Alto TâmegaAssociação denuncia morte de 10 ovelhas após ataque de lobos

Associação denuncia morte de 10 ovelhas após ataque de lobos

A União dos Produtores de Gado Lesados pelos Lobos (UPGALL) revela que ontem ocorreu mais um ataque de lobo ibérico, que matou 10 ovelhas em Vales de Jales, no concelho de Vila Pouca de Aguiar.

Segundo a UPGALL, este ataque ocorre precisamente no dia em que a “senhora ministra anunciou que 85% dos autos de prejuízos declarados se encontram concluídos”. No entanto, “o que não é esclarecido é quantos desses processos foram recusados e quantos resultaram em indemnizações que estão longe de cobrir o verdadeiro prejuízo dos criadores. Temos conhecimento de situações em que são atribuídos apenas 40 euros por ovelha, valores que consideramos manifestamente insuficientes”.

A associação sublinha que neste caso de Vreia de Jales, o criador tem cães de proteção e os animais encontravam-se dentro de um cercado. Pelo que questionam o Governo sobre o que “se pode exigir mais aos criadores para protegerem os seus animais. E por que motivo, mesmo quando existem medidas de proteção, os prejuízos não são indemnizados pela totalidade do valor real dos animais?”, questiona.

Outra das medidas anunciadas passa por aumentar a disponibilidade de alimento para os lobos, nomeadamente através da existência de presas selvagens.

Sobre esta medida, a UPGALL quer saber de que forma se garante que esta medida irá reduzir efetivamente os ataques aos animais domésticos, uma vez que o lobo “é um predador e, perante presas domésticas mais vulneráveis, poderá continuar a optar por estas em vez de perseguir animais selvagens que oferecem maior resistência e risco de ferimentos”, frisa, dando com exemplo a cabra-montês no Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde existem populações desta espécie em áreas com presença de lobo. Contudo, a existência destas presas selvagens “não significa que os ataques aos animais domésticos deixem de ocorrer. Pelo contrário, os criadores continuam a relatar perdas significativas nos seus rebanhos”, acrescenta a associação.

“Se a existência de presas selvagens fosse, por si só, suficiente para evitar os ataques, como se explica que estes continuem a ocorrer em territórios onde essas presas já existem”.

A associação diz que “não podemos continuar a ouvir as mesmas soluções, ano após ano, enquanto os nossos animais continuam a morrer”, afirma, vincando que os criadores “não querem viver de indemnizações. Querem que os seus animais não sejam atacados. Nenhuma compensação financeira substitui o trabalho de anos, o valor genético e reprodutivo dos animais, nem o esforço diário de quem mantém estas explorações em funcionamento”.

 

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