Assim são os meses de verão.
Os políticos, é vê-los, numa azáfama, divididos em várias caras, na tentativa de marcar presença no maior número de eventos possível.
Esta divisão de tarefas, implica que, a presença de alguns tenha de ser substituída por segundas e terceiras linhas, algumas já bastante ultrapassadas e prejudiciais, umas vezes vestidos a preceito, outras nem tanto, usam e abusam de lugares, nomeadamente em procissões, não se entendendo a que titulo lá estão, mas… como ninguém diz nada, a procissão passa solenemente, acompanhada com a postura festiva de alguns, espelhada num sorriso pateta, na tentativa bacoca de seduzir quem presencia.
Como disse uma amiga minha “no final da temporada, os políticos terão os pecados perdoados, ou uma percentagem calculada, entre o número de pecados e a presença nas procissões”.
Se fizermos o exercício de comparação com o ano passado, que foi ano de eleições autárquicas, a presença de alguns políticos nas festas das freguesias fica muito aquém, dando a ideia que estas só têm importância em ano de eleições. É de quatro em quatro anos que as presenças são massivas e o povo não se deixa enganar.
A presença dos políticos nas festas, além da sua própria promoção, também confere alguma importância à própria festa e à freguesia, mas a verdadeira importância é a presença permanente, fora das festas e sem ser em ano de eleições. As freguesias merecem e necessitam, que se olhe com atenção aos seus problemas e às vontades e anseios das suas populações, desde a falta de manutenção das estradas e arruamentos, assim como a cobertura do prometido saneamento, a escassez do transporte público, o combate ao envelhecimento da população, alargando as valências das IPSS’s e mesmo o apoio às iniciativas protagonizadas pelas associações locais que desempenham um papel essencial no desenvolvimento cultural e no enraizamento das populações.
As freguesias têm de ser acarinhadas, e foi para mim uma surpresa, uma perplexidade, a total ausência de representantes do meu partido, na inauguração do Miradouro da Fragata Alta, em Agarêz/Galegos, na freguesia de Vila Marim, esta inauguração foi no dia do eclipse solar, e o eclipse não foi apenas do sol. E como se não bastasse a presença na inauguração dos Balneários de Apoio ao Polivalente Desportivo de Vila Marim, também teve uma ausência quase total. O Presidente da Junta de Freguesia, Diogo Nóbrega, não merecia, o seu trabalho tem sido fantástico.
E chegados a setembro, temos a chamada rentrée, aposta-se as fichas todas na grandiosa romaria da Senhora da Pena.
Faz-se a comparação do número de pessoas que se consegue ter presentes no evento que cada partido organiza, e cria-se a ilusão de uma união que se escreve e documenta com fotografias.
O outono aproxima-se e, com ele Vila Real, começa a antever os meses de inverno. Começamos a nossa hibernação.
Que passe rápido e que chegue uma nova primavera, porque este ano os últimos cartuchos foram queimados e alguns foram de pólvora seca.


