Sexta-feira, 17 de Julho de 2026
André Sousa Machado
André Sousa Machado
Médico Interno de Formação Específica de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço

O seu filho ressona, ouve mal ou está sempre doente? Pode não ser “normal”

Na infância, é comum surgirem episódios de infeções, algum ressonar ou momentos em que a criança parece “não ouvir bem”.

Muitas vezes estes sinais são desvalorizados – mas quando persistem, merecem atenção.

O aumento das amígdalas e adenoides é frequente nas crianças e pode dificultar a passagem do ar durante o sono, resultando em ressonar, sono agitado ou episódios de apneia. A criança pode dormir mal, ficar mais irritável ou ter dificuldades de concentração.

Associada a este quadro surge muitas vezes congestão nasal persistente e rinorreia crónica – sintomas que levam a criança a respirar habitualmente pela boca. Esta adaptação, quando mantida ao longo do tempo, não é inócua: a respiração oral pode influenciar o desenvolvimento das estruturas da face e da boca, com impacto na posição da língua, no palato, no alinhamento dentário e nos músculos faciais. Em casos mais prolongados, pode contribuir para alterações do crescimento orofacial que beneficiam de avaliação precoce.

A presença de líquido no ouvido médio (otite seromucosa) pode surgir sem dor ou febre e interferir subtilmente com a audição: a criança pede para repetir, parece distraída, aumenta o volume da televisão ou apresenta atraso na linguagem.

-PUB-

As otites e amigdalites recorrentes fazem frequentemente parte deste mesmo quadro – um ciclo de inflamação que afeta, em simultâneo, a respiração, o sono e a audição.

Estes sinais raramente surgem isolados. Devem ser avaliados de forma integrada.

Como é feita a avaliação?

A observação em Otorrinolaringologia é simples e adaptada à criança. Permite avaliar as amígdalas e adenoides, identificar congestão nasal e obstrução das vias aéreas, detetar líquido no ouvido, testar a audição de forma adequada à idade e, em casos selecionados, estudar o sono.

Qual é o tratamento?

A abordagem inicial é médica e conservadora – higiene e lavagem nasal, terapêutica dirigida à inflamação das vias aéreas superiores e acompanhamento da audição. Muitas crianças melhoram significativamente com estas medidas. Quando os sintomas persistem, pode ser necessária uma abordagem adicional, sempre adaptada a cada caso.

Quando deve estar atento?

– Ressonar frequente

–Sono agitado ou pausas respiratórias

–Nariz sempre entupido ou a pingar

– Respiração habitual pela boca

– Infeções repetidas dos ouvidos ou garganta

– Sinais de audição diminuída

–Alterações na fala ou aprendizagem

Nem sempre é apenas “uma fase”. Respirar bem, dormir bem e ouvir bem são fundamentais para o desenvolvimento da criança. Identificar estes sinais precocemente permite atuar de forma simples e eficaz.

ARTIGOS do mesmo autor

NOTÍCIAS QUE PODEM SER DO SEU INTERESSE

ARTIGOS DE OPINIÃO + LIDOS

Notícias Mais lidas