Tudo começou em setembro com três casos suspeitos de botulismo alimentar, em que o diretor-geral de saúde, Francisco George, associou estes casos ao consumo de alheiras da marca “Origem Transmontana”, aconselhando os consumidores a não comprarem produtos desta marca.
Agora, volvidos mais de dois meses, o proprietário da marca, Luís Portugal, sente-se “destruído” por uma campanha feita contra si próprio e contra a sua empresa. “Não foi o caso do botulismo que afetou a minha empresa, foi o terrorismo económico pessoal e empresarial de que fomos vítimas”, afirmou este empresário, adiantando que “uma mentira” destruiu a marca que criou para promover os produtos transmontanos. “Tenho provas firmes e garantidas. Aliás, ainda recentemente apareceram mais casos em que o senhor diretor-geral arranjou logo um presunto caseiro para resolver o problema, mas nem sequer sabemos se o botulismo estará ligado a esse presunto caseiro”. Além disso, as pessoas afetadas “não têm a certeza sobre aquilo que consumiram ao certo”. “No processo aparecem casos que não têm nada a ver nem estão associados à marca "Origem Transmontana". Depois há ainda dois casos que estão no processo, mas não estão provados”. Segundo Luís Portugal, há uma senhora que comeu uma alheira industrial num restaurante mas “diz que não tem a certeza, nem se sabe, nem nunca vamos saber se foi dali a origem do problema”. Outra pessoa comeu um iogurte fora da validade e depois levou as alheiras, sem rótulo, para casa, em agosto com a temperatura acima dos 25 graus, mas não faz ideia nenhuma de que marca são”, sustenta, indignado.
Na verdade toda esta situação provocou receio nos consumidores, que deixaram de comprar produtos da marca “Origem Transmontana” e isso “afetou muito” a vida pessoal e empresarial de Luís Portugal, como relata em lágrimas. “Quase fiquei louco, tudo começou a correr mal, a minha mãe teve um AVC, a minha filha foi vítima de bullying na escola, alguns dos meus colaboradores abandonaram o barco, por diversos motivos, sendo tudo isto uma mentira”.
O ex-concorrente do MasterChef diz que foi acusado em praça pública sem terem provas e por isso exige um pedido de desculpas àqueles que o julgaram sem justificação. “Estes senhores têm de convocar uma almoçarada e demitir-se todos. Têm ainda de fazer um pedido de desculpas público a uma região, a uma pessoa e a uma empresa. É obrigatório”.
Na semana passada, a ASAE devolveu à empresa as compotas apreendidas para análise, o que prova que “não havia qualquer problema com estes produtos, aliás foi o único que levaram para analisar”. “Esta libertação das compotas quer dizer que estão todas em condições para consumir. Realço que os inspetores não fecharam o restaurante, não fecharam a unidade de produção, nem fecharam a sede da empresa. É sinónimo que estava tudo bem, por isso não compreendo este terrorismo de que fui vítima”.
Depois de perder milhares de euros no negócio que criou em Bragança, Luís Portugal fala sobre o futuro com muito pessimismo. “Quem paga as minhas expectativas? Quem paga aos meus colaboradores? Quem paga aos nossos produtores e fornecedores? Quem paga o sonho que nos tirou?”, interroga este empresário que continua a servir os mais diversos petiscos no seu restaurante em Bragança.





