Não obstante os extraordinários esforços que todos os agentes e entidades envolvidas vêm produzindo, a conquista em apreço é resultado de uma capacidade de resiliência extraordinária, dado que o projeto somente é aprovado pela A3ES (Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior) após duas rejeições.
Esta aprovação, que se mostra oficialmente reconhecedora da qualidade intrínseca e da robustez do projeto, surge tardiamente e com condições, mas perspetiva que consubstancie o término do longo período de escrutínio a que o curso se encontrou sujeito.
Parece que o simples facto de o projeto nascer no interior e servir as gentes do interior obrigou a acrescido nível de suspeição, tal como se refletiu nos pareceres negativos da Ordem dos Médicos e nas declarações dos seus representantes que, em momentos, transmitiram a ideia de afastamento, em detrimento da aproximação e convergência que idealmente se antecipava.
Durante décadas temos sentido que o nosso interior é severamente penalizado no acesso a condições de saúde dignas, sendo que a criação deste curso surge não somente como a resposta direta do ponto de vista técnico, como também combate as atuais tendências demográficas com a provável fixação no território dos 22 concelhos da ULSTMAD (Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro) dos médicos que aqui formarmos.
Na tentativa de solucionar uma questão que se estende além da saúde, mostra-se imperativo enaltecer a visão estratégica da UTAD, a cooperação da ULSTMAD e o espírito de missão de todos os médicos que formalmente manifestaram interessem em assumir-se como tutores e docentes. Tudo quanto se evidencia, somado aos mais de 2 milhões de euros investidos pela UTAD em infraestruturas e laboratórios de excelência e modernidade, confirmam que Vila Real se encontra mais que preparada para receber o curso de medicina e que a inviabilização teria sido um enorme desperdício de capital humano e financeiro.
Ultrapassada a incerteza, é tempo de observar o sucesso deste projeto que continua a exigir um compromisso político firme e um investimento sustentado, a longo prazo, por parte da administração central, lembrando que a qualidade e o mérito não são um exclusivo dos grandes centros urbanos do litoral, dotando-se o nosso interior da mesma excelência e legitimidade.


