É por este motivo que durante este mês podemos ver laços azuis em toda a parte. A campanha do Laço Azul é baseada no caso de Bonnie Finney, uma mulher norte americana que em 1989, amarrou uma fita azul, na antena do carro, em homenagem ao seu neto que fora brutalmente assassinado, vítima de maus tratos graves. Michael, de 3 anos, foi espancado pela mãe e o seu namorado. Bonnie Finney, a avó, encontrou neste gesto a sua forma de lidar com a perda, ao alertar a comunidade para a importância da proteção das crianças vítimas de maus-tratos e nem a cor foi escolhida ao acaso. Bonnie escolheu o azul, não apenas por ser uma cor bonita, mas por lhe relembrar constantemente das nódoas negras dos seus netos e, por isso, referiu que “o azul funciona para mim como um constante alerta pela proteção das crianças”.
A repercussão deste caso foi de tal ordem que abril passou a ser o mês Internacional da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância.
De facto, a negligência e os maus-tratos continuam a evidenciar números alarmantes em Portugal. Em 2024, a negligência – que pressupõe uma omissão de providenciar aspetos relacionados com a segurança, higiene, alimentação e formação da criança por parte dos cuidadores, podendo essa omissão ser intencional ou não – foi a categoria mais comunicada às Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (com 19 107 casos, representando 30,4% do total). Os maus-tratos físicos aumentaram para 3282, representando 5,2% do total, já os maus-tratos psicológicos registaram 1.981 casos, representando 3,2% do total. Os maus-tratos, não são omissões, são atos deliberados do uso da força por diferentes motivos e podem ser físico, sexual ou psicológico.
Este é um grande flagelo na nossa sociedade uma vez que, estes atos são praticados pelos pais ou principais cuidadores que, são as pessoas de quem as crianças esperam mais afeto, conforto, proteção e amor.
Além disso, muitas destas situações ocorrem de forma silenciosa e têm consequências graves no futuro das crianças, razão pela qual este mês é tão importante para aumentar a visibilidade do problema, disseminar informação e incentivar cada vez mais a comunicação de situações de perigo.
Lutar pelos direitos, proteção e desenvolvimento saudável das crianças, é uma responsabilidade de todos nós. Aprendamos em abril como proteger as nossas crianças e jovens, todos os dias.




