A hegemonia à direita que assertivamente o caracteriza, oferece-nos indícios determinantes à plena compreensão do que poderá vir a suceder no nosso país, sobretudo no vigente contexto de transformação do comportamento eleitoral, que se acentuará por força do envelhecimento demográfico e se materializará na perda de votos por parte dos partidos do arco da governação.
Desde 2010 que o domínio político húngaro tinha como protagonista Viktor Orbán. No entanto, mesmo os sistemas aparentemente consolidados são suscetíveis ao desgaste.
Em Portugal, embora o contexto se mostre distinto, começam a emergir sinais que não devem ser ignorados. O crescimento de partidos à direita revela uma alteração profunda na forma como a política é comunicada e percecionada.
Tal fenómeno encontra-se intrinsecamente conectado com as respetivas lideranças partidárias, mostrando-se evidente que os líderes à direita vêm transmitindo – cada um à sua maneira – uma capacidade e postura que oferece superiores garantias ao eleitorado quando comparados com os atores políticos mais à esquerda que, quer em território nacional, numa viagem à Venezuela ou numa campanha de flotilha, vêm entrando numa onda de descredibilidade.
No caso do Partido Socialista a situação é singularmente difícil. Aquele que se perspetivava ser o capitão da frota dos partidos à esquerda, parece naufragado num marasmo político que combina ausência de renovação programática e institucional, com uma estratégia comunicacional pouco convicta, demonstrando-se um partido hesitante no momento em que se exigia superior clareza, ambição e capacidade de mobilização.
É neste enquadramento que o caso húngaro assume particular relevância e paralelismo. A vitória de Péter Magyar, ao destronar Viktor Orbán, não traduz uma viragem à esquerda, porém uma substituição dentro da própria direita, tornando as supramencionadas estagnação e apatia ainda mais problemáticas, não sendo o risco de PS perder eleições, mas sim perder centralidade.
Partindo do pressuposto que a disputa política se deslocará definitivamente para dentro do campo da direita, o Partido Socialista arrisca-se a ser remetido para uma posição periférica e incapaz de influenciar decisivamente o rumo do país.
A lição húngara denota-se sucinta e clara: quando a oposição não se mune de alternativa credível, o sistema reorganiza-se sem ela.
A mudança acabará por suceder, não existindo lugares cativos. E os principais líderes partidários à esquerda, tendo a obrigação de conhecer todos os cenários políticos à escala global – principalmente os europeus – devem, para bem da sobrevivência dos seus partidos, antecipar as consequências dos resultados e tendências eleitorais que temos assistido.




