Os motores da Escola Pública

Encerrei, na pretérita sexta-feira, um ciclo de cerca de três anos no acompanhamento e assessoria jurídica à atividade de dezenas de escolas, com particular incidência no nosso território transmontano, por intermédio da qual consegui perceber que as etapas profissionais não se medem somente pelos anos cumpridos, mas sobretudo pelas causas abraçadas e pelas pessoas com quem cruzamos caminho.

Perante um labirinto burocrático sufocante, orientações da Tutela frequentemente desconectadas da realidade do terreno e uma crónica escassez de recursos humanos e materiais, trabalhar de perto com os órgãos de gestão, docentes e não docentes é testemunhar o empenho constante em prol das comunidades escolares.

O combate a estas adversidades não se vence com a mera gestão, sendo necessária uma permanente resiliência e entrega que transformam as contrariedades em soluções para as nossas crianças e jovens.

No privilégio de acompanhar de perto o quotidiano de espaços como a Escola Secundária de São Pedro, Escola Secundária Camilo Castelo Branco, Agrupamento de Escolas Morgado de Mateus, Agrupamento de Escolas Diogo Cão, Agrupamento de Escolas de Murça, Agrupamento de Escolas D. Sancho II – Alijó, Agrupamento de Escolas Dr. António Granjo – Chaves, Agrupamento de Escolas Guerra Junqueiro – Freixo de Espada à Cinta ou Agrupamento de Escolas Dr. Ramiro Salgado – Torre de Moncorvo, entre tantos outros, aprendi que estas representam o que de melhor se faz no nosso país.

Em parte significativa das ocasiões tais comportamentos são marginalizados, o que pode suceder por duas causas mais comuns: Ou são desvalorizados, como acontece preconceituosamente com a atividade de diversos funcionários públicos. Ou, por alternativa, passam sistematicamente despercebidos.

No entanto, e tendo por consideração que nos territórios do interior, a escola é tantas vezes o último reduto da centralidade e esperança comunitária, cumpre relevar o comportamento de quem, longe dos holofotes, carrega a responsabilidade e coloca à disposição de todas as nossas famílias a dimensão humana que torna a Escola Pública possível.

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Por isto e tantas outras coisas, a todos os diretores, subdiretores, coordenadores e remanescentes profissionais com quem tive o privilégio de colaborar ao longo destes anos, presto o meu mais sincero e sentido tributo, lembrando que o sucesso da Escola é resultado da dedicação dos extraordinários profissionais e pessoas que a habitam.

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