Baixaram os índices em ciências, leitura e matemática. Ou seja, nos últimos anos os alunos perderam competências importantes. Em Portugal, o declínio foi ainda mais acentuado, o que merece uma séria reflexão. O país viu todos os ganhos obtidos nos últimos anos a serem revertidos e os níveis de desempenho regredirem duas décadas, com a média a leitura e a matemática a atingir o valor mais baixo de sempre.
Certamente que há vários fatores presentes, que ajudaram a dar à luz estes resultados. Mas há um que parece prevalecer. Quem vai acompanhando os jovens nos últimos tempos, não pode deixar de apontar que chegámos aqui devido ao excesso de uso de aparelhos eletrónicos, que assentam sobretudo em conteúdos curtos e fragmentados, e do demasiado tempo passado nas redes sociais. Os alunos passaram a ter mais dificuldades em tarefas que exigem atenção e concentração e tendem a responder de forma mais precipitada, pouco pensada. Aliás, não só os alunos, mas parece-me que as pessoas estão a desaprender a pensar e a refletir. Apenas interagem e reagem. Hoje estamos a ter um problema grave de falta de atenção e, quando não se tem atenção, fica gravemente comprometida a aprendizagem.
Outros apontam que os alunos têm vindo a perder hábitos de leitura e capacidade de leitura, mas também temos tido notícias de que os jovens estão a ler cada vez mais livros. Falta saber se é uma moda passageira, muito influenciada pelas redes sociais, ou se, de facto, a leitura é pouco valorizada pelos jovens. E se assim é, é preocupante. Alguém alertava que é preciso recuperar a leitura profunda, fundamental para um aluno e um profissional competente. A leitura é a base de tudo. E já não temos dúvidas de que temos de repensar seriamente o tempo que dedicamos aos telemóveis e às redes sociais, onde impera uma leitura superficial, “a leitura apressada”, pouco compatível com a atenção prolongada, a perseverança e a reflexão exigidas pela leitura profunda.
Em boa hora se lembraram de proibir os telemóveis na escola até certas idades e estabelecer limitações sobre a frequência das redes sociais. Os malefícios estão à vista, é preciso mais leitura e menos telemóveis e redes sociais. Na escola, mas também na rua e na família.



