Quinta-feira, 2 de Julho de 2026
Alina Sousa Vaz
Alina Sousa Vaz
Vereadora do PSD na Câmara Municipal de Vila Real

Não, não somos todos iguais. Os factos têm datas e as responsabilidades também.

Há momentos na política em que se tenta criar a ideia de que “somos todos iguais” e que todos fazem o mesmo.

Que todos erram da mesma forma. Que todas as responsabilidades são equivalentes. É um argumento confortável para quem governa, mas profundamente injusto para quem exige rigor na gestão da coisa pública.

Foi isso que aconteceu quando, confrontado com as questões sobre a perda do financiamento da Zona Industrial de Constantim, o Senhor Presidente da Câmara respondeu com o exemplo da remodelação do edifício do IEFP de Vila Real. A intenção era clara: colocar os dois casos no mesmo plano e concluir que todos falharam da mesma maneira.

Mas os factos contam outra história.

A Zona Industrial de Constantim foi aprovada em janeiro de 2022, com cerca de oito milhões de euros de financiamento PRR a fundo perdido. O Município teve mais de dois anos para lançar concursos, adjudicar a obra e executar um projeto estratégico para a economia local. O primeiro concurso surgiu apenas em 2024 e o projeto acabou por ser relançado no final de 2025, quando já deveria estar concluído. Durante todo este período, a responsabilidade política pertenceu ao mesmo executivo socialista.

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No IEFP, também se perdeu um investimento de cerca de 22 milhões de euros para a requalificação integral do edifício. Mas a cronologia é diferente. O projeto existia desde 2021 e foi nesse período que se acumularam atrasos decisivos. Após a publicação em Diário da República do procedimento para o projeto de arquitetura, o processo apenas ficou concluído em setembro de 2024. Quando a nova direção do IEFP tomou posse, em outubro desse ano, encontrou uma obra de enorme dimensão com menos de um ano e meio para ser executada até julho de 2026.

Era uma situação praticamente impossível de recuperar.

Os casos não são iguais. Mas também não podem servir para esconder a mesma realidade: os atrasos que comprometeram ambos os projetos ocorreram durante períodos de governação e de gestão sob responsabilidade do Partido Socialista.

A diferença está na responsabilidade direta. No Município de Vila Real, quem iniciou o projeto foi quem teve tempo para o executar e não o fez. No IEFP, a nova direção recebeu um processo já profundamente atrasado, sem margem para recuperar anos de inação.

É esta distinção que o Senhor Presidente preferiu ignorar.

Os vila-realenses merecem mais do que comparações convenientes. Merecem transparência e responsabilização. Porque perder milhões de euros do PRR não significa apenas perder financiamento. Significa perder investimento, emprego, competitividade e confiança.

Na política, a responsabilidade não se mede pelo momento em que o problema rebenta. Mede-se pelo tempo que cada um teve para o evitar. E, nesse ponto, os factos são claros: não, não somos todos iguais.

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