Já passaram quase 39 anos. Era então diretor, o Dr. António Cardoso. Recordo-me bem de que, durante algum tempo, os colaboradores do jornal, publicando artigos de diversos temas, era eu e o Professor Torres Pereira, também Professor da UTAD e mais tarde, reitor.
Tudo começou com o tema da energia elétrica. Inicialmente chamámos-lhe Crónicas da Energia e alternava eu e o Eng.º Américo Pires, que fora meu aluno no 5º ano da licenciatura em Engenharia Eletrotécnica da Escola de Ciências e Tecnologias da UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Eu também era, então, gestor do ITIDAI – Instituto de Trás-os-Montes para a Investigação e o Desenvolvimento Agro-Industrial, interface entre a universidade e a indústria.
Nessa altura tínhamos também uma Agência Regional de Energia, do Vale Douro Norte que resultou de um projeto europeu e que era uma parceria entre o ITIDAI e a Associação de Municípios do Vale Douro Norte.
As crónicas, além de poderem ser lidas no jornal, também podiam ser ouvidas na Rádio Independente, uma rádio local, às quartas-feiras, às 12h45.
A escolha do Eng.º Américo para diretor da Agência de Energia foi da minha inteira responsabilidade. Durante vários anos, graças ao trabalho por ele desenvolvido, comprovou-se que foi a melhor escolha que poderia ter feito. A ele muito se deve o enorme êxito que esta teve e que muito contribuiu para a divulgação e implementação da utilização da energia com segurança e racionalidade, nomeadamente em escolas.
Os textos publicados, que se tornaram muito populares, por tratarem temas importantes para o nos so dia a dia, pois a energia elétrica fazia e continua a fazer parte da nossa vida, diariamente.
Um episódio, que confirma o que digo, é o seguinte: um dia, estava eu nos Correios de Vila Real, aproximou-se de mim uma senhora e disse-me: sou a mãe do seu colega João Pavão, e digo-lhe que gosto muito de ler as suas crónicas da energia. A sua escrita é simples, clara e entende-se bem.
Para mim foi um momento de grande importância, porque me mostrou que valeu a pena as centenas de textos publicados desde então no jornal A Voz de Trás-os-Montes e nessa altura, ouvidas na Rádio Independente.
Desde então, tenho dedicado muito do meu tempo à escrita. Depois das Crónicas tratei de outros temas com destaque para o movimento rotário pois, entretanto, entrei para o Rotary Club de Vila Real e, em consequência, escrevi vários textos de divulga ção deste movimento ao qual ainda pertenço.
Escrevi também sobre Timor e sobre Moçambique. Os textos de Timor deram origem ao meu livro mais lido: Um Olhar (Atento) sobre Timor que foi baixado da internet, cerca de quatrocentos e trinta mil vezes.


