É uma personalidade monumental da nossa cultura, um dos grandes homens que, através da sua arte, do seu magistério e da sua profunda humanidade, contribuíram para promover e valorizar Vila Real, enquanto território de criação, de conhecimento e de liberdade.
Tive a honra e o privilégio de o conhecer na Escola Diogo Cão, no ano de 1977. Mais tarde, a vida haveria de proporcionar-nos outros encontros e outras formas de partilha: primeiro, como colegas na Orientação Pedagógica; depois, como amigos, em viagens, convívios e tantos momentos de proximidade que guardo com especial carinho.
A sua obra e o seu percurso confundem-se, de certa forma, com a própria história da cidade.
João Estrócio sempre soube fazer da arte uma janela aberta para o mundo, um espaço de descoberta e de despertar de talentos, mas também um caminho de afirmação do indivíduo, enquanto ser livre, consciente e independente.
Como artista, revelou uma enorme capacidade de observar, sentir e transformar a realidade. Como professor, foi muito mais do que um transmissor de conhecimentos: foi um estimulador de sensibilidades, um orientador de percursos e, sobretudo, alguém que soube reconhecer em cada aluno uma possibilidade, uma voz e uma identidade próprias.
A sua ação pedagógica deixou marcas profundas em sucessivas gerações, ajudando muitos jovens a descobrir a criatividade, a confiança e a liberdade necessárias para encontrarem o seu próprio caminho. Essa é, talvez, uma das formas mais nobres de exercer a condição de artista e de professor: deixar nos outros a semente da criação e da liberdade.
João Estrócio pertence, por direito próprio, à memória viva de Vila Real. A sua presença na vida cultural e artística da cidade representa um legado que ultrapassa a sua obra pessoal.
Num tempo em que tantas vezes se esquecem aqueles que, silenciosamente, constroem a identidade cultural dos lugares, reconhecer João Estrócio é também reconhecer todos aqueles que acreditaram que a arte pode transformar pessoas e comunidades.
Vila Real é, certamente, uma cidade mais rica, mais sensível e mais humana pela sua passagem.
João Estrócio é, assim, não apenas um artista e um professor. É uma referência, uma memória e um exemplo de como a arte, quando vivida com verdade e humanidade, pode ser uma das mais poderosas formas de liberdade.
Vejo-o a cada momento.
Todos os dias tenho a sua companhia nas paredes da minha casa. As suas aguarelas estão presentes no meu quotidiano como presença silenciosa, mas profundamente viva.


