Carlos Monteiro criou a CMTour em 2014, uma empresa do setor do turismo que está sediada em Peso da Régua. Na altura, ainda não havia Túnel do Marão, uma infraestrutura que considera “bastante importante” para a atividade da sua empresa, que não tem parado de crescer.
“Ainda me lembro bem de quando não havia túnel e nem consigo apagar isso da memória, porque a sua abertura ajudou-nos a reduzir em muito os horários que tínhamos de viagem para os turistas e isso para nós era um grande problema”, revela o empresário, exemplificando que tinham de sair do Porto às 8h00 da manhã e só chegavam por volta das 8 horas da noite. “Agora chegamos por volta das 18h00 ou 18h30. É completamente diferente até para se vender o próprio produto ao cliente com estes horários mais flexíveis”.
“A abertura do túnel foi bastante importante para o crescimento da minha empresa”
CARLOS MONTEIRO
EMPRESÁRIO
Carlos Monteiro destaca outras vantagens, como a rapidez e conforto das viagens. “Antes fazíamos as viagens pelo IP4, mas, às vezes, havia acidentes, muito trânsito. Era complicado. Depois ainda tínhamos de ir por Nogueira, com muitos quilómetros de estrada nacional”. Outras vezes, optavam por sair depois de Amarante e seguir por Mesão Frio. “O trajeto não era fácil, com muitas curvas”.
Com melhor mobilidade e acesso mais seguro à região de Trás-os-Montes e Alto Douro, o empresário realça o aumento de turistas no Douro, que tem notado não só na CMTour como também no seu restaurante.
“Vejo que vem muito mais gente à Régua desde que o túnel abriu. Antigamente, era impensável vir do Porto à Régua para jantar e regressar no próprio dia. Hoje, isso é normal”, sublinha.
As experiências que vende são, sobretudo, para o mercado americano, canadiano e brasileiro, que vêm mais na época alta, o que não ajuda a reduzir a sazonalidade. “No final de outubro começa a reduzir drasticamente o número de turistas, não só nas viagens que fazemos pelas quintas, mas também na restauração”.
Apesar da crise mundial, despoletada pela guerra no Médio Oriente, o primeiro trimestre correu muito bem e o início do segundo também. “Temos registado um aumento muito significativo de turistas”. No entanto, nas últimas semanas, “temos verificado muitos cancelamentos nos tours privados que estavam agendados para este mês de maio para os clientes americanos. A guerra está a criar bastante incerteza e as companhias aéreas estão a reduzir as viagens, o que nos deixa muito preocupados”.
“POUPA TEMPO”
Outro empresário, Manuel Tapada, que gere a empresa familiar “Come Na 2”, no concelho de Santa Marta de Penaguião, relembra que a empresa nasceu inicialmente para produzir cerâmica, mas foram acrescentando mais atividades como os tours, as caminhadas ou as visitas ao museu.
“Utilizamos o túnel desde que abriu, mesmo quando tinha portagens”
MANUEL TAPADA
EMPRESÁRIO
Mais de 90% dos turistas desta empresa são “apanhados” no Porto. “Utilizamos o túnel desde que abriu, mesmo quando tinha portagens”.
“Desde que me lembro, o túnel nunca fechou por causa da neve ou do mau tempo, pelo que destaco a rapidez e a segurança que trouxe à mobilidade entre o interior e o litoral”, realçou o jovem empresário.
Com 97% dos clientes provenientes do mercado norte-americano, Manuel Tapada sente que a procura tem abrandado. “Sentimos uma ligeira quebra, mas acredito que será um ano positivo. Por causa da guerra, tenho colegas que me dizem que há turistas australianos a cancelar as viagens, porque tinham escala no Dubai e não arriscam vir a Portugal”.
Com ou sem portagens, os empresários sempre optaram por utilizar o túnel, uma vez que as viagens são mais rápidas, cómodas e seguras.






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