Celebrar Abril é ter a coragem de falar claro, mesmo quando a realidade não é favorável.
Com a aproximação do verão, Vila Real enfrenta um cenário que não pode ser ignorado. Ao contrário da narrativa otimista que por vezes se tenta construir, o concelho continua a ser, maioritariamente, um ponto de passagem e não um destino turístico consolidado. Os indicadores já evidenciavam fragilidades, mas os incêndios do ano passado agravaram significativamente essa realidade. Perdemos um dos nossos maiores ativos, a paisagem natural, que sempre funcionou como fator de atração. A sua destruição terá impactos duradouros e os já baixos índices turísticos dificilmente melhorarão sem uma estratégia séria e consistente.
A realidade no terreno confirma esta falta de prioridade. Os passadiços, que poderiam ser um elemento diferenciador, continuam sem a manutenção necessária, transmitindo uma imagem de abandono. E o mesmo se verifica com os elevadores urbanos, frequentemente avariados, que deveriam garantir acessibilidade e mobilidade. Esta era uma promessa de facilidade para os moradores da Rua dos Ferreiros, para a população mais idosa e até para quem nos visita. Hoje, são mais um símbolo de falha na gestão. Não basta anunciar, é preciso garantir que funciona.
Também ao nível do apoio ao associativismo importa trazer rigor ao debate. Desde o início do mandato, a atribuição de subsídios tem sido uma constante. A vereação do PSD tem votado favoravelmente estas propostas, reconhecendo o papel essencial das associações. Mas isso não impede, antes exige, que se questionem os critérios utilizados.
Segundo o executivo, os apoios baseiam-se em planos de atividades apresentados apoiados até 60% da proposta apresentada. Contudo, a ausência de mecanismos consistentes de fiscalização e avaliação levanta dúvidas legítimas. Não se trata de criticar por criticar, mas de garantir justiça e eficácia na aplicação dos recursos públicos. Tratar todos por igual, sem distinguir o impacto real do trabalho desenvolvido, é desvalorizar quem contribui de forma séria para o desenvolvimento de Vila Real.
Cada um deve assumir o seu papel com clareza e responsabilidade. Governa quem vence eleições; fiscaliza quem está na oposição. É nesse equilíbrio democrático que se constrói uma gestão mais transparente. O PSD não se limita a apontar fragilidades, propõe soluções, levanta questões e contribui para melhorar decisões.
Uma visão social-democrata assenta na transparência, no rigor e na valorização do mérito. Não no facilitismo, não na ausência de escrutínio.
Celebrar o 25 de Abril é também isto: ter a liberdade de exigir mais, denunciar o que está mal e trabalhar por um concelho com futuro. Vila Real não precisa de ilusões – precisa de verdade, exigência e ação.




