O momento foi organizado com destaque institucional, mas sem que tivesse sido apresentada, de forma prévia e detalhada, uma explicação sobre as razões da substituição do anterior símbolo, o processo seguido ou os critérios que conduziram à escolha da nova imagem.
No final da apresentação, os vereadores da oposição, com exceção do vereador Luís Nicolau que não esteve presente, foram para as redes sociais tecer os mais rasgados elogios ao símbolo que agora era de todos, tiraram fotos que baste, associando-se desta maneira ao evento.
As redes sociais reagiram, e a sua reação não foi consensual, questionaram, contestaram, e os vereadores da oposição tiveram de fazer um golpe de ginástica, conhecido na política como… “mortal à retaguarda”.
Perante essa contestação, os vereadores da oposição alteraram o discurso. Passaram a afirmar que a questão principal não era a qualidade do design, mas sim a forma como todo o processo foi conduzido, apontando falta de transparência e considerando excessivo o valor investido.
A festa durou pouco, o cuidado na avaliação foi pouco, para não dizer nenhum.
Devo dizer que o executivo que lidera a câmara, tem toda a legitimidade na apresentação de um novo símbolo, mas talvez devesse ter feito as coisas de maneira diferente, e agora, uns tempos depois, olhando para trás, talvez fizesse.
Todas as cidades/concelhos possuem uma identidade única, formada pela sua história, cultura, arquitetura e pessoas. No entanto, para que essa identidade seja facilmente reconhecida e transmitida, é fundamental que ela tenha um símbolo representativo, um elemento visual ou emblemático que sintetize a sua essência e história.
O símbolo de um concelho vai muito além de uma simples imagem; ele funciona como uma âncora emocional para os seus habitantes. É nele que os cidadãos encontram orgulho, sensação de pertença e ligação com o lugar onde vivem. Quando alguém vê esse símbolo, imediatamente associa a ele memórias, valores e sentimentos ligados à cidade, criando uma ligação invisível, porém poderosa.
Além disso, serve como uma ferramenta de comunicação eficaz, tanto para os moradores quanto para visitantes, um símbolo forte e bem definido ajuda a construir uma marca urbana sólida, capaz de atrair investimentos, fomentar o comércio local e fortalecer o senso de comunidade.
Ter algo que represente o concelho é, portanto, essencial para consolidar sua identidade, valorizar sua cultura e incentivar o desenvolvimento social e económico. Em suma, o símbolo é muito mais do que uma imagem, é a alma visual que liga passado, presente e futuro, fortalecendo a união entre as pessoas e o lugar que chamam de lar.
Para mim, tudo o que se passou e está a passar, não passa de uma tempestade num copo de água.
Tal como dizia Agustina Bessa-Luís “O país não precisa de quem diga o que está errado; precisa de quem saiba o que está certo”.
E o concelho de Vila Real também.



