Sábado, 17 de Abril de 2021

Moléculas de vinho do Porto poderão tratar doenças de pele

Um hidrogel de tratamento de doenças como cancro da pele ou psoríase poderá surgir graças à investigação da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), avança a Lusa.

Num comunicado publicado no website da UP, pode ler-se que “cerca de 20 moléculas” revelaram potencial para um fármaco “que poderá ser aplicado na terapia fotodinâmica (PDT)”. Destas moléculas, fazem parte as portisinas: moléculas descobertas originalmente no vinho do Porto.

“Acreditamos que estas moléculas podem ser usadas no desenvolvimento de um hidrogel incolor para aplicação na pele durante as sessões de terapia fotodinâmica. O hidrogel é a formulação mais fácil para aplicação na pele, e o facto de ser incolor não impede a entrada da luz”, avança Iva Fernandes, investigadora do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV-REQUIMTE), do Departamento de Química e Bioquímica (DQB) da FCUP, ao jornal Expresso.

O Alto Douro Vinhateiro apresenta agora, assim, outra mais-valia: o uso terapêutico das propriedades do vinho do Porto, originário da Região.

O hidrogel

Ambiciona-se “desenvolver um hidrogel que absorve a luz no comprimento de onda correspondente à cor vermelha”, lê-se no comunicado da UP. Este hidrogel funcionaria como “veículo de transporte” da luz vermelha para o “interior da pele onde estão as células doentes”.

A luz vermelha, explica Joana Oliveira, investigadora do LAQV-REQUIMTE, incentiva a produção de “oxigénio singleto e outros tipos de oxigénio” nas células, o que acaba “por destruir as próprias células”.

Para evitar que células saudáveis sejam danificadas, as investigadoras recorrem às características de células doentes: como estas metabolizam “muito mais rápido vão ser mais rapidamente afetadas por este oxigénio que consomem”. Como o oxigénio singleto desaparece rapidamente, os “efeitos nas células saudáveis são assim minimizados”.

Os próximos passos deste projeto são os testes laboratoriais com células que originam doenças e inflamações da pele, para que se possa proceder, eventualmente, aos ensaios clínicos com humanos.

O projeto, apelidado WINPUT e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, conta também com investigadores da Universidade de Aveiro.

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