Sábado, 30 de Maio de 2026
Manuel R. Cordeiro
Manuel R. Cordeiro
Professor Catedrático aposentado da UTAD

A Leonor e o Miguel

Este texto é o segundo que é feito em parceria com a minha neta Leonor.

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O tema foi escolhido por ela. Disse-me que queria que falássemos sobre o seu irmão e sobre ela. Eu aceitei de imediato pois pareceu-me muito interessante. Uma irmã que tem um irmão mais novo. Muitas vezes se fala sobre o relacionamento que há entre eles e, principalmente, quando a irmã é mais velha. À medida que crescem há sempre colisões entre eles, especialmente no que toca ao exercício da autoridade. Situação idêntica viveu a avó materna da Leonor. Também ela tinha um irmão mais novo.

Um texto destes não é fácil de fazer. Para o preparar tive uma reunião com a Leonor, na emblemática Confeitaria Gomes, bem conhecida de quem visita Vila Real. Na conversa que tivemos comecei por lhe perguntar, quando a mãe estava grávida se tinha preferência por ter um irmão ou uma irmã. Ela disse-me que tanto fazia. O que ela queria mesmo era ter um irmão, fosse menino ou fosse menina.

Disse-me também que o problema que ela tinha era não ter um irmão. Por isso ficou muito contente quando viu a gravidez da mãe. Também falámos sobre a questão de quem manda entre os dois. Ela foi perentória a dizer que é ela. Fiquei admirado porque me acrescentou que o Miguel, quase seis anos mais novo, concorda que seja ela. Quando ela lhe dá alguma ordem ele obedece e diz que tem que fazer o que ela lhe pede porque ele é o mais novo. Vamos ver se esta harmonia vai durar muito.

Falar-vos sobre os netos é fácil e é um prazer enorme para mim. Há cinquenta anos atrás, com os meus filhos ainda muito jovens, parecia que o tempo nunca me chegava para o que queria fazer. Hoje se estiver a fazer algo importante e chegarem os meus netos, deixo tudo e ponho-me à disposição deles para o que eles precisarem. A Leonor foi a primeira menina que nos apareceu na família. Para nós passou a ser a menina dos nossos olhos. É muito combativa e nunca desiste. Mesmo ainda muito novinha, sempre tentava tudo para completar as tarefas do dia-a-dia. Quando lhe oferecíamos ajuda sempre dizia: eu sou capaz. Quando me fazia algum pedido, eu respondia-lhe: vou pensar no assunto ou vou tratar do assunto. Depois de alguns tempos, um dia perguntei-lhe o que pensava das minhas respostas. Ela respondeu-me de imediato e com grande convicção: se dizes vou pensar no assunto, quer dizer que não vais fazer nada. Com esta resposta pôs-me ko.

Ainda hoje gosta muito de fazer surpresas aos avós. Quando vamos a Vila Real e/ou quando ela vem a Brunhoso, sempre nos faz uma surpresa. Entrega-nos um desenho feito por ela, que inclui quase sempre um coração, onde escreve uma frase. Na última surpresa que nos fez escreveu: queridos avós, vós sois os melhores de todos que eu já vi. Obrigada por tudo o que já me fizestes na minha vida. Perante estas provas de amor só nos resta fazer tudo o que está ao nosso alcance para que tenha um futuro bom. A ela não lhe falta foça de vontade e a nós sobra-nos amor para lhe dar.

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