E quando testei o Google surgiu-me esta citação do Linkedin, que não é propriamente uma rede de fake news: «é um ditado popular usado para dizer que pessoas ingénuas ou tolas podem ser facilmente enganadas com coisas simples, especialmente se algo aparenta ser agradável ou vantajoso, mas na realidade não é.» E constatando, remata: «Portugal, enquanto tiver um nível de literacia financeira baixíssimo, vai continuar a ter este sistema fiscal.» De literacia financeira e de outras.
Num contributo para debelar algum desconhecimento ou menor atenção aos verdadeiros problemas, ou melhor, para podermos ir além das “papas e bolos”, resolvi folhear alguns órgãos de comunicação social que assino, ou a que posso aceder através da internet. Consultei, assim, a newsletter pmemagazine – «Para as empresas, a medida terá impacto sobretudo através das retenções efetuadas mensalmente aos trabalhadores. Uma redução das taxas de retenção significa que, a partir da sua aplicação, os trabalhadores deverão receber um valor líquido superior, mantendo-se o acerto definitivo no momento da liquidação anual do IRS.»; o Público – «reduzir o IRS até ao sexto escalão, através da retenção na fonte, em novembro»; o Expresso – «A redução anunciada (…) será refletida nas tabelas de retenção na fonte em novembro». Quanto às pensões, acompanho a Presidente da Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados que declarou: «o bónus, (…) vai fazer os pensionistas sorrir, mas só durante um mês». Pouca coisa, pois!
Estes doces de Natal, veja o Expresso Economia e o JN – “têm origem no IVA dos combustíveis”. A subida vertiginosa e descontrolada temo-la sentido nas bombas de gasolina, mas também no supermercado, ou no comércio tradicional de bens alimentares, nos custos da habitação que não param de subir, no acesso aos cuidados de saúde, cada vez mais difícil – as pessoas sentem-se empurradas para os hospitais privados! Um pouco de atenção é o suficiente para constatar tudo isto. Entretanto, no Parlamento, passa-se ao lado, com audições de interesse duvidoso, moções de censura que mais parecem “um faz de conta”, debates estéreis eivados de alarido e ameaças de comissões de inquérito, mais persecutórias do que na procura de esclarecimento. Nada disto dignificante. Mas que levam as pessoas ao engano.


