Sábado, 16 de Maio de 2026

Portugal político em 2040

O término do bipartidarismo apresentou-nos uma nova realidade política que devia suscitar aos partidos do arco da governação uma reflexão profunda concernente com medidas, políticos e eleitorado, o que parece ainda não suceder.

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Sabemos que parte significativa da base eleitoral dos dois partidos tradicionais continua a assentar nas faixas etárias mais envelhecidas. E que o referido eleitorado, por força da condição humana, se findará.

No entanto, a problemática não assenta no que se perde, mas sim naquilo que não se conquista. As mais recentes tendências têm-se mostrado assertivas: Chega e Iniciativa Liberal são quem mais crescem junto das gerações mais jovens.

Independentemente das posições ideológicas, estes partidos têm conseguido captar atenção, mobilizar novos eleitores e, acima de tudo, falar a linguagem política de uma geração que não se revê nos modelos tradicionais, amplificando a mensagem através de diferentes meios de comunicação e num formato mais direto e eficaz, captando desta forma uma tipologia de eleitorado menos exigente.

Este panorama não se pode dissociar das respetivas lideranças partidárias. Ventura acaba por se destacar dos remanescentes, evidenciando uma capacidade de impor agenda, marcar ritmo e ocupar espaço mediático, que nenhum dos adversários porta ao momento.

Em sentido inverso, Luís Montenegro e José Luís Carneiro pouco de eleitoralmente positivo executam. O primeiro – depois do caso SPINUMVIVA – somente ainda é Chefe de Governo graças ao consentimento e estagnação da oposição. E o segundo parece demorar a entender que o momento do Partido Socialista carece de tudo, menos da apatia a que quotidianamente assistimos.

Não bastante, é igualmente erro frequente dos supramencionados partidos não tratar o Chega como adversário e par de oposição política, demonstrando uma superioridade que tenta transparecer que os votos em PSD ou PS, valem mais que no partido de Ventura, apesar de este já eleger mais mandatos para a Assembleia da República que os socialistas.

Embora se presuma que o voto dos mais jovens se caracteriza de maior volatilidade, o que pode significar maior suscetibilidade à mudança e, por consequência, permanente alternância partidária, não deixam PSD e PS de perder a fidelidade partidária que tem sustentado as correspondentes governação.

Nesta senda, as novas gerações vêm, positivamente, rejeitando a pesada herança da cega lealdade – por identidade histórica ou cultural – permitindo-se escolher diferente, mudar com maior frequência e exigir mais dos representantes políticos.

A manutenção das relatadas tendências, bem como a ausência de reflexão e transformação de PSD e PS, podem converter as vitórias que o PSD tem logrado em derrotas e, no caso do PS, consubstanciar um efeito ainda mais nefasto, devendo o partido ter presente a atual realidade Húngara, onde a oposição ao governo de direita – ou extrema-direita, como a queiram apelidar – é outro partido de direita.

Neste sentido, não resta ao Partido Socialista outra opção de sobrevivência senão uma ponderação profunda e um diagnóstico eficaz, podendo aproveitar a forte presença autárquica que ainda mantém para começar a pensar e executar o futuro eleitoral do país.

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