção política. Curiosamente, o “desenho” – forma como com desdém tratam o trabalho realizado – logrou uma amplitude e eco bem superior ao que sucedeu no pretérito mês, quando a CMVR assinou os contratos de arrendamento relativos a 180 fogos habitacionais, no momento em que o país atravessa uma crise no setor da habitação.
O infundado bota-abaixo político, que tudo contesta por mera conveniência partidária e finge amnésia quando se promove e entrega algo de essencial para os cidadãos apenas confirma que Vila Real se encontra no caminho certo.





