Efetivamente, a tomada de posse do I Governo Constitucional foi um passo deveras importante no quadro do conjunto de acontecimentos que se enquadram no momento revolucionário. Aliás, tal como as eleições para a Assembleia da República – as que elegeram os Deputados Constituintes e as que decorreram já em 1976, as Legislativas, ou a eleição do Presidente da República, também por voto universal nesse mesmo ano. Hoje, dia 2 de agosto, completam-se 50 anos sobre a apresentação na Assembleia da República do programa do I Governo Constitucional.
Sabe-se que há quem muito se esforce por fazer esquecer Abril. Até se criou forte polémica sobre autonomizar a celebração de 25 de Novembro como tivesse sido possível existir Novembro se os jovens Capitães não tivessem feito Abril. A este propósito ocorre-me o programa de Maria Flor Pedroso, o Bloco de Notas, em Edição Especial, em que foram entrevistadas personalidades diversas da política, da cultura, de economia, com perspetivas diferentes, mas que assim deixavam o seu testemunho sobre tão importante acontecimento da nossa História.
Manteve-se presente a importância de tal momento. Ora, a apresentação do Programa do I Governo Constitucional é uma data que não pode ser esquecida e que, hoje, aqui recordo, pois passa o 50º aniversário. E encontrei, em documento do Parlamento, as palavras que o Presidente, Vasco da Gama Fernandes, dirigiu aos Deputados: “Estamos efetivamente num momento muito alto da nossa vida constitucional.
O Presidente da Assembleia não podia furtar-se à emoção de assinalar perante os seus pares, perante o povo, perante a imprensa, perante os senhores diplomatas, perante o País inteiro, este facto transcendente da nossa vida após cinquenta anos de fascismo: pela primeira vez um Governo Constitucional apresenta-se à Assembleia do povo para prestar contas. Quero que este facto seja assinalado, Srs. Deputados, com a nossa alegria e com a nossa profunda emoção.”
Sei que os leitores dos meus Vistos me acompanham neste momento de congratulação do primeiro Presidente da Assembleia da República. E aquele momento, com tamanha carga de emoção, só foi possível porque se fez Abril.


