Quinta-feira, 18 de Junho de 2026
Alina Sousa Vaz
Alina Sousa Vaz
Vereadora do PSD na Câmara Municipal de Vila Real

As freguesias merecem mais do que reconhecimento simbólico

Um bem-haja a todas as freguesias do nosso concelho pelo trabalho, dedicação e esforço que desenvolvem ao longo de todo o ano e, em particular, na dinamização das festas da cidade e restantes iniciativas culturais.

São as juntas de freguesia, os seus eleitos, colaboradores, associações e voluntários que garantem, muitas vezes com grande esforço, a concretização de momentos importantes da vida coletiva.

Apesar dos apoios existentes, a realidade demonstra que as freguesias assumem frequentemente encargos adicionais, mobilizam recursos próprios e recorrem a um enorme esforço humano para assegurar representações dignas e representativas. Este contributo merece reconhecimento, mas também reflexão sobre o modelo atual de organização das festividades.

Os presidentes de junta vivem, em muitos casos, assolambados de trabalho na preparação das representações das suas freguesias nas festas da cidade. Durante semanas, acumulam tarefas de logística, organização, mobilização de pessoas e coordenação de atividades. Fazem-no com empenho e sentido de missão, mas essa dedicação intensa acaba por reduzir a disponibilidade para aquilo que é essencial: o acompanhamento próximo das populações, a gestão quotidiana das freguesias e a resposta aos problemas concretos dos cidadãos.

Importa, por isso, questionar se o atual modelo não estará excessivamente centrado no núcleo urbano, relegando as freguesias para um papel sobretudo representativo nas festas da cidade. As freguesias não podem ser vistas apenas como apoio logístico ou decorativo dos eventos municipais. São estruturas fundamentais de proximidade, com identidade própria, conhecimento direto do território e um papel insubstituível na coesão social.

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As festas da cidade devem continuar a ser um momento de celebração coletiva, mas não podem ficar confinadas ao centro urbano. O concelho é feito de múltiplos territórios, cada um com a sua história, cultura e património. A valorização dessas identidades deve ser parte integrante da estratégia cultural, promovendo uma maior descentralização das iniciativas e uma distribuição mais equilibrada dos eventos.

O caso das festividades associadas a Santo António é ilustrativo da necessidade de reflexão. Quando uma celebração perde dinamismo e capacidade de mobilização, importa repensar formatos, conteúdos e até a sua ligação ao território, de forma a recuperar o envolvimento das comunidades e a sua relevância cultural.

Defender as freguesias é defender um concelho mais equilibrado, mais participado e mais coeso. Mais do que reconhecê-las apenas nos momentos festivos, importa dar-lhes condições para desenvolverem o seu próprio trabalho, valorizarem a sua identidade e responderem às necessidades reais das populações.

A construção de um território forte faz-se com todas as suas freguesias, não apenas com o seu centro. É tempo de reforçar essa visão e transformar o reconhecimento em verdadeira valorização.

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