Após anos e anos de abandono, a Panificadora atingiu um enorme estado de degradação, dada a inexistência de uma barreira física, de modo a impossibilitar o acesso ao seu interior.
Antevia-se a sua demolição.
Foram apresentadas várias propostas de reabilitação e uso do edifício, elaboradas teses de mestrado, surgiu uma petição para a salvar com 1.655 assinaturas, houve um pedido de auxílio à Ministra da Cultura, à época Graça Fonseca, com cerca de 500 assinaturas entre arquitetos, artistas e historiadores. De nada valeu.
A Direção Regional da Cultura do Norte, deu parecer favorável à sua demolição, que aconteceu em fevereiro de 2020. O seu abandono e o estado de degradação, foram os principais motivos pelos quais o edifício não foi classificado de interesse público.
A classificação de monumentos de interesse público vai muito além de uma simples categorização. Trata-se de um ato que envolve a valorização da cultura, da história e da identidade de um povo. Esses monumentos, que podem ser edifícios, estátuas ou sítios arqueológicos, são testemunhos da trajetória de uma sociedade e desempenham um papel essencial na construção da memória coletiva.
Um dos principais motivos para a referida classificação é a preservação da história. Cada estrutura possui uma narrativa única, refletindo a época em que foi construída, os valores da sua sociedade e até mesmo os desafios enfrentados ao longo do tempo. Sem essa classificação, muitos desses testemunhos podem-se perder, desaparecendo sob o peso do esquecimento e da degradação.
Estes, também são símbolos da identidade cultural. Eles conectam as gerações passadas às presentes e futuras, oferecendo um senso de pertença e continuidade. Ao reconhecer e classificar esses locais, estamos não apenas a assegurar a sua conservação, mas também a celebrar a diversidade cultural do nosso património.
Portanto, classificar monumentos de interesse público é uma ação crucial que reafirma o valor da história, da cultura e da nossa identidade. Ao proteger e promover esses bens, garantimos que as futuras gerações tenham a oportunidade de aprender com o passado e manter viva a chama da nossa rica herança cultural. Em tempos de constantes mudanças e desafios, essa classificação é um ato de amor e respeito por tudo o que nos define.
Em outubro do ano passado, o Presidente do Conselho Diretivo do Instituto do Património Cultural, João Soalheiro, propôs, com fundamento em parecer, ao Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, a Panificadora de Chaves como monumento de interesse público.
Esta Panificadora, portadora de características arquitetónicas bastante singulares, serviu de modelo à nossa Panificadora, já que o que o arquiteto e pintor que a projetou é o mesmo, Nadir Afonso.
Está de parabéns Chaves com esta conquista e reconhecimento, nós por cá ganhamos um parque de estacionamento.




