Sábado, 13 de Junho de 2026
SaúdeMoléculas de vinho do Porto poderão tratar doenças de pele

Moléculas de vinho do Porto poderão tratar doenças de pele

Um hidrogel de tratamento de doenças como cancro da pele ou psoríase poderá surgir graças à investigação da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), avança a Lusa.

Num comunicado publicado no website da UP, pode ler-se que “cerca de 20 moléculas” revelaram potencial para um fármaco “que poderá ser aplicado na terapia fotodinâmica (PDT)”. Destas moléculas, fazem parte as portisinas: moléculas descobertas originalmente no vinho do Porto.

“Acreditamos que estas moléculas podem ser usadas no desenvolvimento de um hidrogel incolor para aplicação na pele durante as sessões de terapia fotodinâmica. O hidrogel é a formulação mais fácil para aplicação na pele, e o facto de ser incolor não impede a entrada da luz”, avança Iva Fernandes, investigadora do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV-REQUIMTE), do Departamento de Química e Bioquímica (DQB) da FCUP, ao jornal Expresso.

O Alto Douro Vinhateiro apresenta agora, assim, outra mais-valia: o uso terapêutico das propriedades do vinho do Porto, originário da Região.

O hidrogel

Ambiciona-se “desenvolver um hidrogel que absorve a luz no comprimento de onda correspondente à cor vermelha”, lê-se no comunicado da UP. Este hidrogel funcionaria como “veículo de transporte” da luz vermelha para o “interior da pele onde estão as células doentes”.

A luz vermelha, explica Joana Oliveira, investigadora do LAQV-REQUIMTE, incentiva a produção de “oxigénio singleto e outros tipos de oxigénio” nas células, o que acaba “por destruir as próprias células”.

Para evitar que células saudáveis sejam danificadas, as investigadoras recorrem às características de células doentes: como estas metabolizam “muito mais rápido vão ser mais rapidamente afetadas por este oxigénio que consomem”. Como o oxigénio singleto desaparece rapidamente, os “efeitos nas células saudáveis são assim minimizados”.

Os próximos passos deste projeto são os testes laboratoriais com células que originam doenças e inflamações da pele, para que se possa proceder, eventualmente, aos ensaios clínicos com humanos.

O projeto, apelidado WINPUT e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, conta também com investigadores da Universidade de Aveiro.


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