A perda de olfato é cada vez mais comum. Apesar de a covid-19 ter trazido o tema para a atenção pública, muitas pessoas já sofriam em silêncio, de forma crónica e sem diagnóstico claro. A pandemia mostrou ainda como esta condição afeta não só a perceção sensorial, mas também a esfera emocional, alimentar, social e profissional. Para alguns doentes, a ausência de olfato mantém-se durante meses ou anos, mesmo após terapêuticas como corticoides, vitaminas ou reabilitação olfativa.
Neste contexto, surgiu a necessidade de explorar novas soluções. Uma das mais promissoras é a injeção de plasma rico em plaquetas (PRP) na mucosa olfativa.
PLASMA RICO EM PLAQUETAS NA PERDA DE OLFATO
O PRP é obtido a partir de sangue do próprio doente, centrifugado para isolar a fração mais rica em fatores de crescimento. Esse concentrado é injetado, sob anestesia local e com controlo endoscópico, numa zona específica da cavidade nasal onde se encontra a mucosa olfativa.
O procedimento é realizado em ambulatório, é praticamente indolor e já demonstrou eficácia em vários estudos, com melhorias significativas em casos de anosmia (sem olfato) ou hiposmia (olfato diminuído) persistente.
Importa salientar que nem todos os doentes são candidatos. Antes de propor a técnica, é essencial uma avaliação médica completa em consulta de otorrinolaringologia, que deve incluir exame endoscópico, diagnóstico clínico rigoroso, exclusão de causas estruturais ou inflamatórias e testes objetivos como o Sniffin’ Sticks. Só após esta análise é possível considerar a realização do procedimento.
EXPERIÊNCIA CLÍNICA
Esta técnica já tem vindo a ser aplicada com sucesso em diferentes centros nacionais e internacionais, com resultados favoráveis e consistentes. No Hospital da Luz foi utilizada em doentes com mais de 12 meses de perda olfativa sem resposta a outros tratamentos, tendo-se verificado melhoria objetiva e subjetiva do olfato e ausência de complicações relevantes.
Além de segura e minimamente invasiva, pode ser repetida em casos selecionados. Não substitui outras abordagens, mas representa uma alternativa válida quando os métodos convencionais falham, devolvendo esperança a quem se sentia sem opções.
Naturalmente, ainda existem questões a estudar: impacto a longo prazo, eficácia em diferentes causas e formas de personalizar o tratamento. No entanto, a experiência acumulada ao longo dos últimos anos é encorajadora e reforça o papel da otorrinolaringologia na reabilitação olfativa.
O PRP representa mais do que uma técnica: é uma mudança de paradigma, que transforma a resignação em ação e abre caminho para uma reabilitação ativa.
Se perdeu o olfato, recentemente ou há muito tempo, saiba que há novas opções. A resposta pode não ser imediata nem garantida, mas começa sempre da mesma forma: com um diagnóstico certo e uma avaliação cuidada em consulta de otorrinolaringologia.






