Sábado, 18 de Abril de 2026
Luís Tão
Luís Tão
Empresário

Nomeações públicas: entre o mérito e a fidelidade

Nos últimos tempos, temos assistido, a nível local, regional e nacional, a uma sucessão de nomeações de natureza política que suscitam dúvidas cada vez mais profundas sobre os critérios que efetivamente as sustentam.

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Um padrão que, importa sublinhar, não é exclusivo de qualquer partido, mas antes um traço persistente da cultura política nacional.

Em vez de competência, experiência ou mérito, o que parece prevalecer é a proximidade partidária, a lealdade pessoal ou a conveniência estratégica. Esta tendência não é apenas preocupante, é profundamente corrosiva para a confiança nas instituições.

O que suscita uma interrogação inevitável sobre a arquitetura do próprio Estado: qual é, afinal, o peso real do mérito na escolha de quem assume cargos públicos?

Quando processos que deveriam ser regidos por rigor, imparcialidade e escrutínio acabam por parecer condicionados por fatores externos ao interesse público, instala-se a dúvida legítima sobre a robustez dos mecanismos que deveriam proteger a integridade das instituições.

Não está em causa a legitimidade de governos (locais ou nacional) escolherem equipas da sua confiança. Essa é uma prática normal em qualquer democracia. O problema surge quando a confiança substitui completamente a competência, e quando cargos técnicos passam a ser ocupados por perfis cuja principal qualificação parece ser a proximidade partidária.

Este tipo de prática tem consequências reais. Enfraquece as instituições, compromete a qualidade das decisões e alimenta a perceção, cada vez mais generalizada, de que o Estado funciona como uma extensão dos interesses políticos de quem governa.

Mais preocupante ainda é a normalização deste fenómeno.

Governar não deve ser distribuir lugares, mas garantir que os melhores estão nas posições onde mais podem servir o interesse público.

Criou-se uma comissão, a CReSAP, com o objetivo central de promover a meritocracia, a transparência e a independência nos processos de seleção para cargos de direção e gestão no Estado, mas esta, continua limitada por fragilidades estruturais que comprometem a eficácia do seu trabalho. Os pareceres emitidos, tanto para dirigentes superiores como para gestores públicos, têm natureza não vinculativa, permitindo que decisões políticas prevaleçam mesmo quando a avaliação técnica é desfavorável.

Se queremos instituições mais fortes e uma democracia mais saudável, é urgente voltar a colocar a competência no centro das decisões.

Importa, exigir mais transparência e responsabilidade. Os critérios de nomeação devem ser claros, públicos e escrutináveis. Deve haver mecanismos de avaliação independentes e uma cultura política que valorize a competência acima da conveniência.

Defender critérios rigorosos, transparência nos processos de nomeação e valorização do mérito não é um ataque à política – é, pelo contrário, uma forma de a dignificar!

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