A Teoria do Apego tem vindo a descrever como as experiências precoces com os cuidadores primários – frequentemente, os pais – são internalizadas, em esquemas emocionais, comportamentais e cognitivos. Isto significa que, as crianças internalizam as experiências da primeira infância, e formulam representações mentais que vão orientar e influenciar as suas relações ao longo de toda a vida.
As experiências precoces desempenham um papel preponderante no desenvolvimento posterior da criança, pelo que, quando as figuras de apego não exibem comportamentos nutritivos e protetores em relação às crianças, o seu desenvolvimento social, emocional e cognitivo pode ser prejudicado. Consequentemente, crianças com pais abusivos, negligentes e que não estão emocionalmente disponíveis, têm mais probabilidades de desenvolver estilos de apego inseguros, o que faz com que percecionem o seu ambiente social como não confiável, imprevisível ou mesmo hostil e desenvolvam uma baixa autoestima. Em contrapartida, uma criança com elevada qualidade de apego, é provável que desenvolva uma autoestima adequada e que veja o mundo como confiável, previsível e positivo.
A determinado ponto no desenvolvimento da criança a organização interna do apego torna-se cada vez mais estável e resistente à mudança, pelo que, a literatura tem analisado a relação entre o apego e a manifestação de, por um lado, comportamentos de internalização – isolamento, queixas somáticas, ansiedade e depressão – e, por outro lado, comportamentos de externalização – hostilidade, problemas de oposição e comportamentos agressivos. Verifica-se que os adolescentes que percecionam ter relações positivas com os seus pais apresentam uma tendência diminuída para quebrar as regras e ter comportamento inadequado. Pelo contrário, se os adolescentes considerarem que a relação com os pais é marcada pela alienação e falta de confiança, são mais prováveis de exibir comportamentos agressivos e delinquentes.
Em suma, a relação entre a vinculação e os comportamentos desajustados evidencia o papel central das primeiras relações e interações afetivas na organização emocional e comportamental dos indivíduos. Padrões de vinculação inseguros ou desorganizados tendem a comprometer a capacidade de regulação emocional e perceção de segurança nas relações, aumentando a probabilidade de respostas comportamentais desajustadas, as quais devem ser compreendidas como expressões de necessidades emocionais não satisfeitas.




