Pai e filhos, unidos pelo mesmo espírito e por uma sensibilidade comum, encontraram na música um universo vivo, e sempre aberto à descoberta.
O pai, Manuel Gregório, e os filhos, Vítor, Nuno e Lino Pinto, cedo se aventuraram no mundo dos sons, revelando uma vocação musical que, desde muito jovens, os impelia a explorar e a valorizar a música nas suas múltiplas expressões.
Manuel Gregório, músico amador, sentia a música como corrente magnética que percorria toda a sua alma sensível e inquieta, sempre em busca da perfeição. No acordeão, encontrava a expressão mais genuína de uma paixão que o acompanhava permanentemente.
Com a mesma dedicação e facilidade de aprendizagem, depressa dominou o saxofone, instrumento com que passou a integrar a Banda de Mateus. Em pouco tempo conquistou o seu espaço, tornando-se um elemento respeitado no seio da formação.
Quanto aos filhos, as palavras serão sempre insuficientes para traduzir o talento incomensurável de cada um deles. Dificilmente se conseguirá descrever, por palavras, a riqueza da sua sensibilidade artística, a mestria técnica e a capacidade interpretativa que os três têm revelado ao longo das suas extensas carreiras.
No seu percurso, têm demonstrado que a música é muito mais do que uma manifestação artística. É também celebração da vida, património comum e linguagem universal, capaz de unir gerações e capaz de tocar profundamente a alma humana.
Os três irmãos passaram pela Banda de Mateus, honrando o seu nome e a sua história com uma dedicação digna de registo. A sua passagem por esta velhíssima instituição deixou marcas que o tempo não apagará.
Vítor, no trombone, Nuno e Lino, nos clarinetes, fizeram nos seus instrumentos verdadeiras extensões da alma. Nas suas mãos, cada instrumento ganhou voz própria, contribuindo para a riqueza de uma banda cuja história se confunde com a memória e a identidade de Mateus.
Destaco, de forma particular, Nuno Pinto, cujo percurso artístico levou o nome da música portuguesa além-fronteiras. Concertista de reconhecida projeção internacional, é uma referência incontornável no universo do clarinete. Ele tem construído uma carreira marcada pela excelência interpretativa e pelo profundo domínio do instrumento. Integra o grupo de clarinetes Ad Libitum, formação que testemunha a riqueza expressiva deste instrumento e as possibilidades da música de câmara.
Tive o privilégio de os dirigir na Banda de Mateus, num tempo em que a música nos unia em torno de uma mesma paixão. Com todos eles, guardo uma página viva da história musical desta nobre instituição.




