António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO | Ex-Governador Civil e Ex-Deputado

O Douro não para de me surpreender

Gostei de ler no JN do passado dia 10 este sentir do Senhor Presidente da República.

E logo acrescentei: e a nós, também. O Presidente António José Seguro, na viagem de comboio entre o Pinhão e o Pocinho, pôde fruir uma paisagem de excecional beleza, construída pelo homem através de vários séculos e que a UNESCO classificou em 2001 Património da Humanidade como paisagem cultural evolutiva e viva, atravessou o que alguns designam por Douro do Silêncio e chamou a atenção para um outro Património Cultural da Humanidade, as Gravuras Rupestres do Vale do Côa, assim classificado em 1998, após a trabalhosa luta pela sua preservação e a criação do Parque Arqueológico do Vale do Côa.

Agora que passa o 30º aniversário dessa instituição, já muitos esqueceram os obstáculos que foi necessário ultrapassar, a luta que alguns ousaram empreender e os riscos que uns poucos correram, tais eram as dificuldades que se ergueram aos que lutaram pela preservação e salvaguarda desse Bem Cultural. Apraz-me lembrar hoje dois momentos que reputo deveras importantes para tal.

O 1º tem a ver com o envolvimento de muitos foz-coenses, professores e alunos das escolas do concelho, autarcas e dirigentes partidários. As muitas presenças na sessão pública organizada pelo Fórum Trás-os-Montes e Alto Douro na sede da Junta de Freguesia, presidida pelo Dr. Almeida Santos, é uma expressão desse envolvimento popular. A maneira como as pessoas apresentavam as descobertas que uma após outra se conseguiam identificar mostradas a visitantes com incontido orgulho pelo valor cultural que encerravam é outra.

O outro momento prende-se com a visita do Presidente Mário Soares, após convite formulado em audiência concedida ao deputado Eurico de Figueiredo e a mim próprio. O Presidente terminou assim: ó Eurico, então, os meus amigos acham que devo ir lá! A visita fez-se e as televisões fizeram diretos de muito perto das gravuras. Facto fundamental, que abriu caminho à decisão do Governo de António Guterres.

-PUB-

A afirmação proferida pelo Presidente António José Seguro e que dá o título ao meu Visto, foi no sentido positivo. Há, todavia, algumas surpresas no Douro que não podemos classificar de tão positivas quanto as que o Presidente pretendeu realçar.

O Douro, região demarcada, debate-se com graves problemas. E os durienses só os ultrapassarão se houver a tal capacidade de “uma gestão integrada, que junte o Estado, autarquias, privados, e que possa resultar num benefício económico e emprego de qualidade”. Para que o Douro possa continuar a surpreender-nos pela positiva.

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