Sexta-feira, 17 de Abril de 2026
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Alina Sousa Vaz
Alina Sousa Vaz
Vereadora do PSD na Câmara Municipal de Vila Real

O interior não pode lutar sozinho. Mas também não pode esperar parado

O debate sobre o interior do país não é novo e talvez seja precisamente esse o problema.

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Voltamos vezes sem conta ao mesmo diagnóstico, às mesmas queixas e à mesma ideia de abandono, sem que isso se traduza, muitas vezes, em mudança real. A entrevista do presidente da Câmara de Vila Real é mais um exemplo de um discurso que identifica dificuldades, mas que pouco acrescenta ao caminho que é preciso fazer.

Entretanto, nos últimos dois anos, o Governo liderado por Luís Montenegro trouxe uma mudança de postura que não pode ser ignorada. Houve uma aproximação clara aos territórios, com presença no terreno e diálogo direto com autarcas e populações. A recente visita do ministro Carlos Abreu Amorim a Vila Real confirma essa disponibilidade para ouvir e agir.

Mas mais do que a presença, contam as medidas. A redução do IRS aumentou o rendimento disponível das famílias. Os incentivos às pequenas e médias empresas reforçaram o tecido económico, essencial no interior. Na habitação, a aposta no aumento da oferta começa a criar condições para fixar população. E a simplificação administrativa aproxima o Estado dos cidadãos, eliminando barreiras que durante anos penalizaram quem vive fora dos grandes centros.

Nada disto resolve tudo, mas ignorá-lo seria desonesto. Há um caminho em curso e uma mudança de atitude que importa consolidar. E é precisamente aqui que o debate deve evoluir.

O interior não pode continuar preso a uma narrativa de permanente reivindicação sem estratégia. Reivindicar é legítimo, mas não pode substituir a iniciativa. Os territórios têm de assumir um papel mais ativo: criar projetos, atrair investimento, mobilizar recursos e definir uma visão clara para o seu desenvolvimento.

Enquanto autarca do Partido Social Democrata, sei que os desafios são reais. Mas também sei que esperar apenas por respostas externas não chega. O desenvolvimento constrói-se com exigência, mas também com liderança local. Gerir apenas o dia a dia não chega para um concelho como Vila Real.

Portugal precisa de estabilidade para desenvolver setores estratégicos e garantir crescimento sustentado. Mas essa estabilidade só fará sentido se for acompanhada por uma mudança de atitude, tanto a nível nacional como local.

O interior não pode lutar sozinho. Mas também não pode esperar parado.

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