Manuel R. Cordeiro
Manuel R. Cordeiro
Professor Catedrático aposentado da UTAD

Manuel Cordeiro – Valeu a Pena 2

Numa conversa que tive com o Dr. António Cardoso, disse-lhe que tinha estado em Moçambique num congresso e que me apetecia escrever sobre isso.

Falei-lhe sobre o quanto eu sempre gostei de Moçambique e como agora tinha boas perspetivas de ali me deslocar no âmbito da minha profissão, Professor Universitário e que considerava interessante concretizar essa vontade. Depois de conversarmos sobre qual seria o título que poríamos a essa colaboração surgiu a ideia de lhe chamarmos: Visão de Moçambique.

Ao primeiro texto chamei-lhe: Primeiras Impressões.

A primeira frase desse texto diz: agora já compreendo porque é que colegas meus do Colégio Dom Diogo de Sousa, em Braga, nascidos e moradores em Moçambique, Lobito, Luanda e outras cidades, mal começavam as férias de verão imediatamente partiam para suas casas.

Nesta primeira vez, fiquei instalado no Hotel Cardoso com vistas magníficas para a baía de Lourenço Marques, agora, Maputo.

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Nesse texto dizia “a primeira realidade que me saltou à vista foi a grandiosidade das suas Avenidas, longas e largas. Também o quanto os moçambicanos teriam que fazer para que as suas avenidas, as suas ruas e os seus edifícios públicos voltassem a ser como eram antes de 1975.

Também dizia que os moçambicanos tinham qualidades suficientes para operarem essas transformações.

As primeiras sensações que vivi foi a de alguém que pisava pela primeira vez África, neste caso concreto, Moçambique e que sentia uma sensação de liberdade tremenda e uma sensação de muita segurança. Isto vim depois a comprová-lo pois a esta primeira vez seguiram-se mais 7. Este período em que andei por Moçambique foi dos melhores da minha vida. Também o que muito me surpreendeu positivamente foi o comércio de rua. Os vendedores, na sua maioria jovens, mostravam uma educação que, para a sua idade, era digna de ser louvada. A abordagem que faziam aos potenciais compradores era com muita educação e muito convincente.

Ao segundo texto chamei-lhe Motivação. Nele eu dizia como o meu interesse por novos continentes e novo países, foi crescendo em mim. Nesse tempo não havia novas tecnologias, como agora. Não havia televisão, poucas pessoas tinham acesso a jornais, não havia internet, etc. Então o que é que provocou em mim a ânsia de conhecer novos mundos? No texto eu digo tudo isso. Em minha casa desde sempre me lembro de haver um jornal diário e mapas de todo o mundo, que o meu pai se encarregava de comprar. Sem dúvida que foi isto o que me “abriu” os olhos para um Novo Mundo, mais aberto e abrangente.

No texto de 25 de novembro de 1999, escrevi sobre o hotel Polana. Comparei-o com a pastelaria Gomes, de Vila Real. Quem passa por aqui, visitar a Gomes faz parte do programa e quem passava por Lourenço Marques e agora por Maputo, é sagrado visitar o Polana.

Durante a 2ª guerra Mundial cruzavam-se nos seus corredores espiões dos dois lados da Guerra. Estes conheciam-se muito bem e sabiam o que cada um ali fazia.

Os textos que escrevi sobre Moçambique foram dos que mais prazer me deram, desde que comecei a escrever, já lá vão mais de 30 anos.

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